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sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Alô, Dolly!



Sinopse: Dolly Levi é uma viúva casamenteira que acaba se apaixonando por um de seus clientes, Horace Vandergelder. Já este quer se casar com uma chapeleira. Então ela arma um plano que faz com que a chapeleira se apaixone por Cornelius Hackl, um empregado do Sr. Vandergelder. (Fonte: Cine Players)

Motivo para assistir: Walter Matthau cantando e dançando

Estreia – 16/12/1969 (nos EUA) – Por melhor que seja Alô, Dolly! é compreensível que na década que o seguiu (1970) os filmes musicais tenham perdido boa parte de seu público – foi apenas a 15ª maior bilheteria daquele ano. O longa lançado em 1969 não traz nenhuma inovação, sequer números de dança inesquecíveis, gastando muito dinheiro para um retorno que começava a ser duvidoso. Mesmo assim venceu os Oscars de Direção de Arte, Trilha Sonora e Som e conseguiu outras quatro nomeações, incluindo melhor filme. Perdeu para Perdidos na Noite, o maior exemplar da Hollywood moderna, que reconstruiu o cinema de entretenimento. A direção de Gene Kelly não significa cenas grandiosas e impecáveis – exceto "Put on Your Sunday Clothes", talvez a única que tenha sobrevivido no tempo. A aposta da Fox se deu pelo sucesso de A Noviça Rebelde em 1965. Grande parte do dinheiro investido em Alô, Dolly!, O Fabuloso Doutor Dolittle e A Estrela foi por água abaixo. Todos agradaram os críticos mas não o público.

Barbra Streisand e seu estilo de falar cantando contrasta com um Walter Matthau que, se não possui talento para musicais, supre sua deficiência com suas inúmeras qualidades como comediante e um desejo de se divertir sem se preocupar com eventuais críticas. Ele e Streisand brigaram ao longo de toda a produção, porque ele achava que ela não possuía talento. É justamente as cenas de comédia que mais funcionam em Alô, Dolly!, intercalado com seus números à moda antiga repleta de informação e com cenários e figurinos de um capricho que Hollywood jamais ousou repetir. A cena de abertura, por exemplo, demorou um mês para ser filmada.

Quanto à história da mulher que tem orgulho de conseguir casamento para todo mundo menos para ela, as comédias românticas clichês de hoje fizeram o favor de copiar com roupagem moderna e sem a parte musical. Na maior referência, a protagonista é Katherine Heigl e seu talento não se compara com o de Barbra. Não precisamos rever Vestida para Casar para entender porque uma produção aparentemente ultrapassada com Alô, Dolly! ainda merece ser vista. Nota 6



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quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Help!





Sinopse: Uma aventura surreal, filmado em Londres, Bahamas e Alpes Suiços. No filme os Beatles são perseguidos por membros de um culto indiano que querem o anel que Ringo está usando.Inicialmente seria intitulado, Eight Arms to hold you. O filme custou o dobro do preço do anterior/ Hardy Days Night , por ser filmado em cores e por ter feito em algumas locações exóticas. Porem , na Inglaterra nem todas as músicas do LP, forma apresentadas na produção.Durante os depoimentos feito no documentário Anhtology, Ringo disse que muitas cenas do filme, os Beatles gravaram sob efeito de maconha. CANÇÕES DO FILME: You're Going To Lose That Gir,You've Got To Hide Your Love Away; Ticket To Ride; The Night Before;I Need You; Another Girl; Help!. (Fonte: Blockbuster)

Motivo para assistir: Os Beatles – verdadeiros

Estreia – 29/07/1965 (nos EUA) – Segundo filme utilizado para divulgar o sucesso do quarteto de Liverpool, Help! revelou-se o melhor dos três já vistos pelo blog (quem sabe um dia os outros dois ganham comentários publicados). Os Reis do Iê-Iê-Iê é de uma inocência irritante, servindo para o registro da Beatlemania em seu estado bruto. Yellow Submarine possui grandes momentos, mas tem ritmo irregular. Já em Help!, os realizadores tiveram a preocupação em criar uma trama, por mais pueril que seja.

