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sexta-feira, 29 de maio de 2009

Morte Convida para Dançar



Estreia - 11/4/2008 (nos EUA) - Os filmes de terror adolescente, que ganharam força na década de 1990, habitam as salas de cinema dos Estados Unidos constantemente. Ano passado, na época da entressafra da cerimônia do Oscar e das grandes estreias de verão a falta de opção fez A Morte Convida para Dançar arrecadar mais de 40 milhões de dólares.

O público fiel de jovens que não têm idade para ver filmes com excesso de violência nas telas não gosta de botar a cabeça para funcionar, por isso que Prom Night no original (que significa Baile de Formatura - que traduçãozinha, hein...) tem um roteiro de uma obviedade "emocionante". Com elenco liderado por Brittany Snow (22 anos interpretando uma colegial), o filme conta a história de uma jovem chamada Donna, vítima de um professor tarado que criou uma obsessão pela menina e acabou assassinando toda a família dela.

Três anos depois, morando com os tios do outro lado do país, Donna é uma adolescente normal, a exceção de alguns pesadelos e da necessidade de tomar remédios para ansiedade. Com um namorado e um grupo de amigos, ela vive naquelas escolas de contos de fadas, em que todos os alunos têm carro, dinheiro, são felizes, vão para a formatura de limusine e nenhuma espinha cresce no nariz. O roteirista J.S. Cardone deve ser mais um adulto que vivia à margem dessa vida e utiliza o poder da caneta para sacudir a vidinha desses jovens perfeitos.

O que você acha que vai acontecer? O professor (interpretado por Johnathon Schaech e indicado a melhor vilão no MTV Movie Awards de 2009 - veja os indicados clicando aqui) vai fugir da cadeia, ir atrás da menina e começar a matar quase todo o elenco? Será que não vai ter um detetive que chega sempre um pouco atrasado nos lugares? E a ordem das mortes? Será que quanto menos conhecido o ator, mais rápido ele vai morrer? Qual o nome desse filme mesmo? Pois é, o dessa semana é A Morte Convida para Dançar (no verão passado, ou no Halloween, ou numa sexta-feira 13).

Claro que o filme diverte, dá uns sustos e é até bem dirigido por Nelson McCormick, que depois de quinze anos de experiência na TV estreia nas telonas. Mas A Morte Convida para Dançar é um desafio à inteligência do espectador, porque não é possível que o elevador nunca chega, as vítimas sempre tropeçam e a jovem traumatizada pelo ataque de um assassino fique sempre sozinha nos lugares. O pior mesmo é uma amiga, que no meio de um baile de formatura em um hotel lotado, corre para as escadas e para o porão.

Eu sei que se não fosse por isso não haveria mais filme de terror. Mas a previsibilidade do longa faz com que, daqui a alguns meses, a maioria das pessoas se lembre mais dos olhos azuis de Brittany Murphy e dos absurdos do roteiro do que do nome do filme. Ah, eu não vou esquecer dos créditos finais acompanhados de um clipezinho de cenas anteriores, bem ao estilo tosco de alguns seriados dos anos 1980. Nota 4



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terça-feira, 26 de maio de 2009

Nick e Norah - Uma Noite de Amor e Música



Estreia - 3/10/2008 (nos EUA - no Brasil o filme foi lançado no mercado de DVD no dia 7/4/2009) - Com Nick e Norah – Uma Noite de Amor e Música temos mais um caso de um excelente filme que passa desapercebido pelo cinema. Um romance adolescente filmado de forma independente que custou nove milhões de dólares, arrecadou onze no final de semana de estreia e terminou sua passagem pelas telonas nos Estados Unidos com trinta milhões – e que bom que deu lucro.

No melhor estilo Apenas uma Vez, o longa dirigido pelo quase-estrante Peter Sollett é baseado no romance de Rachel Cohn e David Levithan, adaptado por Lorene Scafaria. Uma turma nova que, tendo sorte de principiante ou não, entrega uma produção inteligente e sensível, sem ser chata. Pelo contrário, Nick e Norah têm totais condições de agradar o público alvo, os jovens, sem deixar de divertir e emocionar quem já passou da idade dos personagens.

