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quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Entre os Muros da Escola



Sinopse: François Marin (François Bégaudeau) trabalha como professor de língua francesa em uma escola de ensino médio, localizada na periferia de Paris. Ele e seus colegas de ensino buscam apoio mútuo na difícil tarefa de fazer com que os alunos aprendam algo ao longo do ano letivo. François busca estimular seus alunos, mas o descaso e a falta de educação são grandes complicadores. (Fonte: Adoro Cinema)

Motivo para assistir: Palma de Ouro no Festival de Cannes

Estreia – 13/03/2009 – Não é necessário nenhum conhecimento externo para apreciar Entre os Muros da Escola. Parece simples, mas é raro encontrar um longa assim – de conteúdo profundo – com essas características. A produção vencedora da Palma de Ouro em 2008 prende a atenção do espectador desde o primeiro minuto. Além disso, o roteiro abre espaço para diversas discussões: da utilidade da norma culta da língua ao próprio sistema escolar francês, cujas escolas públicas nivelam por baixo seu conteúdo (não muito diferente do Brasil). Tudo isso escrito e estrelado pelo autor do livro que o baseou (François Bégaudeau), que apesar de ter vencido o César na categoria roteiro, não voltou mais aos cinemas nem como ator nem como roteirista.

Ao reunir adolescentes de baixa renda, filhos de imigrantes (legais ou não) mais preocupados com bens materiais, Entre os Muros da Escola revela-se universal. Na visão do professor, o desafio de ensinar para um grupo desinteressado e heterogêneo – e desistir de alguns. Na dos alunos, o desejo de contestar quando são atingidos, mesmo em total ausência de autocrítica. Além da vitória da Palma de Ouro do Festival de Cannes de forma unânime, a produção foi indicada ao Oscar de filme estrangeiro, perdendo para A Partida e ao César de melhor filme, perdendo para Séraphine. Destaque para a ideia do Conselho de Classe com participação de alunos – um traço de hipocrisia francesa. Nota 8



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quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

2012



Sinopse: Séculos atrás, os maias nos deixaram o seu calendário, com uma data final em um dia determinado e tudo o que isso sugere. Desde então, astrólogos o discutem, numerólogos encontraram padrões que o preveem, geólogos dizem que Terra se encaminha para isso e nem os cientistas do governo podem negar que um cataclismo planetário de proporções épicas se anuncia para 2012. A profecia que surgiu a partir dos maias já se encontra hoje bem documentada, debatida, destrinchada e analisada. E em 2012, nós saberemos – nós fomos alertados. (Fonte: Cine Pop)

Motivo para assistir: Fim do Mundo

Estreia – 13/11/2009 – Muita gente acredita até hoje que a profecia maia se concretizará em 21 de dezembro próximo e no ano de 2009 Hollywood aproveitou o tema da moda para produzir alguns milhões (para ser mais exato, gastou 200 e ganhou quase 800). Todos os clichês dos filmes catástrofes modernos foram utilizados: o pai de família ausente (John Cusack), o Presidente dos Estados Unidos pego de surpresa (Danny Glover) e uma tese científica aparentemente lógica que desemboca nos efeitos especiais mais caros do momento. Armageddon, Impacto Profundo, Independence Day, O Dia Depois de Amanhã... a escolha é sua. Esses dois últimos têm em comum com 2012 o diretor Roland Emmerich, que jurou ser esse seu último filme-catástrofe. Ele ainda escreveu e produziu esses três e mais Godzilla. Mais a maior catástrofe da sua carreira, sem dúvida, é 10.000 AC. Procure algo pior.

Não há como negar que a produção de 2012 é caprichada e ainda é possível se divertir assistindo-o. A fuga de carro da Califórnia talvez seja a cena mais absurda da história do cinema. Porém, sempre há uma piada mal encaixada – dessa vez com menção honrosa ao Rio de Janeiro. Talvez a grande diferença é que o roteiro de 2012 está mais preparado para o mundo globalizado do que seus antecessores. Vale observar que os Estados Unidos são os primeiros a cair em ruínas e a fortaleza do mundo parece ser a China. Com a crise financeira que sacudiu o mundo após o lançamento do filme, o fim do mundo perdeu um pouco sua importância. Quem viver, verá. Nota 5



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quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Michael Jackson - This Is It




Estreia - 28/10 - Só mesmo a lenda chamada Michael Jackson para me fazer sair do trabalho e encarar um cinema em um dia de uma semana cansativa para assistir a um documentário que fala quase tudo que eu já sei.

Eu não tenho dúvida de que Michael Jackson é o artista que eu mais vi, ouvi e quis ser na vida. Mesmo sendo fascinado por cinema, vai ser difícil um ator ou uma atriz ser tão celebrado por mim do que MJ. Talvez porque só ele conseguiu unir batida, letra, música, dança, imagens - de maneira que nem na música nem no cinema se encontre alguém como ele.

Trago esse texto de retorno do blog para o lado pessoal primeiro porque não tem como analisar This Is It como um filme. É incomparável a sensação de ver seu maior ídolo, que morreu há tão pouco tempo, pela primeira vez na tela de um cinema. Segundo porque não tive a oportunidade de escrever nada sobre Michael Jackson quando este faleceu e aproveito a oportunidade.

This Is It não é filme, nem mesmo documentário. É um recorte de mais de cem horas de gravação, encomendadas pelo próprio artista, documentando apenas os ensaios daquela que seria a volta do Rei do Pop aos palcos. Porém, quem vai ao cinema tem a exata noção da importância desse artista.

Na maioria do tempo, como em todas as vezes que vi algo relacionado a Michael Jackson desde sua morte, o sentimento foi de tristeza. Não só pelo fim da vida de pessoa tão interessante e que eu tanto admiro. A tristeza maior é pelo que Michael Jackson, o homem (e não o mito) deixou de viver por culpa do sucesso precoce e de todos os fatores que a maioria conhece e que não preciso elencar. Como fomos injustos com MJ e que pena que o perdemos tão cedo.

Como disse anteriormente não há no mundo artista que eu conheço melhor que MJ. Todos os discos, clipes, músicas, tudo. Porém, nunca me canso de ver as performances do cantor. A imagem de Michael Jackson nunca soa desgastada. Nem em This Is It, que estreia em um momento em que o mundo consome Michael Jackson há meses e, no que diz respeito às músicas e às danças, pouco ou quase nada de novo é trazido pelo filme.

Depois do morno começo com Wanna be Startin' Something e Jam (talvez pelo surpreendente silêncio dos primeiros momentos, algo raro em uma sala de cinema lotada), o primeiro indício de que This Is It se transformaria em um show inesquecível é o efeito da multiplicação dos dançarinos em They Don't Care About Us.

Os acordes de Human Nature me fazem lembrar pela primeira vez do velório do artista - momento em que John Mayer utilizou-se dos mesmos acordes para homenagear MJ. Há partes divertidas e surpreendentes como o "triângulo amoroso" entre Michael, uma Rita Hayworth no papel de Gilda e Humphrey Bogart em Smooth Criminal - quando o telão materializa Nova York.

Partes de reflexão como o momento em qual MJ se preocupa em passar a mensagem de proteção à natureza (uma das bandeiras do artista ao lado de sua preocupação com as crianças, que só aparecem ao final dos créditos), com espaço para as belas imagens de Earth Song no telão que prometia revolucionar as apresentações musicais.