A corrida pelo anel no dedo de Ringo é permeada por sete canções tocadas na íntegra, sem nenhuma ligação com o filme (igual a um videoclipe). No início é interessante ver como os Beatles brincam com a fama de excêntricos e tencionam serem vistos como pessoas normais. No final, a preocupação com a lógica dá espaço à diversão. O diretor Richard Lester (o mesmo de Os Reis do Iê-Iê-Iê) está mais inspirado que no longa anterior. Ele teria algum sucesso em uma refilmagem de Os Três Mosqueteiros e nas continuações de Superman.

Seguiram o exemplo dos ingleses, Michael Jackson e Roberto Carlos, sendo que Moonwalker e Em Ritmo de Aventura (as produções de maior sucesso de cada um, respectivamente) parecem primos de Help!, dada a semelhança na (falta de) relação entre a narrativa e os números musicais, praticamente anexados à história. Porém, da "trilogia Beatles", Help! ainda é aquele que mais se aproxima de cinema. Nota 6




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terça-feira, 5 de maio de 2009

Amor, Sublime Amor



Estreia - 25/12/1961 - Até hoje o musical mais premiado da Academia, com dez prêmios em onze indicações (só perdeu na categoria de roteiro adaptado, vencendo em filme, diretor, ator coadjuvante, atriz coadjuvante, direção de arte, fotografia, figurino, edição, trilha sonora e som) pode não ser o melhor musical de todos os tempos (pelo menos na minha opinião), mas é um clássico indiscutível. Essa adaptação da maior história de amor já contada, a obra-prima de Shakspeare, Romeu e Julieta foi o primeiro musical que saiu da Broadway para Hollywood e foi o primeiro filme co-dirigido a vencer na categoria melhor diretor do Oscar - feito igualado 46 anos depois pelos irmãos Coen em Onde os Fracos Não Têm Vez. Isso aconteceu porque Jerome Robbins foi demitido no meio das filmagens, com orçamento estourado e datas atrasadas, tendo completado 60% do trabalho.

Inicialmente contava a história do amor proibido de um garoto católico e uma garota judia, com o nome de East Side Story. Porém, devido à imigração porto-riquenha nos Estados Unidos na década de 1940, a trama sofreu uma adaptação e conta a história de uma gangue de ilegais daquele país e outra de poloneses. Suas canções se transformaram em sucessos absolutos e suas cenas de dança foram recebidas com muito entusiasmo pelo público tão acostumado a Fred Astaire e Gene Kelly. Volta e meia nos deparamos com regravações das principais músicas, principalmente a "trinca de ouro", apresentada em sequência no ápice de Amor, Sublime Amor: Maria, America e Tonight. A AFI colocou o longa na lista dos 100 melhores de todos os tempos duas vezes (veja a lista de 1997 clicando aqui e a de 2008 clicando aqui), o considerou o 3º maior romance do cinema americano (veja essa lista clicando aqui), e Somewhere (20º), America (35º) e Tonight (59º) três das cem maiores músicas do cinema americano (veja essa lista clicando aqui). Numa lista informal eu considerei esse o 13º melhor filme do século XX (veja minha lista clicando aqui).

Mas não podemos esquecer de Gee, Officer Krupke, a cena mais divertida e inteligente do longa; I Feel Pretty e, principalmente, Somewhere, que é amor em estado bruto. As duas primeiras formavam o epílogo da peça, mas o diretor Robert Wise optou por colocá-las no meio do filme, deixando a conclusão trágica ganhar contornos mais densos. Porém, o filme já conquista até os mais desconfiados na abertura, com aquele resumo instrumental de todas as canções que estão por vir, todas com acordes facilmente reconhecíveis. Além disso, a viagem da Nova York rica para a Nova York pobre, seguido pela mistura de balé e luta onde somos apresentados aos Jets e aos Sharks fazem o filme começar com um ritmo frenético, que só vai cair um pouquinho lá para o fim.

