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sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

As Horas



Sinopse: Em três períodos diferentes vivem três mulheres ligadas ao livro "Mrs. Dalloway". Em 1923 vive Virginia Woolf (Nicole Kidman), autora do livro, que enfrenta uma crise de depressão e idéias de suicídio. Em 1949 vive Laura Brown (Julianne Moore), uma dona de casa grávida que mora em Los Angeles, planeja uma festa de aniversário para o marido e não consegue parar de ler o livro. Nos dias atuais vive Clarissa Vaughn (Meryl Streep), uma editora de livros que vive em Nova York e dá uma festa para Richard (Ed Harris), escritor que fora seu amante no passado e hoje está com Aids e morrendo. (Fonte: Adoro Cinema)

Motivo para assistir: Como ser original contando uma história conhecida

Estreia – 28/02/2003 – A primeira cena de As Horas (o suicídio de Virginia Woolf) mostra que é possível realizar grandes dramas sem deixar de entregar uma produção caprichada, com cenas grandiosas. O espectador-médio sentirá falta de ter lido Sra. Dalloway, um dos primeiros romance da escritora – que teve As Horas como primeiro título. Mesmo assim, ficará pregado na cadeira aguardando o cruzamento das três histórias. O roteirista David Hare, vencedor pelo Sindicato dos Roteiristas, e indicado ao Oscar duas vezes por dois trabalhos notáveis (As Horas e O Leitor) faz parecer simples o complexo trabalho de intercalar três narrativas em menos de duas horas. As Horas é um romance vencedor do Prêmio Pulitzer em 1999, escritor por Michael Cunningham, que escreveu para o cinema Ao Entardecer, outro longa com Meryl Streep muito elogiado e ainda não visto pelo blog. Já o diretor Stephen Dalry (quatro filmes e três indicações ao Oscar: Billy Elliot, As Horas e O Leitor. Tão Longe e Tão Perto pode lhe render a quarta em 2012) e o experiente editor Peter Boyle (também indicado por esse trabalho) atingem o equilíbrio necessário para que o longa seja fácil de digerir e que nenhum ego das três grandes protagonistas seja ferido.

Porém, o maior destaque talvez seja o uso constante da trilha sonora, que passa longe da mera repetição incidental e é usada como importante elemento de As Horas. Ela também foi lembrada pela Academia, que nomeou a produção a dez prêmios. Além dos já citados, apareceu nas categorias Filme, Atriz e Ator Coadjuvantes (Julianne Morre e Ed Harris) e Figurino, perdendo em quase todas as categorias para Chicago. Sem contar o prêmio de Atriz para Nicole Kidman e seu nariz perfeitamente falso, que levaram também o Bafta, o Globo de Ouro e dividiram o troféu do Festival de Berlin com Moore e Streep. Nariz falso, aliás, que ao ser retocado por computador, desqualificou As Horas a concorrer como melhor maquiagem no Oscar. O esforço de Kidman para o papel, sem dúvida o melhor da carreira, foi recompensando. Apesar de ser laureada como atriz principal, sua participação é a menor. Dura 28 minutos, enquanto a de Moore dura 33 e a de Streep 42. Ela chegou a aprender a escrever com a mãe direita para representar Woolf fiel e naturalmente, assim como Julia Roberts em Erin Brokovich dois anos antes (ela também venceu o Oscar). Optou por não imitar a voz de Woolf, conhecida por ser esquisita, evitando dar um ar cômico à personagem. Gostou tanto de seu nariz que continuava usando fora das filmagens para fugir dos curiosos que a perseguiam (à época ela atravessava o processo de divórcio com Tom Cruise).

Cada um encontrará uma trama que lhe interessa mais do que outra. A vida de Laura Brown, que projeta Sra. Dalloway – o livro que está lendo naquele momento – em sua vizinha, me parece menos marcante que a de Clarissa, que foge de sua realidade de outra maneira, cuidando mais de Richard do que de si mesma. Moore está muito madura em seu papel, inspirado na mãe do autor do livro. Na pós-produção, Cunningham pediu para lhe enviarem alguns trechos de As Horas pois sua mãe, em fase terminal de câncer, queria assistir o máximo que pudesse antes de falecer. Streep, como sempre, entrega uma interpretação muito convincente, no papel de uma senhora frustrada não só com sua vida, mas com a idéia de não ter mais idade para buscar a felicidade. Ela optou por não reler Sra. Dalloway para o filme, pois, assim como sua personagem, já havia lido na época da escola e não tinha entendido muita coisa. Um filme notável, feito para assistir mais de uma vez. Nota 9