Há também a versão 3D de Thriller "encontra Tim Burton", que seria um dos pontos altos do show. Porém, depois de tudo o que aconteceu nos últimos meses, a emoção maior - pelo menos para mim e para o público da sessão - aconteceu em I'll be There (na parte em que MJ fazia referência aos primeiros anos da carreira ao lado dos irmãos), uma de suas canções que tem sido mais executada e que mais faz sentido após sua morte.

O blogueiro que vos fala não sairia com uma gota de insatisfação dos shows da turnê de This Is It, pois suas músicas preferidas, The Way You Make me Feel e Man In The Mirror, estavam garantidas. A grande revelação ficaria por conta da bela guitarrista (perdão por não saber o nome), que arrebenta em Beat It e Black Or White.

Nos poucos momentos em que a música não rola, um Michael Jackson carinhoso, sempre calmo mesmo na busca pela perfeição, só aumenta a adoração do público por sua pessoa. O artista, diferente da maioria, queria que as músicas soassem como as versões dos discos, deixando os fãs confortáveis para cantar e dançar com ele cada segundo. Percebe-se muito bem isso ao final, quando ele executa os passos de Billie Jean da mesma forma que em 1984, quando chocou o mundo ao mostrar o Moonwalk pela primeira vez no show de 25 anos da Motown.

Não dá para se cansar de ouvir aquelas músicas e se o filme fosse dividido em 50 com todas as 100 horas de gravação disponíveis, ainda assim seria uma excelente programa assistir. Mas This Is It não é um filme, nem um documentário. É mais um recorte que se transformará em referências que se somam às outras que tenho de Michael Jackson - assim como o longa Moonwalker.

É apenas mais uma coletânea de performances perfeitas do artista de obra irretocável. Ao final, as pessoas na sessão efusivamente aplaudem. Não é o roteiro, a direção, a competência de Kenny Ortega, a simpatia dos dançarinos, a beleza da guitarrista. Nada. Todo mundo foi ali na esperança de ver talvez pela última vez algo inédito de seu ídolo, sendo a última chance de celebrar sua carreira.

Ironicamente o blog volta com um extenso (e por isso peço desculpas) e talvez cansativo, inútil, repetitivo e chato comentário sobre um filme que eu não considero filme. Por isso que abro uma exceção e não atribuo valor ao que vi. Michael Jackson, o artista que me apresentou à música, à dança, que me fez fã de canções bem interpretadas, de coreografias sem falhas, de efeitos especiais, de belas imagens (resumindo: fã de cinema) não pode ser avaliado por pessoa tão pequena. Sem nota



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quinta-feira, 28 de maio de 2009

Noite no Museu 2



Estreia - 22/5 - Dois anos e meio depois de ver o filme de origem no cinema (sem nunca ter repetido a dose), a impressão que tive é que não fazia nem uma semana que tinha assistido a Uma Noite no Museu. Larry (Ben Stiller) conseguiu alguma coisa com suas bizarras invenções e hoje é dono de um império de vendas dessas bugigangas que anunciam na televisão. Enquanto isso, os inesquecíveis (sim, se você ver a continuação vai perceber que não esqueceu de nenhum deles) personagens que ganham vida à noite do Museu de História Natural de Nova York começam a ser encaixotados para serem armazenados no Museu Smithsonian, em Washington.

A ideia (absurda, por sinal) dos administradores é substituir as caras esculturas e quadros por hologramas animados, que além de representarem a História ainda falam dela. Larry, portanto, passa uma noite no museu para se despedir de seus amigos. Porém, como a tábua do faraó foi no contêiner em direção a Washington, o maior museu do mundo irá ganhar vida todas as noites.

Uma Noite no Museu 2 tem uma semelhança com o primeiro: a falta de ação em seu começo. O roteiro (mais uma vez de Thomas Lennon e Robert Ben Garant) vai enrolando até chegar no Smithsonian. Por isso que muitos abandonam o filme (não fisicamente, mas não despejam muita atenção) antes da metade e ficam com a impressão de que a história é fraca. Porém, a trama tem lá sua graça, como os quadros que ganham vida - abrindo espaço para um pedaço em preto e branco que se passa no final da Segunda Guerra - e a evolução do personagem de Stiller.

Larry consegue muito dinheiro às custas de muito trabalho, mas tudo o que ele sempre quis tira muito do prazer de sua vida. No museu ele está feliz e o público mais uma vez é agraciado com excelentes referências históricas, bons efeitos visuais e a inclusão de novos personagens quase tão divertidos quanto os do primeiro (que estão de volta). O vilão Kahmunrah (Hank Azaria, que além de ser o mais engraçado com sua homenagem a Boris Karloff ainda faz as vozes de Abraham Lincoln e O Pensador) é "auxiliado" por Ivan, o Terrível; Napoleão Bonaparte; e Al Capone. Sem contar nas miniaturas de Einstein, que aparecem pouco mas fazem rir e uma rápida visita de Darth Vader.

Amy Adams (sempre encantadora) substitui muito bem Reese Witherspoon, escalada originalmente para o papel de Amelia Earnhardt. Com 150 milhões de dólares (quarenta a mais) para gastar, o diretor Shawn Levy apostou no "mais do mesmo", que apesar de divertir, não deve abrir caminho para uma franquia muito longa - se bem que hoje quem comanda é a bilheteria. Uma Noite no Museu 2 é um filme inofensivo. A receita está batida, mas ainda rende um bom caldo. Nota 5




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quinta-feira, 21 de maio de 2009

Modelos nada Corretos



Estreia - 13/3 - O filme que quase foi direto para o mercado de DVD no Brasil com o nome de "Faça o que Eu Digo, Não Faça o que Eu Faço" é uma das gratas surpresas de 2009. Confesso que apenas me interessei por conta da indicação do ator Bobb'e J. Thompson ao MTV Movie Awards de revelação masculina (veja aqui a lista completa dos indicados). Porém, o resultado se mostrou bem acima do esperado.

O longa conta a história de Wheeler (Sean William Scott) e Danny (Paul Rudd), que trabalham como representantes de vendas de uma bebida energética e passam o dia dando mini-palestras em escolas, onde defendem seu produto e criticam o uso de drogas. Como todos os papeis desses dois atores, Wheeler é um Stifler um pouco mais velho, abordando qualquer tipo de mulher atraente da forma mais arrogante possível e Danny é uma espécie de Ben Stiller, que tenta andar na linha mas é uma bomba pronta para explodir.

Ela explode quando o personagem de Rudd completa 35 anos de idade e dez de trabalho em uma função que ele simplesmente odeia. Tentando respirar novos ares ele pede sua namorada Beth (a simpática Elizabeth Banks) em casamento. Diante da negativa, ele se revolta e faz um discurso subversivo para um grupo de adolescentes. Nervoso, arranja confusão com a Polícia na hora de pegar o carro da empresa (que estava prestes a ser rebocado) e acaba sendo processado por diversos crimes. Wheeler, que acompanhou Danny todo o tempo, acaba como réu também, vítima do "dia de fúria" do colega de trabalho (quem nunca se sentiu assim, onde tudo te revolta e uma série de coisas erradas se sucedem?).

