quinta-feira, 30 de abril de 2009

Recontando - A Pantera Cor-de-Rosa

Steve Martin, o rei das refilmagens! O ator que foi bem sucedido recontando O Pai da Noiva, quis homenagear um de seus ídolos, o comediante Peter Sellers, estrelando uma nova versão para o clássico da comédia A Pantera Cor-de-Rosa. O longa original, que deu início a uma série de oito produções (seis com Sellers) é de 1963. Já o remake é de 2006 e teve uma continuação lançada aqui no Brasil no início do ano. Sobre essa eu falo amanhã (já a série clássica eu comento em outra oportunidade). Três meses depois o Recontando está de volta.

Pantera Cor-de-Rosa (1963)


Estreia - 24/2/1964 - A menina dos olhos de Blake Edwards sempre foi A Pantera Cor-de-Rosa. O diretor e roteirista apostou muitas fichas para que essa produção fosse um sucesso e até bem perto do fim da carreira insistiu com a trama da pedra preciosa que, devido a uma falha, possuía por dentro um desenho que lembrava uma pantera. Seu último filme nos cinemas seria O Filho da Pantera Cor-de-Rosa em 1993 (hoje ele tem 86 anos e recebeu apenas um Oscar honorário em 2004 - contando uma indicação em 1983 pelo roteiro de Victor ou Victória).

O longa que deu origem a tudo isso começa de maneira bem objetiva, apenas citando a existência da pedra. Logo com um minuto e meio a abertura mais do que clássica com o desenho animado da pantera e do Inspetor Clouseau, na trilha histórica de Henry Mancini, indicada ao Oscar e ao Grammy. Depois disso, conhecemos o Inspetor de carne e osso, correndo atrás do assaltante de nome Fantasma. Peter Sellers dá o indicativo de que o filme utilizaria o recurso de comédia pastelão sempre que possível (a cena do globo que não para de girar e derruba Clouseau é a prova disso).

Como o roteiro não perde tempo são necessários apenas alguns momentos para descobrirmos que a esposa do Inspetor, Simone (Capucine - mas o papel foi oferecido a Ava Gardner e Janet Leigh) é a verdadeira assaltante de joias, atuando ao lado do amante Charles Lytton (David Niven). Esse surge numa estação de esqui bolando uma forma de conhecer a Princesa (Claudia Cardinale, que não falava inglês e teve que ser dublada) que tem a propriedade da Pantera Cor-de-rosa. Quem aparece para atrapalhar é George (Robert Wagner), sobrinho de Charles.

Com o rosto sempre sério, como se não estivesse numa comédia, o papel de Sellers lembra muito as interpretações de Buster Keaton, um dos maiores comediantes de todos os tempos. Apesar de algumas cenas em que se apresenta situações bem engraçadas (sempre se passando no quarto do hotel onde está hospedado o casal Clouseau), não acho que o filme empolgue tanto assim.

Os momentos mais inspirados começam na cena da festa à fantasia em diante, apresentando uma trama que não se enrola no excesso de personagens. O roteiro foi indicado ao prêmio do Sindiato de Roteiristas de Hollywood na categoria comédia. Clouseau, apesar de figura central da trama, aparece pouco na primeira metade.

Assistindo A Pantera Cor-de-Rosa anos depois e sabendo tudo que vai acontecer percebe-se que Peter Sellers foi mal aproveitado nessa primeira história, servindo apenas para que seu personagem mude o foco da busca pela Fantasma para a recuperação da joia. David Niven é claramente o protagonista e mesmo assim foi Sellers que recebeu indicações ao BAFTA e ao Globo de Ouro. Devido aos minutos finais bem divertidos, o longa consegue a simpatia do espectador. Edwards acharia o ritmo ideal para a série na continuação, chamada Um Tiro no Escuro (lançada apenas três meses depois desse). Resta a esse aqui a importância histórica e poucas risadas. Nota 6




Pantera Cor-de-Rosa (2006)


Estreia - 17/2/2006 - Apesar da indicação para o Framboesa de Ouro de pior sequência de 2006 ("perdendo" para O Pequenino), comparando apenas o filme original de 1963 com esse, não acho que A Pantera Cor-de-Rosa de Steve Martin, na época com 60 anos (em papel que quase foi de Kevin Spacey, Robin Williams e Mike Myers) deva qualquer coisa para a de Peter Sellers.

O início documental, centrado no personagem de Kevin Kline (Dreyfus), era a indicação de que pouca coisa seria copiada. Uma delas seria a manutenção do desenho clássico (em vez do CGI) na abertura. Shawn Levy (Recém-Casados, Doze é Demais e Uma Noite no Museu) se mostrou o diretor ideal, apesar de ser substituído pelo holandês Harald Zwart na continuação.

O Clouseau de Martin é mais exagerado e se leva menos a sério (em muitas cenas é nítido que o ator está realmente se divertindo) e nessa nova história ele não está preso à esposa nem a um hotel no meio do nada. Tudo começa quando o técnico da seleção de futebol da França (participação especial de Jason Statham), dono do anel com a joia que dá nome ao filme, é assassinado no meio do campo de futebol. Sua namorada, Xania (Beyoncé Knowles), é apontada como uma das suspeitas.

Dreyfuss precisa indicar um agente para investigar o caso e Clouseau é promovido a Inspetor por sua brilhante incompetência. A ideia do chefe era queimar o filme do responsável pelo caso para que ele fique com os créditos da provável solução. Dois personagens novos são importantes para a dinâmica do filme. O assistente de Clouseau, Ponton (Jean Reno, mas quase foi de Jackie Chan) e a secretária Nicole (Emily Mortimer). Steve Martin, responsável por parte do roteiro, acertou em cheio ao se inspirar nos outros longas da série e colocar o máximo de comédia possível na história. Seu Clouseau é excessivamente paranoico, sendo o típico idiota que sem querer dá certo.

Há uma homenagem a cena do globo girando (citado no comentário acima) e uma participação de Clive Owen como o agente 006, tirando um sarro da história muito comentada anos atrás de que ele seria o novo James Bond. Esse papel seria de Pierce Brosnan, que não aceitou. É outra homenagem a Sellers, que fez uma paródia de Bond em Cassino Royale, de 1967. Quase que uma terceira participação especial acontece, mas o jogador David Beckham não aceitou participar.

Para quem acha que não existem grandes cenas de comédia no remake de A Pantera Cor-de-Rosa fique atento naquela em que o Inspetor é, ao mesmo tempo, o "bon cop" e o "bad cop", além de outra, em que ele quer perder o sotaque francês para investigar Xania em Nova York.

Tudo bem que a conclusão está mais para Corra que a Polícia Vem Aí, mas nada que comprometa. Nos créditos você ainda pode ouvir Check on It, hit de Beyoncé utilizado para promover o filme. Imagino que Blake Edwards tenha ficado satisfeito com a homenagem de Seteve Martin a Peter Sellers numa produção que ganha pontos justamente por não ser pretensiosa. Nota 6




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