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terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Amor à Flor da Pele



Sinopse: Chow (Tony Leung Chiu Wai) e sua mulher acabaram de se mudar. Logo, ele conhece Li-Zhen (Maggie Cheung), uma jovem que também acabou de se mudar com o marido. Ele trabalha para uma companhia japonesa, o que significa que está freqüentemente viajando. Como sua mulher também fica, muitas vezes, longe de casa, Chow passa muito tempo com Li-zhen. Eles se tornam amigos e, um dia, são forçados a encarar os fatos: seus respectivos parceiros estão tendo um caso. (Fonte: Adoro Cinema)

Motivo para assistir: Como Wong Kar Wai marcou definitivamente território no mapa do cinema.

Estreia - 23/02/2001 - O final do século XX despertou a atenção do mundo para o cinema da China. O cinema de Wong Kar-Wai, entretanto, não se assemelha em nada com o de Zhang Yimou, a outra referência por todos utilizada. As histórias exageradas e cheias de fantasias como Heroi, O Clã das Adagas Voadoras e A Maldição da Flor Dourada mudaram um pouco o perfil de Yimou que se destacou no final dos anos 1980 com produções mais intimistas como O Sorgo Vermelho e o espetacular Lanternas Vermelhas. Já Amor à Flor da Pele se aproxima mais do cinema japonês pela simplicidade da trama (apesar do maior uso de movimentos pela câmera) e pelas passagens de tempo utilizadas pelo roteiro, comuns em obras como as de Yosujiro Ozu.

Um encontro constrangedor de um homem e uma mulher, vizinhos de mudança no mesmo dia, é o ponto de partida de um longa que trata de amor e decepção e de como o nascimento de um sentimento depende, sim, de fatores externos e está sujeito às condições de temperatura e pressão. As filmagens tiveram que ser transferidas de Pequim para Macau porque as autoridades chinesas exigiam a leitura do roteiro e Kar Wai nunca usa um script pré-definido. Esse atraso fez com que o corte final ficasse pronto menos de uma semana antes da estreia do longa no Festival de Cannes. O título em inglês, In The Mood of Love é uma referência a uma canção gravada por Brian Ferry.

A bela trilha sonora e a edição ágil revezando cortes bruscos com o uso (moderado) do slow motion intriga o espectador na primeira metade. Porém, Amor à Flor da Pele foi feito para ser apreciado, para documentar e retratar como é normal o desencanto com a rotina de anos de relacionamento e encantar em cenas como a que utiliza apenas as sombras das personagens ou o close de suas mãos. Foi usado muita improvisação, o que fez com que o próprio diretor/roteirista admitisse que o trabalho dos atores fez com que a história saisse do campo da obviedade.

Destacam-se, ainda, uma câmera exploradora bem inserida no cinema oriental e uma presença de fundo de Nat King Cole, uma voz sempre bem-vinda. Na década de 2000, Kar Wai participaria de projetos cercados de expectativas mas nenhum deles conseguiu o mesmo impacto que Amor à Flor da Pele e dos longas anteriores de maior sucesso (Dias Selvagens, Amores Expressos, Cinzas do Passado e Felizes Juntos), todos contando com pelo menos um dos dois atores que lideram o elenco. Vale reparar que a atriz Maggie Cheung está com uma roupa diferente em cada cena, totalizando 46 de acordo com as notas da produção. Tony Leung venceu o prêmio de melhor ator em Cannes e a produção venceu o César de filme estrangeiro. Já em seu país, Amor à Flor da Pele foi superado por O Tigre e o Dragão, de outro mestre - Ang Lee. Nota 8



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quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Across the Universe



Sinopse: Década de 60. Jude (Jim Sturgees) e Lucy (Evan Rachel Wood) estão perdidamente apaixonados. Juntamente com um grupo de amigos e músicos eles se envolvem nos movimentos da contracultura de sua época, tendo como guias o dr. Robert (Bono) e o sr. Kite (Eddie Izzard) (Fonte: Adoro Cinema)

Motivo para assistir: Os Beatles

Estreia – 07/12/2007 – O grande desafio de Across the Universe, indicado ao Globo de Ouro de melhor filme de comédia/musical, é conseguir funcionar como filme a despeito da magia das canções dos Beatles. Ocorre que a produção, orçada em mais de 70 milhões de dólares e que não faturou nem 30, não é inteiramente bem sucedida em tal aspecto. Algumas versões das músicas deixam a desejar e a necessidade de incluir os maiores sucessos da banda geram narrativa um pouco confusa e tramas paralelas que conseguem cansar até um grande fã de filmes musicais.