As coreografias são perfeitamente realizadas e se encaixam bem ao ambiente, mesmo nas cenas mais sombrias. Mas Amor, Sublime Amor não deixa de ser uma homenagem ao povo latino, que procura em Nova York uma vida melhor. Digo isso porque o preconceito parte de todos os moradores da cidade, inclusive o Oficial Krupke, responsável por manter a ordem em West Side. Curiosamente, outro grande romance, realizado quase quarenta anos depois, superou esse longa de 1961 ao ganhar onze Oscars e empatar com Ben-Hur como o maior vencedor de todos os tempos. E coincidentemente a dupla de protagonistas foi ignorada nos dois casos. Em Amor, Sublime Amor, Richard Beymer nos traz uma interpretação bem insossa, além de ter sido dublado nas cenas musicais - era Elvis Presley o mais cotado para o papel. Quem assistiu ao tele-filme Elvis sabe que os empresários do Rei do Rock preferiam que ele fizesse aqueles musicais inocentes, que estouravam na bilheteria e vendia muitos discos, do que colocar a marca de Elvis em mais um capítulo da história da cultura americana. Beymer, com 23 anos à época, nunca atingiu sucesso no cinema e até hoje faz ponta na televisão.

Já Natalie Wood (filha de imigrantes russos na vida real e que também foi dublada) tinha a mesma idade mas já era bem mais experiente, pois trabalhava desde criança e tinha sido indicada ao Oscar seis anos antes, por sua atuação ao lado de James Dean em Juventude Transviada. Audrey Hepburn não pode aceitar o papel porque estava grávida à época. O melhor do filme realmente está nas mãos dos coadjuvantes e Wood foi lembrada pela Academia no mesmo ano pelo filme Clamor do Sexo, com Warren Beatty. Quem venceu foi Sophia Loren, provavelmente um prêmio tardio, por sua atuação em Duas Mulheres. Wood ainda seria indicada mais uma vez, mas nunca venceria.

Voltando à produção de Amor, Sublime Amor, hoje fica bem claro que a grande maioria das cenas ocorre num palco com um cenário atrás, provavelmente pelas limitações técnicas da época. Mas por se tratar de uma excelente história e tão bem contada, isso nem é levado em conta, mesmo assistindo ao filme algumas vezes. O cantor que dublou Beymer no papel de Tony tem uma voz muito parecida com a de Johnny Mathis, talvez por isso esse artista volta e meia utilize o repertório do musical. Isso fica muito perceptível em Somethin's Come, outra bela música esquecida no meio de clássicos.

Para quem adora uma cena romântica, o primeiro encontro de Tony e Maria, após uma bela cena de tango, é linda e dá início justamente ao ponto alto do longa. Ao final de Tonight dá vontade de levantar e aplaudir o espetáculo que acabamos de presenciar. A conclusão trágica começa a se desenhar no meio do filme e se mostra inevitável quando Maria, ao mostrar a mania comum a todas as mulheres, complica tudo e pede que Tony acabe com a rixa marcada para aquela noite, um dia depois deles terem se conhecido. Nessa hora, outra cena que quase ia esquecendo de comentar surge: o falso casamento e as brincadeiras com os manequins da loja onde a moça trabalha, seguida da bela canção One Hand, One Heart.

A morte dos líderes dos Jets e dos Sharks contribui para que Amor, Sublime Amor seja disparado o musical mais sombrio da história do cinema. Mas tem um lado ruim, pois a partir desse ponto o ritmo cai um pouco. Além disso, o número de Cool, já com as gangues sem os carismáticos Bernardo (vencedor do Oscar) e Riff não é no mesmo nível do restante do filme, apesar de abrir alas para um final grandioso. Rita Moreno, outra vencedora, trabalha muito bem mas também é dublada em A Boy Like That. Quando Tony pensa que Maria está morta o brilho e a música some e a tragédia tem fim ao som de um Somewhere à capela.