Para se livrarem de trinta dias de cadeia os dois aceitam a pena alternativa de serviço comunitário, em uma organização que acompanha crianças problemáticas. Danny irá passar alguns dias com Augie (Christopher Mintz-Plasse, de Superbad - É Hoje!), um adolescente que só pensa em RPG (incluindo a constrangedora - para Danny - arte do cosplay em praça pública). Wheeler fica responsável por Ronni (Bobb'e J. Thompson, que acaba de completar treze anos de idade), um pirralho encapetado com a boca mais suja que a do seu mentor. A diretora da organização é Gayle (Jane Lynch), uma das personagens mais engraçadas.

Apesar de parecer um filme de criança, Modelos nada Corretos é totalmente o oposto disso. É um besteirol cheio de grosseria, mas é muito divertido e extremamente simpático. Misturando RPG com a música do Kiss, a história escrita por um grupo de quatro roteiristas (além do estreante na função Paul Rudd, tem David Wain - que também dirige, Ken Marino e Timothy Dowling) é agradável e tem uma maneira criativa e prazerosa de unir todas as pontas, inclusive com uma crítica aos pais que não tentam entender seus filhos.

Todos os personagens, cada um com sua esquisitice, se tornam pessoas menos egoístas e atingem um equilíbrio maior na maneira de levar a vida. Palmas para Modelos nada Corretos, que custando 28 milhões de dólares, arrecadou 68 milhões nos Estados Unidos, deixando o blogueiro com vontade de assistir o filme Mais um Verão Americano, lançado em 2002 e com a mesma equipe que realizou essa boa comédia. Nota 7



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quarta-feira, 20 de maio de 2009

Star Trek



Estreia – 8/5 – Star Trek consegue, sem muito esforço, bater seus adversários de Maio na luta pelo verão americano sem esforço. O décimo primeiro longa sobre a Frota Estrelar nos cinemas não é bem um filme de origem – apesar dos personagens estarem mais novos. Você vai saber o porquê. Também calcada em uma trilha forte (a exemplo de Anjos e Demônios), a história começa com o ataque de uma nave independente a uma nave da Federação. O recém-promovido Capitão Kirk sacrifica sua vida para salvar a tripulação – entre eles sua mulher e seu filho recém-nascido. Essa nave independente dos romulanos na verdade estava perdida no tempo à procura de Spock.

Passados alguns anos a trama se divide entre o planeta Vulcano e o Estado norte-americano de Iowa. No primeiro, um adolescente de nome Spock, mesmo sendo meio-humano, desenvolve uma capacidade intelectual impressionante. No segundo, um revoltado Kirk passa os dias arranjando briga em bares (momento em que algumas canções de rock ganham a tela). Convencido a se alistar na Frota Estrelar Kirk terá que passar pelos testes elaborados por Spock.

Star Trek reúne o espetáculo visual de Speed Racer com a diversão acima da média de Homem de Ferro e Transformers – talvez com uma história até mais rica. É ótimo que sua bilheteria corresponda às expectativas (já é a produção da franquia que mais arrecadou na História), já que é uma produção que vale a pena ver na tela grande, com todos os recursos que o cinema proporciona. Os atores estão muito bem, tanto Chris Pine de Kirk (em papel que Matt Damon chegou a se oferecer para fazer) quanto Zachary Quinto (em sua estreia no cinema) de Spock – e a semelhança física é realmente incrível. Além deles, há o elenco de apoio com personagens que fazem parte da cultura americana. Eric Bana como o vilão Nero (Abrams só aceitava ele ou Russell Crowe), além de Bruce Greenwood, Karl Urban, Zoe Saldana, Simon Pegg e John Choo – todos com atuações no mínimo corretas.

Meu xará J.J. Abrams (mentor de Lost), que nunca se ligou muito em Jornada nas Estrelas, entrega um filme excepcional – tanto na direção quanto na produção (essa ao lado de Damon Lindelof – também da série de TV). Aos poucos ele vai inserindo tramas que diferem da história original, como a destruição de Vulcano – momento em que Leonard Nimoy, como o velho Spock, aparece e engrandece ainda mais Star Trek – ele que andava sumido desde 1991, quando fez Jornada nas Estrelas 6. Dessa forma J.J. abre espaço para um roteiro sobre a destruição de outro planeta, Romulus, e como o retorno dos romulanos do início do filme pode mover o curso da História.

Não é nova essa teoria de realidade paralela, viagem no tempo e passado que altera o futuro. Só que essa parece ser uma especialidade de Abrams, que conseguiu tornar Lost ainda mais interessante com essa brincadeira. Em Star Trek ele sustenta o filme em alto nível na maioria do tempo e abre espaço para mais coisa boa da franquia daqui para frente. Os roteiristas Roberto Orci (de Missão Impossível 3, que reaparecerá nos cinemas daqui a dois meses com Transformers 2) e Alex Kurtzman (do apenas bom Controle Absoluto) fazem um ótimo trabalho, lotando a trama de referências para os fãs, sem soar nerd para aqueles que querem apenas curtir o filme.

Uma Enterprise paralela àquela que habita mentes e corações dos trekkies nas últimas décadas é responsável pelo retorno triunfal de Jornada nas Estrelas, sete anos depois do último longa. Quem vê o trabalho de Abrams pensa até que é fácil fazer um filme desses. Nota 8



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Anjos e Demônios



Estreia – 15/5 - Anjos e Demônios, segundo filme baseado em best-seller de Dan Brown e primeira “vítima” da greve dos roteiristas de 2007 que chega aos cinemas, acaba por ter um resultado parecido, porém um pouco superior, ao primeiro longa, O Código Da Vinci. A semelhança mais gritante entre os dois seria a presença da trilha forte, que em Anjos e Demônios começa logo nos créditos. Nem precisa dizer que a principal melhora é o cabelo do protagonista, vivido mais uma vez por Tom Hanks.

Porém, duas características do livro de Brown se mantém no longa, mérito dos experientes roteiristas Akiva Goldsman e David Koepp (esse contratado por Tom Hanks para a continuação) e do diretor Ron Howard (o mesmo de O Código Da Vinci, que filmou o maravilhoso Frost e Nixon – A Luta pela Democracia entre uma pausa e outra). A primeira é que a história arrebatadora, que não para de trazer elementos novos e vai envolvendo o espectador para um final grandioso está lá. Quem leu Anjos e Demônios geralmente gosta do livro justamente por essa capacidade incrível de ser surpreendido diversas vezes. A segunda característica, consequência da primeira, é segurar o ritmo em um nível alto com a tática da trama que “só acaba quando termina”, deixando o espectador sem piscar até o último segundo.

Apesar de Howard ser um grande diretor, é uma pena que Clint Eastwood, que demonstrou interesse em dirigir o filme, não pode ser escalado por obrigação contratual da época da primeira produção. Pois bem, a história começa com a morte do Papa (tido como progressista) e a Igreja Católica dividida. Em outra cena, Vittoria Vettra (a israelense Ayelet Zurer) está mergulhada na produção da antimatéria, que explicaria muito sobre a criação do Universo, quando seu parceiro de pesquisa é assassinado. Já o renomado simbologista Robert Langdon é procurado em Harvard pelo Vaticano por conta do sequestro de quatro bispos, os preferidos para a eleição do novo Papa na época do Conclave.