Por outro lado, as melhores surpresas residem nos momentos em que escolhas menos óbvias são utilizadas em benefício do roteiro. Um exemplo é “I Want You (She’s so Heavy)” com a participação do próprio Tio Sam em analogia à Guerra do Vietnã. Esse expediente já foi utilizado anos antes no roteiro de Moulin Rouge, que busca a melhor canção para determinada cena e não o contrário.

A direção de arte não utiliza o potencial do material que tem em mãos e deixa a desejar. Um exemplo é a passagem estrelada por Bono “I am the Walrus”, uma apresentação psicodélica-lisérgica-fake que não precisava estar ali. Já o figurino indicado ao Oscar não apresenta nada demais. Se Across the Universe suprimisse algumas passagens causaria o impacto que merece quando é brilhante em algumas referências aos Beatles e aos anos 1960, como na sequência final. Nota 6




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quinta-feira, 28 de maio de 2009

Noite no Museu



Estreia - 12/1/2007 - Uma Noite no Museu faz o espectador rir sem dificuldade. O roteiro de Thomas Lennon e Robert Ben Garant (responsáveis pela versão americana de Taxi e criadores de Reno 911! Miami), inspirado no livro de Milan Trenc é de uma diversão só e se encaixa muito bem nos excelentes efeitos visuais.

Larry é um pai ausente que precisa arranjar um emprego para que sua ex-mulher e filho não se mudem para longe dele. Apesar do currículo bom, o protagonista (vivido por Ben Stiller) se perde em entrevistas de empregos por conta de sua alma de empreendedor e assusta os entrevistadores com histórias sobre suas invenções. Mesmo assim ele consegue um trabalho como vigia noturno no Museu de História Natural de Nova York. À noite, por conta de um tesouro de um faraó, as estátuas de cera, fósseis e esculturas ganham vida.

Stiller está muito à vontade em uma rara produção direcionada ao público infantil. Mas o ponto alto de Uma Noite no Museu é a surpresa de seu cast. Dick Van Dyke, Mickey Rooney e Bill Cobbs como um trio dos ex-seguranças do museu e o breve retorno de Robin Williams aos blockbusters como Theodore Roosevelt são algumas delas. Já Steve Coogan e Owen Wilson (que filmaram sua participação separadamente) formam uma simpática dupla de miniaturas (o romano e o cowboy). O segundo não foi creditado porque sua passagem seria bem rápida, mas testes com a audiência mostraram a popularidade do personagem, que teve sua participação aumentada. O engraçado Ricky Gervais que foi mal aproveitado, enquanto Paul Rudd e Kim Raver são rostos conhecidos para os fãs de seriados de televisão, como Friends e de 24 Horas.

Porém, o maior mérito do longa é falar sobre História. É bonito ver Larry gastando seu tempo livre em uma biblioteca para conhecer melhor aquelas pessoas tão importantes no passado. Uma prova disso é que no final de semana seguinte ao da estreia do filme o público do Museu de História Natural de Nova York aumentou em 20%. Custou 110 milhões de dólares e faturou, no mundo todo, 571 milhões, passando Entrando numa Fria Maior Ainda e se tornando, na época, a maior bilheteria da carreira de Ben Stiller (Madagascar 2 faturaria, um ano depois, 594 milhões). Só não arrecadou mais porque muitos donos de cinemas do Reino Unido não exibiram o filme em protesto contra a Fox, que decidiu lançar o longa menos de três meses depois de sua passagem pelo cinema.

A princípio quem dirigiria o longa seria Stephen Sommers (de A Múmia e Van Helsing), o que levaria este aqui para um caminho bem diferente. Mas o diretor Shawn Levy conseguiu um trabalho mais eficiente do que seu longa anterior (A Pantera Cor-de-Rosa) e justamente por tratar do passado de uma forma tão inteligente e divertida, Uma Noite no Museu agrada fácil e a todos. Nota 7


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sexta-feira, 15 de maio de 2009

Criança



Estreia - 14/9/2005 (na Bélgica) - A Criança, vencedor da Palma de Ouro do Festival de Cannes em 2005 (veja a lista completa dos vencedores clicando aqui), conta a história do jovem casal Sonia e Bruno, que aos vinte anos de idade precisam criar o filho que acabou de nascer. O pai vive de pequenos roubos com um grupo de adolescentes igualmente imaturos e inconsequentes. Com exibição no dia 17 de Maio daquele ano na cidade francesa, o longa foi a segunda produção belga a conquistar esse importante trofeu - a primeira foi Rosetta em 1999 também dos irmãos Dardenne, diretores e roteiristas da história. No Brasil o filme foi exibido em 1º de Outubro do mesmo ano no Festival do Rio de Janeiro e em 26 de Maio do ano seguinte em São Paulo. O longa terminou a carreira na tela grande com onze prêmios e doze indicações (entre essas quatro para o César, o Oscar francês).