Por ser um filme de curta duração (menos de uma hora a meia) pode-se ter a impressão de que a trama é pouco explorada, mas isso não acontece. Nick (Michael Cera) é um jovem que não se conforma com o fim de seu namoro com Tris (Aléxis Dziena). Por isso ele continua telefonando para a menina e gravando músicas em cds, sempre à procura da reconciliação. Típico caso da garota popular que usa o nerd não se sabe o porquê.

Norah (Kat Dennings) é uma amiga endinheirada de Tris, que cata no lixo os discos mixados por Nick – alimentando o desejo de, quem sabe, um dia encontrar o garoto. A dupla de protagonista vive em mundos completamente opostos. Para se ter uma idéia, enquanto Nick é o jovem depressivo que toca em uma banda alternativa (sem baterista e sendo os outros integrantes todos gays) tendo Boys Don’t Cry como toque de seu celular, Norah é uma moça que não perde um segundo das madrugadas de sábado dormindo e conhece os seguranças de todas as boates de Nova York.

Quando a banda indie mais comentada de Nova Jersey anuncia um show surpresa numa noite, as vidas dos dois se cruzam. Nick e sua banda tocam no bar que Norah e sua amiga Caroline (Ari Graynor) estão dando início à noite. Quando a segunda fica completamente bêbada (um hábito que parece ser comum), os amigos de Nick prometem levar a menina para casa para que ele e Norah passem a noite juntos – na tentativa de fazer o garoto superar Tris.

Um bonito romance, cercado de muita música, com uma narrativa que lembra Superbad – É Hoje!, divertindo tanto quanto Uma Noite de Aventuras e outros longas que rapidamente se tornam inesquecíveis. Michael Cera está se especializando no mesmo papel do nerd com cara de bobo (dessa vez com a participação de seu carro amarelo que todos confundem com um táxi) e Kat Dennings é uma agradável surpresa no papel da adolescente insegura, que não consegue ser e fazer o que as amigas são e fazem (sem contar o próprio trauma de um relacionamento com Tal, menino interesseiro interpretado por Jay Baruchel).

A trilha sonora indie é ótima, a química entre os atores – desde a primeira cena – é perfeita e, além de tudo, você ainda encontra diversas cenas engraçadas. Aliás, a mudança do roteiro (que substitui o início já no bar onde Nick e Norah se encontram por um prólogo divertido e importante) torna Uma Noite de Amor e Música irretocável. É a prova de que filmes adolescentes podem valer mais do que o preço do ingresso. Nota 8


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segunda-feira, 18 de maio de 2009

Mãe para o meu Bebê



Estreia - 25/4/2008 (nos EUA) - Muita gente tem dito que Uma Mãe para o meu Bebê supera as expectativas. Calma, isso não quer dizer que essa comédia, lançada em DVD no Brasil cinco meses depois da estreia nos cinemas americanos, é excepcional ou fantástica. Leia a história do filme e veja quais são suas expectativas. Tina Fey é Kate, mulher de negócios bem sucedida que optou pela carreira, abdicando da formação de uma família. Quando completa 37 anos de idade e sem conseguir engrenar um relacionamento, ela decide ter um filho, sonho que andava esquecido.

A trama comum e esse pôster mal feito aí de cima desanimam muita gente a ir ao cinema ou a alugar o DVD de Uma Mãe para o Bebê. Mas não podemos esquecer que Tina Fey é um raro exemplo de comediante mulher que consegue escrever e atuar de uma maneira muito engraçada, com um humor sutil que, por não ser apelativo, agrada muita gente - ela está por trás de 30 Rock e da produção adolescente Meninas Malvadas.

Além disso, Fey não se importa em ser escada de outros atores em seus filmes (como fazia em Saturday Night Live). Nesse aqui ela está mais perto do estrelato, até porque compete com a fraca Amy Poehler, que surgiu no mesmo programa de TV. No filme ela é Angie, barriga de aluguel de Kate, que se utiliza desse meio depois de não conseguir engravidar por inseminação artificial nem adotar uma criança. Engraçado que no longa Tina faz uma mulher de 37 anos que utiliza o corpo de uma mulher mais nova para poder ser mãe. Mas na vida real Tina Fey tem 39 anos (aliás, HOJE - dia 18 de Maio - ela completa 39 anos) e Amy Poehler completa 38 em Setembro. E é nítido que as duas têm praticamente a mesma idade. Parece que Tina estava devendo um filme para o currículo de Amy...