Nas notas de produção descobre-se que os atores das duas gangues permaneciam divididos durante todo o tempo, para que a tensão entre eles fosse mantida. As filmagens demoraram seis meses e a pós-produção sete. Valeu a pena, já que Amor, Sublime Amor foi a segunda maior bilheteria de 1961 (perdendo para a versão animada de 101 Dálmatas, da Disney). Na França, o filme ficou em cartaz 249 semanas, ou seja, quase cinco anos. Por fim, algumas letras e falas do filme foram modificadas, retirando palavrões e expressões chulas para que a censura liberasse a história de Tony e Maria para o cinema. Falando em Maria, quatro anos depois Julie Andrews viveria outra inesquecível Maria, que também levaria o Oscar de melhor filme e tiraria a Fox do buraco. Mas essa é outra história... Nota 10.


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quinta-feira, 30 de abril de 2009

Recontando - A Pantera Cor-de-Rosa

Steve Martin, o rei das refilmagens! O ator que foi bem sucedido recontando O Pai da Noiva, quis homenagear um de seus ídolos, o comediante Peter Sellers, estrelando uma nova versão para o clássico da comédia A Pantera Cor-de-Rosa. O longa original, que deu início a uma série de oito produções (seis com Sellers) é de 1963. Já o remake é de 2006 e teve uma continuação lançada aqui no Brasil no início do ano. Sobre essa eu falo amanhã (já a série clássica eu comento em outra oportunidade). Três meses depois o Recontando está de volta.

Pantera Cor-de-Rosa (1963)


Estreia - 24/2/1964 - A menina dos olhos de Blake Edwards sempre foi A Pantera Cor-de-Rosa. O diretor e roteirista apostou muitas fichas para que essa produção fosse um sucesso e até bem perto do fim da carreira insistiu com a trama da pedra preciosa que, devido a uma falha, possuía por dentro um desenho que lembrava uma pantera. Seu último filme nos cinemas seria O Filho da Pantera Cor-de-Rosa em 1993 (hoje ele tem 86 anos e recebeu apenas um Oscar honorário em 2004 - contando uma indicação em 1983 pelo roteiro de Victor ou Victória).

O longa que deu origem a tudo isso começa de maneira bem objetiva, apenas citando a existência da pedra. Logo com um minuto e meio a abertura mais do que clássica com o desenho animado da pantera e do Inspetor Clouseau, na trilha histórica de Henry Mancini, indicada ao Oscar e ao Grammy. Depois disso, conhecemos o Inspetor de carne e osso, correndo atrás do assaltante de nome Fantasma. Peter Sellers dá o indicativo de que o filme utilizaria o recurso de comédia pastelão sempre que possível (a cena do globo que não para de girar e derruba Clouseau é a prova disso).

Como o roteiro não perde tempo são necessários apenas alguns momentos para descobrirmos que a esposa do Inspetor, Simone (Capucine - mas o papel foi oferecido a Ava Gardner e Janet Leigh) é a verdadeira assaltante de joias, atuando ao lado do amante Charles Lytton (David Niven). Esse surge numa estação de esqui bolando uma forma de conhecer a Princesa (Claudia Cardinale, que não falava inglês e teve que ser dublada) que tem a propriedade da Pantera Cor-de-rosa. Quem aparece para atrapalhar é George (Robert Wagner), sobrinho de Charles.

Com o rosto sempre sério, como se não estivesse numa comédia, o papel de Sellers lembra muito as interpretações de Buster Keaton, um dos maiores comediantes de todos os tempos. Apesar de algumas cenas em que se apresenta situações bem engraçadas (sempre se passando no quarto do hotel onde está hospedado o casal Clouseau), não acho que o filme empolgue tanto assim.

Os momentos mais inspirados começam na cena da festa à fantasia em diante, apresentando uma trama que não se enrola no excesso de personagens. O roteiro foi indicado ao prêmio do Sindiato de Roteiristas de Hollywood na categoria comédia. Clouseau, apesar de figura central da trama, aparece pouco na primeira metade.