O filme começa com uma linda mulher gritando o nome Bruno pelas ruas de uma cidade na Bélgica. Estaríamos diante de um novo Trainspotting? A fotografia lembra bastante, mas o peso cultural e o roteiro arrebatador do filme que revelou Ewan McGregor na década de 1990 não estão presentes em A Criança. Esse é o típico filme independente que não agrada a todos. Peço desculpas aos seguidores do "uma câmera na mão e uma ideia na cabeça", mas é preciso saber desenvolver a tal história para fazer um filme fora de série.

A trama se resume a um casal de jovens que nitidamente não tem maturidade para ter um filho. Vivem dos pequenos furtos do "patriarca", numa situação crítica para um país de primeiro mundo. Toda pessoa nessa faixa de idade é um pouco inconsequente, por isso é difícil não pensar em como agiríamos se tivéssemos naquela mesma situação. A beleza de Déborah François (à época das filmagens com 17 anos), atriz que interpreta Sonia, hipnotiza nos primeiros momentos, mas o filme perde muito quando se concentra apenas nas confusões em que se mete Bruno, o pai da criança do título. Aliás, é difícil dizer qual dos três personagens é a tal criança, já que ambos se comportam como uma. Ao contrário do casal de protagonistas o bebê foi interpretado por vinte e uma crianças diferentes.

O grande problema dessa produção é seu ritmo "devagar, quase parando". Em nenhum momento o roteiro decola, o que irrita um pouco, tornando quase um desafio acompanhá-lo até o final. Talvez o costume que Hollywood nos impõem faça filmes como A Criança se tornarem quase intragáveis - até pela ausência de trilha sonora por completo. É um filme de arte, que provoca discussões, mas consegue ser menos dinâmico que o habitual dos próprios filmes de arte - até ao tratar da venda da criança.

Em algumas partes muita gente se limita a "aturar" o filme, mais por respeito a uma produção tão premiada, já que quase não desperta interesse. A exceção fica por conta de alguns momentos no final, com uma perseguição de moto até muito movimentada para o que o filme oferece. Na conclusão, o único personagem que deixou de ser criança foi a bela Sonia, motivada pelo amor de seu filho. Só que a hora e meia demorou tanto que muitos espectadores irão se perguntar: "e daí?". Nota 4



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quinta-feira, 30 de abril de 2009

Recontando - A Pantera Cor-de-Rosa

Steve Martin, o rei das refilmagens! O ator que foi bem sucedido recontando O Pai da Noiva, quis homenagear um de seus ídolos, o comediante Peter Sellers, estrelando uma nova versão para o clássico da comédia A Pantera Cor-de-Rosa. O longa original, que deu início a uma série de oito produções (seis com Sellers) é de 1963. Já o remake é de 2006 e teve uma continuação lançada aqui no Brasil no início do ano. Sobre essa eu falo amanhã (já a série clássica eu comento em outra oportunidade). Três meses depois o Recontando está de volta.

Pantera Cor-de-Rosa (1963)


Estreia - 24/2/1964 - A menina dos olhos de Blake Edwards sempre foi A Pantera Cor-de-Rosa. O diretor e roteirista apostou muitas fichas para que essa produção fosse um sucesso e até bem perto do fim da carreira insistiu com a trama da pedra preciosa que, devido a uma falha, possuía por dentro um desenho que lembrava uma pantera. Seu último filme nos cinemas seria O Filho da Pantera Cor-de-Rosa em 1993 (hoje ele tem 86 anos e recebeu apenas um Oscar honorário em 2004 - contando uma indicação em 1983 pelo roteiro de Victor ou Victória).