Temos participações especiais de Steve Martin (sempre engraçado), uma sumida Maura Tierney, Sigourney Weaver (que também está muito bem e é pouco aproveitada) e Greg Kinnear, numa tentativa de par romântico da história. Ele faz Rob, um advogado que monta uma casa de sucos e preside uma associação de moradores que tenta atrapalhar um dos empreendimentos da firma na qual Kate é vice-presidente. Mas não passa muito disso.

Quando Angie briga com seu marido e vai morar com Kate o roteiro fica bem clichê. Quantos filmes sobre "duas pessoas com personalidades totalmente opostas que passam a conviver juntas e terminam mudando suas maneiras de encararem a vida e, por fim, parece que se completam" você já viu na vida? Angie é a pior grávida possível, que passa o dia fumando e comendo besteira e não pretende parar de pintar o cabelo enquanto Kate é a mulher pragmática, organizada e que parece não se desplugar um segundo. Porém, é nesse momento que a trama escrita por Michael McCullers (trilogia Austin Powers) cresce e melhor muito.

Ele também estreia na direção e é uma pena que não saiba por um fim a história, que cai um pouco no final e tem uma conclusão corrida demais, no melhor estilo "chegou o Natal, seus problemas acabaram", que fez até a notar cair um pouco. Feito para o público dos Estados Unidos, Uma Mãe para o Bebê alcançou seus objetivos: bilheteria de 60 milhões de dólares e indicações a alguns prêmios de público na terra do Tio Sam e prateleira da locadora no restante do planeta. Nota 5



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quinta-feira, 14 de maio de 2009

High School Musical 3: Ano da Formatura



Estreia - 24/10/2008 - High School Musical, objeto de repulsa de muita gente, tem sua importância na história da televisão. Até hoje é o filme de maior audiência da história da TV a cabo americana (quem conseguiu esse recorde foi o segundo longa da série) e, ao contrário de todas as produções da História, é a única franquia que saiu da tela pequena para a grande, com o filme que completa a trilogia chegando aos cinemas em 2008. Sua bilheteria de estreia de 42 milhões de dólares superou Mamma Mia! como a melhor abertura de um longa musical. No somatório geral, entretanto, a história baseada nas canções do Abba fechou acima de 601 milhões - se tornando o musical que mais faturou em todos os tempos. High School Musical 3 fez "míseros" 250 milhões - Grease, lançado décadas atrás se mantém agora como segundo filme do gênero com maior faturamento - foram quase 380 milhões de dólares.

Isso prova que HSM é um fenômeno americano. Porém, como tudo que envolve cinema é acompanhado de perto por mim, sempre assisti sem problema ou preconceito aos filmes. Há coisas que não gosto em HSM. A maior delas é Vanessa Hudgens. A sósia da Mônica Carvalho (inclusive na qualidade de interpretação) parece sempre deslocada, apesar de cantar bem. Já Zac Efron, perseguido pelos adultos, é um bom ator. Tudo bem que a histeria adolescente faz muita gente torcer o nariz para ele, mas o garoto é bom.

O terceiro filme em si não traz muita coisa de novo. Troy Bolton e seu dilema basquete-música, Gabrielle e sua cara de peixe-morto, Sharpay (uma garota muito mais interessante) que é incompetente até para ser vilã e o irmão dela que não diz que é gay para não assustar as crianças. Pois é, isso é outra coisa que chateia um pouco nos filmes. A maneira infantil do longa de origem atraiu um público fiel que não pode ser afastado. Isso fez com que as continuações fossem tão bobas quanto a primeira produção, uma pena. As comparações com Grease sempre aconteceram, mas HSM sempre perde por ser infantil demais.

Quanto à música, isso é o que mais tem no capítulo final da saga dos estudantes bobinhos. São doze números musicais. Abrindo os trabalhos tem o jogo final de basquete (me desculpe não citar as músicas nominalmente, mas se você não é uma criança chata isso não faz muita diferente, High School Musical 3 é bom mas não é um clássico). A primeira canção dos ensaios do show do último ano começa de forma animadora, misturando a era de ouro dos musicais com referências à Broadway (inclusive a Chicago, uma transposição bem sucedida para o cinema).