Assistindo A Pantera Cor-de-Rosa anos depois e sabendo tudo que vai acontecer percebe-se que Peter Sellers foi mal aproveitado nessa primeira história, servindo apenas para que seu personagem mude o foco da busca pela Fantasma para a recuperação da joia. David Niven é claramente o protagonista e mesmo assim foi Sellers que recebeu indicações ao BAFTA e ao Globo de Ouro. Devido aos minutos finais bem divertidos, o longa consegue a simpatia do espectador. Edwards acharia o ritmo ideal para a série na continuação, chamada Um Tiro no Escuro (lançada apenas três meses depois desse). Resta a esse aqui a importância histórica e poucas risadas. Nota 6




Pantera Cor-de-Rosa (2006)


Estreia - 17/2/2006 - Apesar da indicação para o Framboesa de Ouro de pior sequência de 2006 ("perdendo" para O Pequenino), comparando apenas o filme original de 1963 com esse, não acho que A Pantera Cor-de-Rosa de Steve Martin, na época com 60 anos (em papel que quase foi de Kevin Spacey, Robin Williams e Mike Myers) deva qualquer coisa para a de Peter Sellers.

O início documental, centrado no personagem de Kevin Kline (Dreyfus), era a indicação de que pouca coisa seria copiada. Uma delas seria a manutenção do desenho clássico (em vez do CGI) na abertura. Shawn Levy (Recém-Casados, Doze é Demais e Uma Noite no Museu) se mostrou o diretor ideal, apesar de ser substituído pelo holandês Harald Zwart na continuação.

O Clouseau de Martin é mais exagerado e se leva menos a sério (em muitas cenas é nítido que o ator está realmente se divertindo) e nessa nova história ele não está preso à esposa nem a um hotel no meio do nada. Tudo começa quando o técnico da seleção de futebol da França (participação especial de Jason Statham), dono do anel com a joia que dá nome ao filme, é assassinado no meio do campo de futebol. Sua namorada, Xania (Beyoncé Knowles), é apontada como uma das suspeitas.

Dreyfuss precisa indicar um agente para investigar o caso e Clouseau é promovido a Inspetor por sua brilhante incompetência. A ideia do chefe era queimar o filme do responsável pelo caso para que ele fique com os créditos da provável solução. Dois personagens novos são importantes para a dinâmica do filme. O assistente de Clouseau, Ponton (Jean Reno, mas quase foi de Jackie Chan) e a secretária Nicole (Emily Mortimer). Steve Martin, responsável por parte do roteiro, acertou em cheio ao se inspirar nos outros longas da série e colocar o máximo de comédia possível na história. Seu Clouseau é excessivamente paranoico, sendo o típico idiota que sem querer dá certo.

Há uma homenagem a cena do globo girando (citado no comentário acima) e uma participação de Clive Owen como o agente 006, tirando um sarro da história muito comentada anos atrás de que ele seria o novo James Bond. Esse papel seria de Pierce Brosnan, que não aceitou. É outra homenagem a Sellers, que fez uma paródia de Bond em Cassino Royale, de 1967. Quase que uma terceira participação especial acontece, mas o jogador David Beckham não aceitou participar.

Para quem acha que não existem grandes cenas de comédia no remake de A Pantera Cor-de-Rosa fique atento naquela em que o Inspetor é, ao mesmo tempo, o "bon cop" e o "bad cop", além de outra, em que ele quer perder o sotaque francês para investigar Xania em Nova York.

Tudo bem que a conclusão está mais para Corra que a Polícia Vem Aí, mas nada que comprometa. Nos créditos você ainda pode ouvir Check on It, hit de Beyoncé utilizado para promover o filme. Imagino que Blake Edwards tenha ficado satisfeito com a homenagem de Seteve Martin a Peter Sellers numa produção que ganha pontos justamente por não ser pretensiosa. Nota 6




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terça-feira, 28 de abril de 2009

Aventuras de Tom Jones


Estreia - 6/10/1963 (nos EUA) - Confesso que esperava um filme mais satírico e irônico e fiquei um pouco decepcionado com As Aventuras de Tom Jones. Isso porque o currículo dessa produção de 1963 é de dar inveja. Começando com Oscar, ele tem quatro - filme, diretor, roteiro e trilha sonora, com outras seis indicações - ator, direção de arte, ator coadjuvante e três para atriz coadjuvante (sendo o único da História com esse feito - e ainda conseguiu perder). Globo de Ouro foram dois: filme de comédia ou musical e ator revelação, com mais quatro indicações. Três prêmios BAFTA: filme, filme inglês e roteiro, com duas indicações para ator e uma para atriz. Isso sem contar com um Grammy e outras dezenas de prêmios.