A surpresa de Langdon pela requisição do Vaticano (que não permitiu que as filmagens fossem feitas na Praça de São Pedro) tem uma explicação. Originalmente, Anjos e Demônios se passa antes de O Código Da Vinci e o pesquisador ainda não tinha destruído boa parte dos dogmas da Igreja. Durante o filme ele se revela um homem sem fé e que sua luta é em busca da verdade – observações impertinentes já que ele provou isso no filme anterior, mas é a essência dessa “sequência que veio antes”. Quanto à Vectra, alguns fãs cobraram uma atriz mais bonita, mas, convenhamos, é difícil um gênio da ciência, que consegue produzir a antimatéria, ser uma mulher de parar o trânsito. Fizeram muito bem em escolher uma atriz atraente, mas nada excepcional – Naomi Watts, essa sim excepcional, era a primeira escolha.

Mas excepcional mesmo é a participação de Ewan McGregor, como o Carmelengo Patrick McKenna, que no original era um italiano – uma das alterações do roteiro. Hanks queria Leonardo DiCaprio nesse papel, mas ele não aceitou. Nessa continuação optaram por colocar poucos rostos conhecidos e ter verba para convidar um ator desse nível. Seu contraponto nas cenas em que Langdon não aparece é um dos destaques do filme. Quanto a Tom Hanks, não precisa nem falar que ele está bem. Ele já chegou em um nível na carreira que qualquer longa seu precisa ser visto (apesar de não esquecer a bomba do ano passado chamada Jogos de Poder).

Não se engane pelas propagandas porque Anjos e Demônios tem só um pouco mais de ação do que O Código Da Vinci. Os dois são thrillers excelentes, mas esse longa mais novo é menos truncado, com Robert Langdon e sua “Langdon girl” descobrindo as coisas mais rápido, o que torna o filme mais dinâmico. Para quem leu o livro ainda tem as mortes violentas baseada nos quatro elementos. Menos escatológicas, mas ainda sim violentas. A diversão é grande se você manter suas expectativas lá embaixo. Nota 7


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quarta-feira, 13 de maio de 2009

Velozes e Furiosos 4



Estreia - 3/4 - Falta de criatividade é uma coisa horrível. Porém, é um mal comum no cinema, principalmente em Hollywood. Em Velozes e Furiosos 4 a coisa chega a ser exagerada. Primeiro que o nome é idêntico ao do longa de origem (em inglês passou de The Fast and The Furious para Fast and Furious). Segundo que o pôster é o mesmo (a versão clara, com os rostos dos protagonistas divididos em quadros, faz você voltar no tempo). Tudo isso por conta do retorno de Vin Diesel à franquia.

O filme começa com uma grande cena de ação, na República Dominicana, quando Toretto (Diesel) e sua mulher Letty (Michelle Rodriguez) atacam um caminhão que transporta petróleo. A abertura no estilo 007 ainda cita o Rio de Janeiro (que, dizem, seria o palco dessa quarta aventura). Depois dos créditos ficamos sabendo que O'Conner (Paul Walker) ainda trabalha, meio a contragosto, para o FBI. Não espere muito malabarismo com carros e destruição pelo caminho. Se quiser isso, assista os primeiros dez minutos e adiante para a cena final.

Quando Letty morre de forma misteriosa (aliás, que inútil a participação de Rodriguez) a coisa caminha para que Diesel e Walker unam forças contra um traficante de nome Braga. No caminho eles precisam se inscrever na velha corrida de carros modificados, abrindo espaço para aquela trilha de hip hop das produções anteriores.

Quando se economiza na ação é preciso que o filme se baseie em uma trama mais inteligente do que a apresentada em Velozes e Furiosos 4. Se O'Conner quer só fazer seu trabalho por que ele anda sempre junto de Toretto, que só deseja vingança? E o FBI, por que aceita todos os métodos do personagem de Walker? Quando a dupla começa a transportar drogas para Braga a ação diminui mais ainda. Sem contar que Vin Diesel (e sua "grande interpretação" indicada ao MTV Movie Awards), mesmo recém-viúvo, encontra tempo para mandar uns xavecos tristes.

Apesar de redondo, Velozes e Furiosos 4 é tão comum que enjoa. O diretor Justin Lin entregou cenas de ação mais generosas no terceiro capítulo da franquia, que mostra claros sinais de cansaço. Até o grand finale decepciona, com um pega dentro de uma mina de carvão. Vin Diesel (que fez questão de ser o produtor) odeia continuações mas se animou todo em entregar uma história mais interessante. Sua declaração só pode ter sido jogada de marketing, já que Toretto continua um ladrão - que apenas deseja vingança - e O'Conner um ex-bandido e seu dilema em ser mocinho. Onde está a maravilhosa continuação do primeiro capítulo, Vin?

Como a bilheteria é o que importa, Velozes e Furiosos 4 não se deu mal. Pelo contrário, é o maior faturamento em um final de semana de estreia da história do mês de Abril (72.5 milhões de dólares, contra 42.2 de Tratamento de Choque); o maior faturamento de estreia de um filme sobre carros (batendo Carros, da Pixar, que arrecadou 60.1 milhões); e a maior estreia de uma produção da Universal Pictures (batendo Jurassic Park 2: O Mundo Perdido, com 72.1 milhões). Sem contar que ainda fatura outros milhões no mercado de DVD, não tenha dúvida.

Porém, não espere muitos adeptos no provável quinto capítulo. Cada vez mais a série limita seu alcance, resumindo seu público a quem gosta de carros tunados e não se interessou por nenhum outro longa em cartaz no domingo à tarde. Não é possível que tanta gente se deixe enganar de novo. Todavia, se o mercado de games lança Need for Speed até hoje, só nos resta aguardar mais um Velozes e Furiosos (talvez entre um Jogos Mortais e outro). Nota 4



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terça-feira, 12 de maio de 2009

Divã



Estreia - 17/4 - Nos primeiros minutos de Divã fica nítida a autoria do texto original. A narração da personagem Mercedes (Lília Cabral) entrega a agilidade e facilidade de usar as palavras de Martha Medeiros, que escreve na Revista O Globo todos os domingos. Como acontece em suas colunas, não é tudo que ela fala que eu gosto e concordo, mas admito que é uma leitura fácil, por ser direta e usar o cotidiano mais comum possível para desenvolver suas ideias.

Percebe-se também que Divã utiliza muita coisa da peça de teatro (que é uma adaptação do livro). Geralmente transposições dessa forma de linguagem para o cinema são bem sucedidas, até mesmo no Brasil, com o filme A Partilha - que conta com a mesma Lília Cabral no elenco. Porém, Divã centraliza as ações na protagonista e o roteiro cai na perigosa armadilha do "ame ou odeie" a figura principal. Eu chego perto de odiar e explico o porquê mais à frente.

Primeiro, os elogios. O longa é a segunda produção nacional do ano a atingir a marca de um milhão de espectadores. A arte dos créditos é linda. Digo isso porque está virando rotina no cinema brasileiro esse capricho gráfico, o que é ótimo. Já alguns enquadramentos não são bem feitos. O principal exemplo é quando Mercedes está no meio da consulta e os closes de seu rosto deixam parte da fisionomia dela fora da tela. Parece besteira, mas é um defeito estético que não fica bem.

A história mesmo é daquelas que me revoltam um pouco. Mercedes tem dificuldades como todo ser humano. A mais comum talvez seja não gostar de sua profissão - o amor dela está nas artes plásticas e não em ser professora particular de matemática. Como Martha Medeiros é uma espécie de "Paulo Coelho do mundo material", ela adora dar voz a mulheres que buscam independência e clamam por mais felicidade, mesmo sem saber como, onde nem porque estão infelizes e vão buscar a tal independência.