Porém, algumas músicas são muito parecidas com números dos dois primeiros longas, o que demonstra falta de inspiração dos autores. Com cenários maiores, os personagens estão mais exagerados (as atuações fogem um pouco do controle dos atores, mas é normal já que todos são novos) - só que musicalmente poderia ser mais bem explorado. A cena do telhado entre Efron e Hudgens é o já tradicional single da cantora para tocar no rádio. Já as músicas da oficina e a segunda do ensaio da peça (que começa com Ryan e Kelsi e atinge todo o elenco) se destacam, utilizando um ambiente só que se transforma em vários cenários, saindo da linguagem televisiva que, infelizmente, dita o tom de grande parte do roteiro.

Tem também aquela música de corno de Gabrielle e outro do Troy, como sempre. A grande cena final lembra um pouco as produções dos anos 50 de Hollywood, principalmente as sequências que Gene Kelly gostava de inserir em seus filmes no ato final, com longos minutos de dança. Eu disse lembra um pouco porque a sequência é editada várias vezes para diálogos de bastidores inúteis. A conclusão, que parecia ser correta, ganha um toque hollywoodiano também e High School Musical 3 termina muito bem (a última meia hora melhorou muito minha avaliação final).

Novas caras e novos nomes surgiram com a segunda trilogia mais rentável da história da Disney (atrás apenas de Piratas do Caribe): Ashley Tisdale, Zac Efron, Corbin Bleu, Vanessa Hudgens, Lucas Grabeel. Todos eles terão carreira longa pela frente. A espera maior está por conta dos novos projetos do roteirista Peter Barsocchini e do diretor Kenny Ortega. O segundo aposta na refilmagem de Footlose. O primeiro já escreve High School Musical 4. Porém, como a letra da primeira canção do filme retrata muito bem, essa foi a última chance do filme deixar sua marca e mostrar seu valor - e o final realmente é muito bonito. Já a última, como se os próprios atores tivesse escrito a música divagando sobre o próprio destino, afirma que todos devem celebrar de onde vieram e não há motivos para esquecer a high school deles. As crianças histéricas lembrarão disso para sempre. Nota 7



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Com esse comentário, completo os candidatos a melhor filme do MTV Movie Awards, prêmio que será entregue no próximo dia 31. Dos 29 filmes indicados em todas as categorias, ainda faltam oito para comentar nos próximos dias. Clique aqui e veja a lista completa dos concorrentes com meus comentários à época (antes da festa eu atualizo minhas apostas também).

Segurando as Pontas



Estreia - 6/8/2008 (nos EUA - no Brasil o filme foi lançado no mercado de DVD no dia 18/2/2009) - Segurando as Pontas (uma excelente tradução do título Pineapple Express) é um filme de maconheiros. Provavelmente escrito, dirigido, produzido e estrelado por eles. Antes da abertura uma cena em preto e branco, em meio a Segunda Guerra Mundial mostra o Exército Americano testando os efeitos da erva em um soldado. Claro que é um desastre e a droga passa a ser considerada ilegal no país.

Seth Rogen então surge no papel de Dale Denton, que trabalha na função de "oficial de justiça particular" (na tradução literal seria um servidor do processo, função inexistente na Justiça Brasileira), que namora uma colegial de 18 anos e passa o dia entregando papel e fumando um baseado atrás do outro. James Franco é Saul, um pequeno vendedor da erva, que se esconde em algum buraco da cidade. Ele foi indicado ao Globo de Ouro como melhor ator de comédia ou musical, perdendo para Colin Farrell em Na Mira do Chefe. Quando Rogen escreveu Segurando as Pontas a ideia era ele interpretar Saul, porém Franco ficou mais engraçado nesse papel.

Quando Dale precisa fazer uma entrega na casa do traficante Ted Jones (Gary Cole) ele presencia o assassinato de um asiático pelas mãos do próprio Ted e de uma policial vivida por Rosie Perez. Na fuga, Dale bate em dois carros e deixa cair seu baseado. Dentro dele uma erva muito particular, a Pineapple Express (que dá nome ao filme no original). Ele e Saul então só tem uma coisa a fazer: fugir dos traficantes. O longa se tornou o primeiro sobre maconha a faturar mais de 100 milhões de dólares nas bilheterias mundiais.