O longa que deu origem a tudo isso começa de maneira bem objetiva, apenas citando a existência da pedra. Logo com um minuto e meio a abertura mais do que clássica com o desenho animado da pantera e do Inspetor Clouseau, na trilha histórica de Henry Mancini, indicada ao Oscar e ao Grammy. Depois disso, conhecemos o Inspetor de carne e osso, correndo atrás do assaltante de nome Fantasma. Peter Sellers dá o indicativo de que o filme utilizaria o recurso de comédia pastelão sempre que possível (a cena do globo que não para de girar e derruba Clouseau é a prova disso).

Como o roteiro não perde tempo são necessários apenas alguns momentos para descobrirmos que a esposa do Inspetor, Simone (Capucine - mas o papel foi oferecido a Ava Gardner e Janet Leigh) é a verdadeira assaltante de joias, atuando ao lado do amante Charles Lytton (David Niven). Esse surge numa estação de esqui bolando uma forma de conhecer a Princesa (Claudia Cardinale, que não falava inglês e teve que ser dublada) que tem a propriedade da Pantera Cor-de-rosa. Quem aparece para atrapalhar é George (Robert Wagner), sobrinho de Charles.

Com o rosto sempre sério, como se não estivesse numa comédia, o papel de Sellers lembra muito as interpretações de Buster Keaton, um dos maiores comediantes de todos os tempos. Apesar de algumas cenas em que se apresenta situações bem engraçadas (sempre se passando no quarto do hotel onde está hospedado o casal Clouseau), não acho que o filme empolgue tanto assim.

Os momentos mais inspirados começam na cena da festa à fantasia em diante, apresentando uma trama que não se enrola no excesso de personagens. O roteiro foi indicado ao prêmio do Sindiato de Roteiristas de Hollywood na categoria comédia. Clouseau, apesar de figura central da trama, aparece pouco na primeira metade.

Assistindo A Pantera Cor-de-Rosa anos depois e sabendo tudo que vai acontecer percebe-se que Peter Sellers foi mal aproveitado nessa primeira história, servindo apenas para que seu personagem mude o foco da busca pela Fantasma para a recuperação da joia. David Niven é claramente o protagonista e mesmo assim foi Sellers que recebeu indicações ao BAFTA e ao Globo de Ouro. Devido aos minutos finais bem divertidos, o longa consegue a simpatia do espectador. Edwards acharia o ritmo ideal para a série na continuação, chamada Um Tiro no Escuro (lançada apenas três meses depois desse). Resta a esse aqui a importância histórica e poucas risadas. Nota 6




Pantera Cor-de-Rosa (2006)


Estreia - 17/2/2006 - Apesar da indicação para o Framboesa de Ouro de pior sequência de 2006 ("perdendo" para O Pequenino), comparando apenas o filme original de 1963 com esse, não acho que A Pantera Cor-de-Rosa de Steve Martin, na época com 60 anos (em papel que quase foi de Kevin Spacey, Robin Williams e Mike Myers) deva qualquer coisa para a de Peter Sellers.

O início documental, centrado no personagem de Kevin Kline (Dreyfus), era a indicação de que pouca coisa seria copiada. Uma delas seria a manutenção do desenho clássico (em vez do CGI) na abertura. Shawn Levy (Recém-Casados, Doze é Demais e Uma Noite no Museu) se mostrou o diretor ideal, apesar de ser substituído pelo holandês Harald Zwart na continuação.

O Clouseau de Martin é mais exagerado e se leva menos a sério (em muitas cenas é nítido que o ator está realmente se divertindo) e nessa nova história ele não está preso à esposa nem a um hotel no meio do nada. Tudo começa quando o técnico da seleção de futebol da França (participação especial de Jason Statham), dono do anel com a joia que dá nome ao filme, é assassinado no meio do campo de futebol. Sua namorada, Xania (Beyoncé Knowles), é apontada como uma das suspeitas.

Dreyfuss precisa indicar um agente para investigar o caso e Clouseau é promovido a Inspetor por sua brilhante incompetência. A ideia do chefe era queimar o filme do responsável pelo caso para que ele fique com os créditos da provável solução. Dois personagens novos são importantes para a dinâmica do filme. O assistente de Clouseau, Ponton (Jean Reno, mas quase foi de Jackie Chan) e a secretária Nicole (Emily Mortimer). Steve Martin, responsável por parte do roteiro, acertou em cheio ao se inspirar nos outros longas da série e colocar o máximo de comédia possível na história. Seu Clouseau é excessivamente paranoico, sendo o típico idiota que sem querer dá certo.