Será que Mercedes procura problemas onde não tem? Eu creio que sim. Suas divagações no divã permitem a ela uma reflexão que faz mais mal do que bem. O roteiro inteligentemente não dá voz ao Dr. Lopes, deixando o papel de Lília Cabral praticamente sozinha em seus pensamentos. Uma coisa também comum em filmes brasileiros é o chamado "toque trágico" e ele já começa pela trilha sonora, que não condiz com uma produção que é vendida como uma comédia.

Falando nisso, Divã é realmente engraçado. Tudo bem, a maioria das piadas é dependente do palavreado mais sujo que só é permitido no cinema e no teatro (mas programas e canais de televisão vêm mudando isso), só que isso não importa. É engraçado sim. Porém, tudo quase vai por água abaixo pela falta de sentido em alguns atos da protagonista. Uma neurose que corroi seu casamento, o pensamento mais individualista que a leva a um adultério, ao consumo de drogas e a lugares que ela não quer estar (aliás, a cena mais engraçada se passa justamente numa boate gay).

Lília Cabral está fantástica no papel, se expondo na medida certa em um filme que promete marcar sua carreira definitivamente. Quando as coisas não dão certo e Mercedes se torna mais amarga do que antes, a atriz tem a oportunidade de mostrar seu repertório dramático e não decepciona. Se não fosse Cabral e sua maneira adorável de conduzir a história, Divã seria bem pior.

Acredito que de ruim mesmo no filme temos apenas essa bobeira de celebrar imperfeições e puxar sardinha para a doutrina do "carpe diem", que permite grandes aventuras mas que trazem consequências avassaladoras. O que me assusta é que tanto os realizadores do filme (e incluo a autora do livro Martha Medeiros) quanto a grande maioria do público parece não se dar conta do quanta coisa fracassa na vida de Mercedes. Todo mundo ri o tempo todo, mas quem se arrisca a seguir o que é dito naquele divã? Nota 6



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X-Men Origens: Wolverine



Estreia - 30/4 - O primeiro "filme de origem" entre tantos que leva esse nome no título começa da forma mais direta possível. Canadá, 1845. Um garoto vê seu pai ser assassinado pelo capataz da família e parte para cima dele em busca de vingança. Nesse meio tempo o homem revela ser o verdadeiro pai do guri. Garras "de Wolverine" crescem das mãos do menino que se vinga do falso pai na mesma moeda.

Hugh Jackman (que produz o longa ao lado de John Palermo) está muito à vontade interpretando pela quarta vez o personagem mais popular da turma de X-Men no filme que abre a briga do verão no hemisfério norte. Ele iguala o recorde de Christopher Reeve em Superman. A abertura, mostrando Logan e seu irmão Victor Creed (Liev Schreiber, que já foi escada de Daniel Craig esse ano por Um Ato de Liberdade) em todas as guerras americanas (Secessão, Coréia, Primeira GG, Segunda GG, Vietnã e Iraque) é animador. A censura ser PG-13 já é sinal de que a violência será moderada. Zack Snyder fez muito bem em recusar dirigir esse projeto para se dedicar a Watchmen - já Bryan Singer poderia fazer melhor.

Em seguida a dupla de irmãos é levada para a periferia de Lagos, na Nigéria e Wolverine se transforma em um filme de ação comum. O grupo de mutantes que inclui participações de Dominc Monaghan e o rapper Will.I.Am lembra mais um Comandos em Ação turbinado em cenas mais compatíveis com o universo de Mortal Kombat do que de X-Men. Logan se cansa de tudo isso e parte para uma vida comum, de volta ao Canadá. Essa história um pouco grande não permite muita movimentação e às vezes tem que ser resumida em diálogos um pouco "toscos" (não é tão ruim, mas não achei palavra melhor).

A motivação de Wolverine é a vingança em decorrência do aparente assassinato de sua mulher (o que eu disse de filme de ação clássico e comum?). Quando o coordenador do projeto X, William Stryker, possibilita a indestrutibilidade de Logan a partir do adamantium, o longa melhora muito. O diretor de Infância Roubada, Gavin Hood, entrega uma obra menos pretensiosa que a primeira metade e o roteiro da dupla David Benioff (Troia e O Caçador de Pipas) e Skip Woods (Hitman - Assassino 47 e A Senhor: Swordfish) permite cenas fantásticas.

Um dos destaques é a explosão do celeiro da fazenda onde Logan recebe abrigo. Outros momentos possuem efeitos especiais que deixam a desejar, onde se percebe nitidamente o fundo azul (assisti ao filme no cinema, não a versão semifinalizada que vazou e deve estar pior). A ponta de outros mutantes ainda na fase adolescente é o que de melhor se tira do filme (principalmente a cena de Ciclope em sua escola). Não espere Nasi na trilha sonora - eu sei que é brincadeira mas um pouco de música fez falta para quebrar o gelo do filme.

Os fãs comemoram o surgimento de Gambit (Taylor Hitsch), que deve ser o personagem do X-Men mais conhecido depois de Wolverine e que passou ao largo das três primeiras produções do time para os cinemas. A luta entre os dois na meia hora final e o surgimento de uma amizade que promete render frutos em longas futuros é algo animador. Pena que a participação não seja maior. Talvez os produtores ficaram com medo de Gambit roubar o filme para si - o mesmo aconteceu com Venom em Homem-Aranha 3, na minha opinião. Gostei também da briga entre o protagonista e The Blob (Kevin Durand). Wolverine estreia a temporada com o suficiente para não desapontar o espectador. Porém, ao contrário de Homem de Ferro (que abriu os trabalhos no ano passado), deve se perder em meio a lançamentos melhores. Nota 6



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sábado, 9 de maio de 2009

Por Amor



Estreia - 3/4 - Por Amor (em tradução de título bizarra de tão ruim) chega às mãos da maioria das pessoas cercado de desconfiança. Primeiro, pelo nome, que não diz nada. Segundo pelo elenco um pouco incomum, misturando Michelle Pfeiffer com Ashton Kutcher. Mas com uma introdução e uma teia de personagens interessantes, o longa começa bem, apresentando o personagem Clay (Spencer Hudson), que começa narrando a história e contando do assassinato de seu pai. Enquanto se comunica com sua mãe Linda (Pfeiffer) naquilo que parece um presídio, ele fala de Walter (Kutcher) que teve sua irmã gêmea também assassinada após sofrer violência sexual.

Walter abandonou a carreira de lutador para morar com sua mãe Gloria (Kathy Bates) e leva a vida trabalhando vestido de frango na porta de uma pizzaria. As vidas dessas pessoas se cruzam em uma terapia de grupo destinada a familiares de vítimas de crimes violentos, quando Linda, em depoimento emocionado, conta que o pai de Clay era alcoólatra e colecionador de armar e morreu pelas mãos de um amigo após uma bebedeira.

Quando o roteiro passa rapidamente pelo processo de julgamento dos acusados de ambos os crimes a coisa melhora muito. Parece que estamos diante de uma trama que se mostrará um filme de comportamento com toques de drama de tribunal. Não chega a desenvolver o segundo com tanta qualidade, mas tem seus momentos. O principal objetivo é mostrar a forma com que os familiares das vítimas encaram um julgamento, utilizando talvez para uma vingança pessoal. Além disso, todos passam por um processo de transformação que os tornam mais intolerantes a injustiças.