Não tem muita graça ver pessoas se drogando, por isso que os primeiros minutos de Segurando as Pontas são horríveis. Ate o assassinato o filme é enjoado, as piadas não funcionam e a pretensão de ter uma história subversiva vai por água abaixo. Dito isso, a parte mais óbvia, dos imensos desencontros que acabam dando certo, é a que dá mais certo. Os personagens quase não são explorados (Danny McBride no papel de Red e a linda Amber Heard como a namorada Angie são os maiores exemplos) e muita coisa no filme é tosca e sem noção - para usar os termos dos realizadores dessa produção.

A paranoia de Dale e as trapalhadas de Saul acabam divertindo porque Rogen e Franco são dois atores muito carismáticos e naturalmente engraçados. O primeiro assina o roteiro ao lado de Evan Goldberg e Judd Apatow. Por ser a mesma turma de Superbad - É Hoje! o resultado chega a ser decepcionante na parte cômica. Todavia, mesmo sendo uma comédia fraca, Segurando as Pontas tem cenas de ação incríveis. Tirando o jantar com a família da namorada de Dale, os melhores momentos do longa são perseguições e cenas de luta (a maior delas foi indicada ao prêmio nessa categoria no MTV Movie Awards).

A versão em DVD (que eu assisti) tem quase dez minutos a mais, o que não ajuda em nada, já que todos os excessos cortados na edição para o cinema voltam nessa "edição especial". Mas a meia hora final é legal. Acredito que o efeito da erva tenha passado e o trio de Superbad tenha voltado a raciocinar. Méritos também para o diretor David Gordon Green, que começou sua carreira em 1997 aos 22 anos mas só agora (novo ainda, com 34) lidera um filme relevante e o faz muito bem. Nota 5


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quarta-feira, 13 de maio de 2009

Crepúsculo



Estreia - 18/12/2008 - Como profundo admirador dos livros de Harry Potter, já senti na pele o que os fãs de Crepúsculo sentiram no final do ano passado, com grande parte da crítica detonando o filme inspirado no livro de Stephenie Meyer. Como já fui vidraça e no momento sou pedra, prometi a mim mesmo que pegaria leve com o longa que demorei seis meses para assistir (e só o fiz por conta do favoritismo para as principais categorias do MTV Movie Awards do final desse mês).

O prólogo vem logo com uma conversa sobre morrer no lugar de alguém que ama, com narração em off da protagonista Isabella Swan (Kristen Stewart - de Quarto do Pânico, Zathura e uma marcante presença em Na Natureza Selvagem) depois de uma cena de caça a um veado. Bella se muda para uma pequena cidade onde o Sol mal dá as caras para morar com o pai, policial local. Chegando na escola conhece, entre outros adolescentes americanos com pinta de adulto, Edward Cullen (Robert Pattinson, o Cedrico Diggory de Harry Potter e o Cálice de Fogo).

Edward parece sentir uma repulsa a Bella na aula de biologia e a garota fica intrigada com o fato. Depois de passar alguns dias sumido, o garoto salva a vida da menina parando um carro em alta velocidade com as mãos. O que estraga Crepúsculo? A interpretação terrível do casal de protagonistas, principalmente Stewart (indicada por Emile Hirsch), que não demonstra capacidade (ainda) de liderar o elenco de um filme pretensioso com esse. Henry Cavil (Tristão e Isolda, Stardust - O Mistério da Estrela e o seriado The Tudors) era a primeira escolha da autora para o papel de Edward, mas estava muito velho para o papel. Já Bella seria Emily Browning (Desventuras em Série).

Ela começa bem, fazendo a menina que passa pela mudança de cidade e de escola (um clichê dos filmes, mas algo realmente difícil para um adolescente), levando tudo com um senso de humor muito interessante. Porém, depois que conhece Edward, ela fico meio abobalhada, tratando tudo com uma naturalidade irritante - com a desculpa de que "sofre em silêncio". Na segunda aula de biologia começa a verdadeira intenção da autora ao escrever Crepúsculo: tratar do sexo na adolescência. A tensão (ou seria tesão) entre os dois precisa ser mostrada a todo instante. Porém, como os atores têm poucos recursos, o resultado é desastroso. É como se os filhos de Keanu Reeves fizessem Malhação. Tensão sexual para os dois é sinônimo de falar como se estivesse sem ar e morder os lábios o tempo todo (eu sei, é patético).