Curiosamente o filme só foi lançado no Brasil 27 anos depois de sua exibição nos cinemas americanos e europeus. Como notas da produção é interessante lembrar que era apenas o terceiro filme de Albert Finney, que além de sua atuação em Tom Jones receberia mais quatro indicações ao Oscar (a última em 2001 por Erin Bronkovich). Ele não achou seu papel sério o suficiente e exigiu créditos como produtor para poder fazê-lo. Despois trocou esse crédito por uma participação nos lucros. Também temos a estréia de Lynn Redgrave, na época promisora atriz que seria indicada duas vezes pela Academia. O destaque negativo é o fato do ator Hugh Griffith ter passado quase todo o tempo das filmagens bêbado. E o fato curioso é que a cena mais engraçada do filme, o "banquete sexy" consumiu três horas de filmagens e muito improviso.

Com toda essa ficha era de se esperar um filme melhor, apesar dele não ser um fiasco. O início mudo, contando o nascimento de Tom Jones já não é muito engraçado. O garoto foi criado por um aristocrata e nunca soube quem era sua mãe. A trilha da Orquestra Sinfônica de Londres é boa e o diretor Tony Richardson fez um ótmo trabalho. A diferença do roteiro, aclamado pela crítica, é que o narrador interage com o espectador, como alguns personagens algumas vezes fazendo o mesmo. Isso faz com que uma história clássica seja contada de uma maneira não-convencional, formato copiado por Hollywood nas décadas seguintes. Uma edição fora dos padrões também se destaca, mas há aquela maneira européia de se contar uma história, num ritmo bem lento. Isso faz com que o filme seja meio esquisito, algumas cenas excessivamente demoradas, como aquela em que várias pessoas saem a caça de um veado.

Há técnicas de filmagens que hoje são bem comuns, mas eram a modernidade em pessoa na década de 1960, como o congelamento de tela e a imagem em câmera rápida ou lenta. Quando conseguem expulsar o mulherengo Tom Jones da corte e o filme chega na metade, ele melhora bastante, fica menos enjoado e se torna mais leve, com brigas, confusões, reviravoltas. Finalmente estamos diante de uma comédia. A história, como um todo, é interessante e a forma como Tom Jones descobre suas origens e tem que lutar por um amor entre classes diferentes é ótima. Mas a narrativa é muito arrastada e por vezes penso que estou só esperando chegarmos aos vinte minutos finais. Quando eles chegam não decepcionam, com direito a duelo de espadas e uma condenação à forca.

Nesse ponto a mensagem do roteiro é que cultivar inimigos ao longo da vida é um risco e quando há uma oportunidade de te derrubar, todos fazem uma forcinha. A reviravolta final, com a verdade sobra a mãe do personagem-título e os esforços para salvar Tom da forca combinam muito bem com a ótima canção tirada da cartola nos últimos momentos.

Em 1963 a Academia, tradicionalmente, ignorou o trabalho de Stanley Kubrick, que lançou Dr. Fantástico naquele ano. O maior diretor de todos os tempos faria melhor do que As Aventuras de Tom Jones em Barry Lyndon, apesar do clima mais carregado. Outro que viu esse filme apenas bom se consagrar na noite do Oscar foi Hitchcock, que dirigiu à época o clássico Os Pássaros. O sempre lembrado Billy Wilder apostaria todas as fichas em Irma La Douce, com os mesmos protagonistas do premiado Se Meu Apartamento Falasse. Já Cleópatra, apesar do fracasso de bilheteria, coseguiria uma indicação, mas a Academia parecia disposta a enviar a estatueta de melhor filme para o outro lado do Atlântico. Nota 7