Walter e Linda se tornam amigos enquanto Clay passa a andar armado. Gloria, em difícil recuperação, fica um pouco sem função no filme. É uma pena, já que Kathy Bates é excelente atriz e poderia acrescentar muito – como o faz na meia hora final na cena em que desiste de vender os discos da filha que morreu. É emocionante a forma com que Bates, com tão pouco tempo na tela, entende a dor da sua personagem.

A reconstrução da família de Linda precisa da ajuda de Walter e ele vira amigo de Clay, ensinando este a lutar e despejar sua raiva no tatame. Kutcher, que na vida real tem um relacionamento com uma mulher mais velha (Demi Moore), entrega uma boa interpretação em um filme independente, com uma produção sem capricho e que depende exclusivamente do roteiro e da construção dos personagens. Pfeiffer não atrapalha, porém não acrescenta muito. O importante é que a narrativa linear e o ritmo regular são pontos chaves e isso se deve muito ao trabalho do diretor, roteirista e produtor David Hollander – em seu primeiro trabalho para o cinema.

Uma estranha cumplicidade (que não chega a ser um romance) entre Walter e Linda vai surgindo quando esta passa a convidar aquele aos casamentos em que organiza. Por Amor tem algo que pode afastar muita gente: ele é melancólico e triste todo o tempo. Eu gosto de filmes assim, desde que bem feitos. Não tem um ar de pretensão em produções do tipo e geralmente nos entregam boas cenas (como os anúncios dos veredictos).

Quando o início do longa faz sentido, Por Amor se torna uma grande história. Uma pena que nos Estados Unidos a produção será lançada nessa terça-feira diretamente em DVD. No Brasil, poucos tiveram a oportunidade de conhecer e se emocionar com o filme. Talvez a maior surpresa do ano pela expectativa antes de vê-lo ser zero. Só não espere uma obra-prima e depois reclame comigo. Nota 7



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quinta-feira, 7 de maio de 2009

Spirit - O Filme



Estreia - 20/3 - Totalmente inspirado nos quadrinhos de Will Eisner, The Spirit é a estreia de Frank Miller como diretor-solo em Hollywood. O estilo parecido com Sin City (baseada na obra do próprio Miller), uma espécie de "noir do século XXI" funcionou muito bem com o longa de Robert Rodriguez, mas aqui não engrena.

O primeiro equívoco é copiar o excesso de narração do protagonista. O mérito que Sin City teve em ser fiel a graphic novel é o que fez The Spirit desandar. O que era pra ser uma linha condutora da trama se transforma em um monólogo existencialista furado de Denny Colt (Gabriel Macht), o justiceiro mascarado. A origem de sua desilusão com Sand (Eva Mendes), que perdeu o pai policial assassinado e se tornou uma ladra de tesouros que odeia a polícia poderia render algo melhor.

Spirit cria uma obsessão por Octopus (Samuel L. Jackson), vilão com planos para alcançar a imortalidade, que conta com a ajuda de Silken Floss (Scarlett Johansson). Com o ritmo lento e narrativa irregular, ao mesmo tempo em que o longa tem cenas que lembram a transposição de Dick Tracy para o cinema tem outras que remetem à clássica série de TV do Batman. Seu ar pretensioso e o desperdício de talento de bons atores lembram Capitão Sky e o Mundo de Amanhã.

Samuel L. Jackson exagera na interpretação e o filme vai se transformando em um inesperado drama que chega a desanimar. O restante do elenco não se compromete e Eva Mendes é a que parece estar mais à vontade. Uma nota negativa é Louis Lombardi com seus diversos personagens, que parecem uns umpas lumpas do capeta e são chatos pra burro. As tramas paralelas são mal desenvolvidas (como a da enfermeira apaixonada por Spirit) e algumas cenas são realmente bizarras.

Quando Octopus surge vestido de nazista as coisas melhoram um pouco, o visual fica mais interessante e os últimos quarenta minutos são mais animadores. Mesmo com uma lenda esquisita sobre Hércules e tudo o mais, é bom saber que Spirit não correspondeu às expectativas e que o público será poupado de continuações dessa vez. Sabe qual foi a outra adaptação de uma revista de Will Eisner? Xena: A Rainha da Selva. Paro por aqui e que venha Sin City 2. Nota 3



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Sex Drive - Rumo ao Sexo



Estreia - 13/3 - Começo dizendo que a versão de Sex Drive que eu assisti foi a menos indicada, inclusive pelos produtores e não foi a que arrecadou quase 20 milhões de dólares nas bilheterias americanas. Em vez de ir ao cinema, como eles queriam, assisti em DVD a chamada edição sem cortes.

De cara os realizadores de Rumo ao Sexo aparecem e, antes do longa ter início, prometem uma "versão terrível, apenas para os fanáticos", indicando que aqueles que não suportam as comédias adolescentes americanas desliguem a televisão. A saída que eles encontraram foi colocar mulheres nuas andando pelas cenas aleatoriamente para que a edição do DVD ficasse, digamos assim, mais caprichada. Além disso, os erros de gravação estão no meio do filme, com risadas e gritos de "corta" no meio das cenas.

O resultado é um longa de duas horas e nove minutos (vinte a mais), cheio de closes bizarros das coisas mais toscas possíveis. Sex Drive conta a história de um garoto nerd que não aguenta mais ser questionado pelo irmão mais velho (que acha que ele é gay) e decide atravessar metade dos Estados Unidos para conhecer uma menina que conheceu pela internet (alguém aí se lembrou de Eurotrip?). O início, com gafes perto dos pais e na escola, além da trilha de rock contemporâneo lembra American Pie e apesar de piadas excessivamente grosseiras não tem como dizer que não há momentos engraçados.

A parte em que a "ação" acontece no shopping nos apresenta uma dupla que tenta ser os novos Jay e Silent Bob, com um humor que faz referência aos filmes de Kevin Smith. Quando o restante da família do protagonista Ian (Josh Zuckerman, de 24 anos e uma carreira de participações na TV) viaja e deixa o carro do irmão na garagem, ele vai com seus amigos Lance (Clark Duke, conhecido das pessoas que assistem à série Greek) e Felicia (sim, uma garota, interpretada por Amanda Crew) rumo ao sexo. No caminho eles passam por problemas com o carro, um homem enfurecido atrás de Lance, uma colônia Amish e um parque de diversões.

Com participações de James Marsden, um hilário Seth Green e a banda Fall Out Boy, Sex Drive não escapa da conclusão óbvia das comédias que fogem do anarquismo e terminam de forma bem convencional. Não é um filme inesquecível, mas passa sem sustos. Os mais novos vão guardar por mais tempo e para os mais velhos é recomendado cuidado com a "violência" de algumas cenas. Nota 5



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terça-feira, 5 de maio de 2009

Dia dos Namorados Macabro (2009)



Estreia - 13/3 - Depois de uma série de assassinatos (22 pessoas mortas a machadadas) numa mina de carvão no Dia dos Namorados o filme se propõe a contar a história de quatro sobreviventes ao ataque exatamente uma década depois, quando o serial killer, aparentemente, está de volta.

Dia dos Namorados Macabro (refilmagem de 1981, que eu ainda não vi) é a primeira produção em 3D (chamada de "verdadeira dimensão") com censura para menores de 17 anos nos Estados Unidos. Se o diretor Patrick Lussier, com larga experiência em longas de terror roteirizando e editando O Olho do Mal, trilogia Pânico, entre outros, entrega no prólogo algo parecido com terror adolescente, os créditos homenageiam os slash movies, com os nomes dividindo espaço com pedaços de corpos num hospital.