Bella acredita em tudo o que falam para ela (algo que deve ser comum para essa geração-internet) e depois de alguns minutos no Google descobre que Edward é um vampiro, já que tem sentidos aguçados, superforça e lê pensamentos. Edward, por outro lado, admite que é um adolescente imortal e que sente um magnetismo grande entre os dois. Inclusive, não consegue saber o que Bella está pensando. Na verdade ele quer comer (e beber) a menina - não necessariamente nessa mesma ordem.

Não estou tratando Crepúsculo com ironia, a história é até legal. Mas as caras e bocas de Kristin Stewart e Robert Pattinson não convencem. Talvez Nikki Reed, que faz o papel de Rosalie fosse uma escolha melhor (ela que surgiu muito bem no filme Aos Treze), ou alguém até mais experiente. Outra crítica é a falta de cuidado com a adaptação do roteiro, feita por Melissa Rosenberg. Essa transposição às pressas, para ir na onda da popularidade do livro, fez com que alguns diálogos inteiros fossem inseridos no filme. Quando Bella conta a Edward como descobriu que ele era vampiro, ela diz que o garoto "está sempre falando de vidas passadas", sendo que em nenhuma cena anterior ele fala dessa forma.

A direção de Catherine Hardwicke (também de Aos Treze) é normal, já que a história é naturalmente sombria. Porém, o filme tem partes muito arrastadas, carregadas no drama. Os adolescentes só adotaram Crepúsculo porque é adaptação de um livro que eles gostam, já que o longa é até meio brega em certos momentos. A ingenuidade e o sentimento de auto-suficiência de Bella são pouco explorados, assim como a trilha sonora (quem conseguiu juntar Muse, Linkin' Park e Paramore e só coloca os dois últimos apenas nos créditos é louco).

Quando a menina é atacada entra em cena Cam Gigandet no papel do vampiro James, que com apenas duas cenas foi elevado ao status de "revelação do ano". O índio Jacob (Taylor Lautner) é um dos ganchos para o segundo capítulo (Lua Nova), que já será lançado mundialmente dia 20 de Novembro desse ano. Uma curiosidade é que Crepúsculo teve o maior faturamento no final de semana de estreia da história entre filmes dirigidos por uma mulher (70.6 milhões de dólares). Não aguardo ansiosamente rever Kirstin Stewart e Robert Pattinson, só espero uma continuação um pouco melhor. Nota 5



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segunda-feira, 11 de maio de 2009

Casa das Coelhinhas


Estreia - 10/10/2008 - O diário de Shelley é aberto e a moça começa a contar sobre sua infância em um orfanato. De lá direto para a Mansão Playboy, A Casa das Coelhinhas não esconde seu objetivo em momento algum. O filme é uma espécie de "Sessão da Tarde para adultos", que só adolescentes sequelados assistem, na expectativa de ver um pedaço de peito da "musa" Anna Faris, a rainha dos besterois da atualidade, uma espécie de Molly Ringwald com menos classe.

O sonho de Shelley é ser playmate e ter seu pôster nu nas páginas centrais na revista de Hugh Heffner (que faz uma participação com as coelhinhas oficiais). Porém, no aniversário de 27 anos a menina é preterida por uma moça mais nova (afinal de contas, no "mundo Playboy" ela tem 59 anos de idade). Sonho destruído e expulsa de casa, Shelly procura abrigo em uma moradia estudantil, na Irmandade Zeta, que está praticamente falida. Esse argumento fajuto é obra da própria Anna Faris.

A irmandade precisa atrair garotos com festas de arromba para que outras garotas se interessem em fazer parte da casa. Um erro do roteiro é concentrar toda a graça em apenas um personagem, utilizando o estereótipo da loira burra - a série Greek faz melhor no mesmo ambiente. Além de apelativo, o filme é muito bobo. O elenco de apoio tem Emma Stone (que já apareceu em Superbad! - É hoje e se sai melhor), Kat Dennings (bem apagada) e Katherine McPhee (ex-American Idol no papel de uma estudante grávida).