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quarta-feira, 15 de abril de 2009

Shalako



Estreia - 6/11/1968 (nos EUA) - Vamos esquecer um pouco o filme por enquanto. Vamos aproveitar a oportunidade do encontro de Brigitte Bardot e Sean Connery para ver como esses dois atores têm semelhanças entre si. A primeira: quando eles aceitaram fazer Shalako, eram duas pessoas bem sucedidas em suas carreiras de ator e já passavam dos 30 (ela 34 e ele 38). Bardot e Connery são dois europeus populares que nunca tiveram muito reconhecimento da crítica. O escoçês, depois de algumas indicações a outros prêmios, recebeu um "Oscar-consolação" de melhor ator coadjuvante, em 1987 por Os Intocáveis. Já a francesa, em toda sua carreira, só recebeu uma indicação ao BAFTA.
Quer mais uma semelhança? Ambos, já beirando os oitenta anos, dão suas carreiras por encerradas. Ele parou em 2003, depois do fracasso de A Liga Extraordinária, tendo feito 51 filmes depois de Shalako. Ela, talvez tentando preservar sua imagem de bela mulher, parou trinta anos antes, com 39 anos, fazendo apenas sete filmes depois de Shalako, onde ela já está um pouco acabadinha. E mais uma coisa que une Bardot a Connery. Em 1968, ano do lançamento do filme, o ator era o primeiro ex-007 da praça, dando o ciclo por encerrado um ano antes, quando saiu Só se Vive Duas Vezes. Ele ainda aceitaria o caminhão de dinheiro que lhe ofereceram em 1971 para Os Diamantes São Eternos, mas o mundo não foi poupado da performance de George Lazenby em A Serviço Secreto de Sua Majestade. E adivinha quem seria a bond girl desse filme, lançado em 1969? Brigitte Bardot. E por que ela não aceitou? Porque estava filmando Shalako e sua demora atrasaria o cronograma do filme do agente secreto.
Admito que essa história é infinitamente mais interessante que Shalako, que começa com cinco minutos de crédito e uma música bem clichê do Velho Oeste. O filme narra a passagem de aristocratas europeus pelo fim de mundo no Novo México, achando que iriam "caçar" alguma coisa. Só que os apaches acharam mais interessante caçar os turistas e Shalako, ex-membro do Exército norte-americano, intervém ajudando os europeus, em especial uma Condessa loira com carregado sotaque francês.
O filme é daquele jeito tradicional, quase sempre com as câmeras paradas, e uma das maiores diversões é ver Sean Connery se esforçando para manter seu falso jeito norte-americano de falar. A prepotência dos europeus, que na verdade eram um bando de falidos, gera muita confusão, mas nada muito interessante. O mocinho rude, porém justo, é uma cópia mal feita de todos os personagens de John Wayne e é muito melhor assistir a um filme do Duke. Além disso, o "nosso herói" na primeira metade do longa está bem preguiçoso, parecendo mais disposto a ajudar os índios a comer viva a Brigitte.
Quando o guia da caçada passa a perna nos "civilizados" é que Shalako toma as rédeas de tudo. Com pouco mais de uma hora de filme ele ganha de presente a eterna Bardot se jogando pra cima dele, como deve ser em todos os filmes da musa. Quando a saída de tudo aquilo passa por uma escalada na montanha o longa começa a se arrastar e só melhora quando eles terminam de subir e a trilha sonora faz uma graça. Na sequêcia há um pouco de emoção, mas o filme já tinha caído na mesmice e era tarde demais para virar o jogo. A saída do roteiro, inspirado num romance de Loius L'Amour, é uma esquecível luta de lanças (?) entre o chefe dos apaches e o ex-007. Ainda bem que as primeiras linhas do meu texto fizeram a pesquisa valer a pena. Algo para se apagar da fimografia de Connery, Bardot e do diretor Edward Dmytryk. Nota 3




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Filmes lançados em 2009: 21
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