O sexo e a violência da primeira metade vai perdendo força e a história quase irritante de tão óbvia, vai perdendo a graça. O elenco com quatro rostos desconhecidos tem como destaque Jaime King, no papel de Sarah, lembrando fisicamente uma Lindsay Lohan dos velhos tempos. Não há sustos (as cenas de "terror" são espaçadas), mas o filme tem seu brilho, com uma situação interessante.

Com bilheteria boa para os padrões atuais, talvez haja uma sequência, tanto que os roteiristas, ao contrário da maioria das tramas do gênero, deixaram alguns desafetos do vilão vivos - evitando assim que a plausível motivação do filme de origem não se perca em violência gratuita. Não precisa me convidar. Nota 4



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Pantera Cor-de-Rosa 2



Estreia - 20/2 - Invertendo a tendência do primeiro filme (leia a comparação da Pantera Cor-de-Rosa de 1963 e de 2006 clicando aqui), o roteiro começa com a construção de um vilão, que recebe o apelido de Tornado. O ladrão, que rouba objetos de valor histórico, motiva alguns países a montar uma equipe de investigadores internacionais para solucionar o caso.

Na França, Dreyfuss (John Cleese substituindo Kevin Kline) convoca o Inspetor Clouseau - ao momento o maior detetive do mundo - para se juntar a espiões caricatamente interpretados por atores do nível de Andy Garcia e Alfred Molina (Jerey Irons e Lily Tomlin também ganham um troco em partipações rápidas). O diretor do primeiro longa, Shawn Levy, preferiu ser produtor executivo do segundo. Interessante perceber que os realizadores dessa continuação tiveram a exata noção do que funcionou bem no primeiro longa.

Por isso que foi fundamental o retorno dos personagens de Jean Reno (no papel de Ponton e aceitou por ser amigo de Steve Martin) e Emily Mortimer (a secretária Nicole). Todavia, ambos são mal aproveitados na história nova. Mortimer, tão engraçada no filme anterior, se aproxima de uma mocinha aqui. Tomlin faz o papel mais engraçado ao lado de Clouseau dessa vez. Além dela, o que dá certo em A Pantera Cor-de-Rosa 2 são as cenas em Roma (no restaurante espanhol e no Vaticano). O humor físico, responsável pelo retorno de Martin ao papel do Inspetor, também é legal, apesar de ser nítida a presença de dublês.

No fim, esse se revela um filme apenas um pouco inferior ao primeiro. Apesar da superstição do roteirista Steve Martin de que longas que terminam numa determinada situação (que não falo para não estragar o final) serem sucessos de bilheteria, o faturamento de A Pantera Cor-de-Rosa 2 não foi dos melhores. Curiosamente o fracasso menos esperado foi na França, terra natal do Inspetor. Talvez seja porque, em algumas cenas, Paris era "dublada" por Boston. Nota 5



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terça-feira, 28 de abril de 2009

Corajoso Ratinho Despereaux



Estreia - 16/1 - Matthew Broderick, Dustin Hoffman, Emma Watson, Kevin Kline, William H. Macy, Frank Langella, Richard Jenkins, Sigourney Weaver, Christopher Lloyd, Robbie Coltrane, Stanley Tucci e Tracey Ullman. Só em três situações você encontra tantos artistas de nome: filmes de guerra, filmes-mosaico e animações. Não preciso dizer que O Corajoso Ratinho Despereaux é mais um desenho animado despejado nos cinemas em 2009 (foram cinco nos primeiros quatro meses apenas no circuito nacional).

A história começa no Dia da Sopa, onde o povo de um reino se reúne a espera da receita do ano do famoso chef do Rei. Na cerimônia, uma ratazana chamada Roscuro (Dustin Hoffman) cai no prato da Rainha, mata a senhora de susto e provoca a ira de seu marido, que proíbe que se faça sopa no reino e se ajude os ratos (?!). Tudo bem, é uma fábula, então nem vou criticar a trama. O resultado é que o reino vira um lugar triste, em que não há mais chuva mas que a luz do Sol também não dá as caras.

Tempos depois o espectador passa a conhecer a terra dos camundongos, que são mais feinhos que o Rémy de Ratatouille mas menos horríveis que as ratazanas do início do filme. Nesse momento surge o heroi do roteiro, o corajoso ratinho Despereaux (Matthew Broderick), baixinho e de orelhas de abano. O protagonista é considerado anormal por seus pares, já que não sente medo de ratoeiras, gatos e facões e não corre diante do perigo.

Quando decide passear pelo castelo e conheçe a princesa que vive trancada na torre, Despereaux é banido da sua comunidade e precisa viver com as ratazanas. Como sempre acontece em filmes infantis, o personagem central é o patinho feio do seu grupo e acaba salvando alguém de alguma coisa terrível.

Mas e o filme? Ele é agradável se se assistir, apesar de muito parado. Os primeiros dois terços do roteiro se mostram quase um drama, guardando para os trinta minutos finais o pouco de comédia e a ação. Isso deve desagradar as crianças (principalmente as que foram ao cinema). O Corajoso Ratinho Despereaux foi indicado a quatro Annies, o Oscar da animação, mas saiu de mãos vazias. Pode ser exagero considerar um longa assim puro desperdício do talento de todos aqueles atores citados no início. Mas, pensando bem, eles quase não se esforçaram para fazerem o filme. Por isso que o melhor é você quase não se esforçar pra assistir o resultado. Nota 4



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sábado, 25 de abril de 2009

Jogo entre Ladrões



Estreia - 13/3 - A primeira vez que o blogueiro escolhe um pôster nacional em vez de um do país de origem do filme poderia não ser um bom sinal. É a prova do descaso que o distribuidor teve com Jogo entre Ladrões (que tem dois títulos em inglês, The Code e Thick as Thieves). É tão claro que as pessoas deixam para ver esse tipo de produção em DVD ou na televisão que não há muito esforço para alavancar longas assim nas bilheterias.

O filme começa com Keith (Morgan Freeman) invadindo uma sauna e atirando num senhor russo. Corta para Gabriel (Antonio Banderas) seguindo dois homens no metrô - e sendo seguido, por Keith. Gabriel saca a sua arma no meio do vagão e procura algo específico para roubar. O objetivo do roteiro está alcançado: mostrar dois ladrões que irão se unir para um golpe que envolve cofres com sistema de segurança modernos, planos mirabolantes e soluções absurdas. Uma hora de clichês e cenas de ação competentes. Banderas lembra até seu personagem em Dupla Explosiva (filme abaixo da crítica que ele estrelou ao lado de Lucy Liu).

Quando Gabriel conheçe Alexandra (Radha Mitchell), filha do ex-parceiro de Keith, você também pode acrescentar mais umas cenas de sexo para descer com a pipoca. Ah, sim, há o policial veterano que segue os passos dos luxuosos bandidos, mas sempre chega um pouco atrasado e tem que conviver com o descrédito dos colegas. Jogo entre Ladrões diverte e é muito provável que você se encontre com ele um dia desses na TV. Porém, quando o segundo terço da história chega ao fim e parece que você só levará para casa a sempre divertida atuação de Freeman (misturando a classe e a ironia típica de seus personagens), as coisas mudam um pouco.

