sábado, 9 de maio de 2009

Por Amor



Estreia - 3/4 - Por Amor (em tradução de título bizarra de tão ruim) chega às mãos da maioria das pessoas cercado de desconfiança. Primeiro, pelo nome, que não diz nada. Segundo pelo elenco um pouco incomum, misturando Michelle Pfeiffer com Ashton Kutcher. Mas com uma introdução e uma teia de personagens interessantes, o longa começa bem, apresentando o personagem Clay (Spencer Hudson), que começa narrando a história e contando do assassinato de seu pai. Enquanto se comunica com sua mãe Linda (Pfeiffer) naquilo que parece um presídio, ele fala de Walter (Kutcher) que teve sua irmã gêmea também assassinada após sofrer violência sexual.

Walter abandonou a carreira de lutador para morar com sua mãe Gloria (Kathy Bates) e leva a vida trabalhando vestido de frango na porta de uma pizzaria. As vidas dessas pessoas se cruzam em uma terapia de grupo destinada a familiares de vítimas de crimes violentos, quando Linda, em depoimento emocionado, conta que o pai de Clay era alcoólatra e colecionador de armar e morreu pelas mãos de um amigo após uma bebedeira.

Quando o roteiro passa rapidamente pelo processo de julgamento dos acusados de ambos os crimes a coisa melhora muito. Parece que estamos diante de uma trama que se mostrará um filme de comportamento com toques de drama de tribunal. Não chega a desenvolver o segundo com tanta qualidade, mas tem seus momentos. O principal objetivo é mostrar a forma com que os familiares das vítimas encaram um julgamento, utilizando talvez para uma vingança pessoal. Além disso, todos passam por um processo de transformação que os tornam mais intolerantes a injustiças.

Walter e Linda se tornam amigos enquanto Clay passa a andar armado. Gloria, em difícil recuperação, fica um pouco sem função no filme. É uma pena, já que Kathy Bates é excelente atriz e poderia acrescentar muito – como o faz na meia hora final na cena em que desiste de vender os discos da filha que morreu. É emocionante a forma com que Bates, com tão pouco tempo na tela, entende a dor da sua personagem.

A reconstrução da família de Linda precisa da ajuda de Walter e ele vira amigo de Clay, ensinando este a lutar e despejar sua raiva no tatame. Kutcher, que na vida real tem um relacionamento com uma mulher mais velha (Demi Moore), entrega uma boa interpretação em um filme independente, com uma produção sem capricho e que depende exclusivamente do roteiro e da construção dos personagens. Pfeiffer não atrapalha, porém não acrescenta muito. O importante é que a narrativa linear e o ritmo regular são pontos chaves e isso se deve muito ao trabalho do diretor, roteirista e produtor David Hollander – em seu primeiro trabalho para o cinema.

Uma estranha cumplicidade (que não chega a ser um romance) entre Walter e Linda vai surgindo quando esta passa a convidar aquele aos casamentos em que organiza. Por Amor tem algo que pode afastar muita gente: ele é melancólico e triste todo o tempo. Eu gosto de filmes assim, desde que bem feitos. Não tem um ar de pretensão em produções do tipo e geralmente nos entregam boas cenas (como os anúncios dos veredictos).

Quando o início do longa faz sentido, Por Amor se torna uma grande história. Uma pena que nos Estados Unidos a produção será lançada nessa terça-feira diretamente em DVD. No Brasil, poucos tiveram a oportunidade de conhecer e se emocionar com o filme. Talvez a maior surpresa do ano pela expectativa antes de vê-lo ser zero. Só não espere uma obra-prima e depois reclame comigo. Nota 7



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Um comentário:

lyvia disse...

quase q eu assisti mas pela pouca divulgaçao de um filme do ashton fquei cm medo...bom saber jj!!!