Há uma homenagem a cena do globo girando (citado no comentário acima) e uma participação de Clive Owen como o agente 006, tirando um sarro da história muito comentada anos atrás de que ele seria o novo James Bond. Esse papel seria de Pierce Brosnan, que não aceitou. É outra homenagem a Sellers, que fez uma paródia de Bond em Cassino Royale, de 1967. Quase que uma terceira participação especial acontece, mas o jogador David Beckham não aceitou participar.

Para quem acha que não existem grandes cenas de comédia no remake de A Pantera Cor-de-Rosa fique atento naquela em que o Inspetor é, ao mesmo tempo, o "bon cop" e o "bad cop", além de outra, em que ele quer perder o sotaque francês para investigar Xania em Nova York.

Tudo bem que a conclusão está mais para Corra que a Polícia Vem Aí, mas nada que comprometa. Nos créditos você ainda pode ouvir Check on It, hit de Beyoncé utilizado para promover o filme. Imagino que Blake Edwards tenha ficado satisfeito com a homenagem de Seteve Martin a Peter Sellers numa produção que ganha pontos justamente por não ser pretensiosa. Nota 6




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quinta-feira, 16 de abril de 2009

Encontros e Desencontros



Estreia - 23/1/2004 - Bill Murray vive Bob, um ator decadente que chega a Tóquio para gravar um comercial. Ao se hospedar num hotel de luxo conhece Charlotte (Scarlet Johansson), esposa de um fotógrafo que viajou para o Japão a trabalho. O desconhecimento da língua, a falta do que fazer e um sentimento de solidão aproxima o cinquentão e a jovem. Parte dessa história é autobiográfica (de acordo com a diretora Sofia Coppola) e dizem que o papel de Kelly - a atriz loirinha que dá mole pro fotógrafo e é interpretada por Anna Faris - foi inspirada em Cameron Diaz.
O início de Encontros e Desencontros, filme independente filmado em apenas 27 dias que custou 4 milhões de dólares e rendeu 6,5 milhões, é um pouco esquisito, lento e contemplativo e exige um pouco de paciência. O humor do roteiro (vencedor do Oscar em 2003) é estranho, mas funciona, como na cena em que o diretor japonês orienta o ator americano. Murray já esteve melhor mas entendo o elogio da crítica à sua atuação, já que adoram quando um comediante faz um papel um pouco mais sério. Aliás, o papel foi escrito especialmente para ele e Sofia disse que se Bill não aceitasse o longa não seria produzido. Ele inclusive teve liberdade para improvisar várias falas. Já Johansson, que na época foi uma grata revelação, está mais jovem, natural e até mais bonita (se é que isso é possível) do que nos filmes que faria depois, ainda sem a pressão de ser o símbolo sexual do momento.
Eu tenho uma dificuldade de gostar de filmes nos quais os personagens não me convencem. Bob e Charlotte são pessoas casadas, saudáveis e têm uma vida normal, mas gostam de carregar um sentimento de solidão que não me convence. Não consigo comprar o fato da garota, motivada por um ciúme um pouco ridículo, procurar a confiança de um homem que ela nem olharia se estivesse num dia normal. Até a rejeição que eles parecem assumir me soa falso.
Soma-se a isso o fato de Sofia Coppola ser uma diretora/roteirista superestimada. Virgens Suicidas não era um longa excelente como vendem e Encontros e Desencontros é só um pouco melhor. É um filme correto, digamos assim. Mesmo assim ela venceu o Oscar pelo roteiro, foi indicada pela direção e filme (além dessas, Bill Murray também foi, perdendo para Sean Penn por Sobre Meninos e Lobos). Todas as associações de críticos, festivais por onde o filme passou (inclusive o de São Paulo) e prêmios internacionais comungaram dessa festa toda em cima do filme (venceu BAFTA, César, Independent Spirit, Veneza) totalizando 71 prêmios e 59 indicações (entre essas até o MTV Movie Awards).
Há cenas interessantes e o filme leva a boas discussões, como a que levantei no outro parágrafo sobre a opção ou não do sentimento dos personagens. Digamos que Coppola, a filha, possui boa técnica, retira grandes interpretações mas precisa de histórias um pouco (eu disse só um pouco) melhores pra ganhar minha simpatia. O interessante é que a produção dela que eu mais gostei foi Maria Antonieta, execrada pela crítica (que talvez tenha se vingado da exagerada festa de antes).
Porém, Encontros e Desencontros tem seu brilho, principalmente no final aberto. Foi dado um bom material para que o espectador tire suas próprias conclusões e isso é muito válido. Nota 7


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