Já posso até contar que Gabriel se apaixona por quem não deveria e, por tê-la envolvido no golpe, acaba vendo a mulher ser sequestrada para pressioná-lo ainda mais. Isso faz parte do grande clichê que é um filme de ação pouco inspirado. Porém, a sensação de que a trama está indo para um caminho menos previsível prende um pouco mais o espectador. O diretor Mimi Leder não entrega as mesmas cenas de Impacto Profundo e O Pacificador, mas Jogo entre Ladrões por fim não se mostra tão dispensável quanto parecia. Nota 4



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Força Policial



Estreia - 27/2 - Força Policial foi "vendido" aqui no Brasil como uma espécie de Tropa de Elite de Hollywood. Mas em comum com a produção nacional existe apenas a discussão acerca da corrupção policial. Pride and Glory (Orgulho e Glória, se traduzissem o título original sem inventar moda) conta a história de Ray, policial designado para investigar o assassinato de quatro colegas. Ele acaba descobrindo o lamaçal de corrupção em que se encontra a Polícia de Nova York. Mesmo com o aviso ao final que tudo não se passa de mera ficção, é difícil não acreditar que a trama foi tirada de experiências reais. Aliás, esse filme era pra ser feito em 2001, estrelado por Mark Whalberg e Hugh Jackman, mas os ataques de 11 de Setembro tornaram inapropriado um longa que denegrisse a imagem da NYPD.
Ray é interpretado por Edward Norton (duas indicações ao Oscar na década passada). Ele é filho de Francis Sr. (John Voight, um Oscar, três indicações e uma filha chamada Angelina Jolie) e irmão de Francis Jr. (Noah Emmerich), todos da corporação. Completando a família de tiras, há ainda o cunhado Jimmy (Colin Farrel, com um Globo de Ouro que caiu em seu colo por Na Mira do Chefe). Pelo elenco cheio de recursos já se pode esperar um viés mais dramático e é justamente isso que diferencia Força Policial de Tropa de Elite e o que desperta interesse logo de cara (alguns breves momentos a là C.S.I. também). Diverte menos e exige mais atenção do espectador.
Apesar de se revelar um policial clássico o roteiro não se concentra apenas na investigação, abrindo espaço para um drama familiar razoável. Enquanto o personagem de Emmerich enfrenta o câncer de sua mulher, Jimmy mostra suas fraquezas ao "enfrentar" a terceira gravidez da esposa. Já Ray, além de conflito ética-corporativismo, busca convencer a ex a retomar o casamento. Com isso a história foge do básico, ampliando sua abordagem.
Claro que há violência (quem tem medo do Capitão Nascimento não vai nem dormir depois de ver um policial quase passando o ferro - literalmente - num bebê) e quando o cerco vai se fechando, Força Policial vira um thriller de qualidade. Quando descobrem que muitos tiras recebiam uma mesada do tráfico, tentam empurrar a culpa para aqueles que já morreram. Porém, o diretor/roteirista Gavin O'Connor (que reescreveu várias passagens durante a filmagem) entrega uma conclusão satisfatória, mas tenho minhas dúvidas se agradará a todos. Nota 7



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terça-feira, 21 de abril de 2009

Sim, Senhor



Estreia - 30/1 - Pra começar é bom que se diga que o responsável pela tradução do título de Sim, Senhor não deu sequer uma olhada no roteiro. Aliás, nem precisava ver mais do que oito minutos do filme, já que é esse o tempo que demora para sabermos que o Yes Man significa o "Homem Sim". O personagem-título se chama Carl e é interpretado por Jim Carrey. Carl é um sujeito anti-social que rejeita qualquer tipo de convite, pedido ou oportunidade que lhe fazem. Um dos motivos talvez seja o fato de que tudo dá errado quando o "Homem Não" decide encontrar seus amigos (pode incluir aí encontro com a ex-mulher).
As coisas mudam quando um conhecido de Carl o convence a ir numa palestra em que a persona de Carrey promete dizem sim para tudo que lhe pedem daqui pra frente. Claro que a forma exagerada como as coisas se desenrolam é típico de um filme de comédia e não cabe discutir se o espectador é da doutrina do "sim" ou do "não" (e todos sabem que o segredo está mesmo no equilíbrio).
Não adianta esconder que Sim, Senhor é mais uma comédia física baseada nas palhaçadas de Carrey. Você já viu esse personagem antes só que com outro nome e outra esquisitice. Se você se encontra no grupo das pessoas que se cansaram desse tipo de filme, é melhor deixar pra lá. Eu acho que ainda é possível contar uma história boa e acredito que o ator tenha acertado mais uma vez. As confusões nas quais ele se metem (aceitar dar carona para um mendigo, beber uma caixa de Red Bull, ir para uma festa temática do Harry Potter, etc.) ainda funcionam perfeitamente. Porém, não é mais novidade para ninguém, ao contrário da banda The Eels, com boa presença na trilha sonora.
Carl lembra um pouco o Phil que Bill Murray fez em Feitiço do Tempo, já que os dois passam por um momentos de despersonalização mas acabam se transformando em pessoas menos ásperas e mais tolerantes. O roteiro feito a seis mãos é baseado num livro autobiográfico de Danny Wallace e é importante lembrar mais uma característica dos filmes de Jim Carrey: como eles melhoram na parte final. As conclusões excelentes e as mensagens positivitas acima de tudo valorizam muito as produções do ator. Já o diretor Peyton Reed consegue seu segundo sucesso na segunda incursão por Hollywood (o primeiro foi Separados pelo Casamento, de 2006). Já Carrey, que optou por 36% da bilheteria em vez de um alto salário, se deu bem com mais um sucesso na carreira. Nota 7



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Noivas em Guerra



Estreia - 6/2 - Liv e Emma são duas amigas que combinam de casar no mês de junho do mesmo ano (no Hotel Plaza) quando eram crianças. Quando elas crescem Liv se transforma em Kate Hudson (nada muito relevante depois de Quase Famosos) e Emma em Anne Hathaway (com a carreira nos eixos e indicada ao Oscar esse ano por O Casamento de Rachel e que acabou se machucando de verdade numa das cenas). Tudo vai indo bem, elas ficam noivas e contratam a organizadora de casamentos mais importante da cidade (em papel muito bem defendido por Candice Bergen, que também narra a história). Só que a incompetência da secretária faz com que as duas fiquem com a mesma data do hotel. Outro casamento em junho? Só daqui a três anos. Está declarada a guerra.
Kate e Anne são duas atrizes já rodadas e carismáticas, perfeitas para esse tipo de papel nesse tipo de filme. Liv é a primeira a tomar um atitude mais hostil e por ser mais bonita e uma advogada bem sucedida poderia ser algo mais perto de uma vilã. Mas o filme não se leva a sério, se preocupa mais com a diversão sem compromisso, apesar de não obter êxito. A história é um fiapo e não é muito bem conduzida. O diretor Gary Winick se limitou a dar espaço para as duas estrelas carregarem Noivas em Guerra nas costas.
O sucesso de bilheteria nos Estados Unidos já era esperado (no Brasil o filme não fez muito barulho), mas o roteiro em si é bobo, primeiro mostrando as briguinhas entre as protagonistas, depois a corrida pra ver quem faz as coisas mais rápidos, até chegar aos boicotes (como pintar o cabelo da outra de azul). Serve para mostrar alguns defeitos que as mulheres tentam esconder (inclusive para seus respectivos noivos) e um ou outro diálogo mais interessante, como a data-limite para a mulher desencalhar. Não espere encontrar alguém que acredite que uma guerra baseada na inveja termine assim tão facilmente. Nota 4



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