A personagem de Faris ensina "essa galerinha que irá aprontar muita confusão" a se tornar garotas populares. Por popular você entenda uma piranha. Ela faz o grupo de jovens bizarras passar de nerds ignoradas a Barbies ocas (talvez por isso que, ironicamente, a trilha conte com músicas de Avril Lavigne e Rihanna, exemplo de artistas que fizeram um caminho parecido). Pérolas do tipo "homens não gostam de mulheres inteligentes" e festas para acabar com a virgindade da amiga atravessam a tela a todo tempo.

Quando Shelley se apaixona de verdade ela percebe que um pouco de cultura não faz mal a ninguém. Nessa hora ela começa a estudar e vira uma pessoa chata, igualzinho ao filme. Talvez a ideia fosse produzir (e Adam Sandler o produz) um "Mudança de Hábito às avessas", mas A Casa das Coelhinhas é pouco inteligente, quase nada engraçado e fútil. Como disse no post dos vinte piores filmes de 2008, foi sorte (minha e do filme) eu não ter tido tempo de assisti-lo no ano do seu lançamento. A dupla de roteiristas de 10 Coisas que Eu Odeio em Você, Legalmente Loira e Ela é o Cara já preparam mais dois roteiros. Espero que A Casa das Coelihnhas tenha sido uma exceção a regra de boas comédias das duas. Nota 2



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Agente 86



Estreia - 20/6/2008 - Agente 86 (criação de Mel Brooks), apesar da bilheteria considerada boa, sofreu com a forte concorrência do verão americano de 2008. A semelhança física com Don Adams, que protagonizava a série original de TV, junto com a popularidade alta tornou Steve Carell em uma escolha óbvia para o personagem-título. Já para o papel de agente 99 foram consideradas as atrizes Jennifer Love Hewitt (que não daria certo) e Rachel McAdams (que ficaria muito bem), até chegar a Anne Hathaway. Ela está linda e a química com Carell funciona bem.

O filme começa com a promoção de Maxwell Smart da retaguarda para agente da C.O.N.T.R.O.L. Quando o projeto do longa teve início dez anos antes dele chegar aos cinemas, tudo indicava que Jim Carrey seria a estrela. Porém, o atraso no projeto acabou tendo seu lado bom. Steve Carell tem o "timing" perfeito e utiliza menos caretas que Carrey (que precisaria se controlar aqui). Aliás, aquele mexeu um pouco no roteiro mas não foi creditado como tal e fez um excelente trabalho.

Quase todas as piadas funcionam bem. Das mais simples, como o "campo de silêncio" até as mais elaboradas, que exigiram muito do casal de atores na parte física (e eles correspondem muito bem às expectativas). Agente 86 pode ser considerada uma das melhores comédias do ano, com momentos de ação que lembram o clássico Máquina Mortífera. O diretor Peter Segal fecha a década com 100% de aproveitamento. Foram cinco filmes dirigidos e cinco sucessos (as comédias O Professor Aloprado 2, Tratamento de Choque, Como se Fosse a Primeira Vez, Golpe Baixo e Agente 86) e se deu muito bem em seu primeiro longa como produtor.

Há participações de Dwayne Johnson, Bill Muray, James Caan, Terence Stamp e Alan Arkin. O primeiro está engraçado, mais até que a dupla Bruce e Lloyd (Masi Oka de Heroes e Nate Torrence), responsáveis pelas invencionices da C.O.N.T.R.O.L. (eles estrelaram uma produção que foi direto para o mercado de DVD). Os roteiristas Tom J. Astle e Matt Ember passam com folga em sua estreia em Hollywood, muito por ter preservado ao máximo o clima do seriado de origem. O filme termina com um sentimento de missão cumprida e a forte impressão de que continuações serão bem vindas. Nota 7



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domingo, 10 de maio de 2009

Controle Absoluto



Estreia - 26/9/2008 - Controle Absoluto é um daqueles filmes fracos mas que o público ligado em cinema não consegue fugir. Shia LaBeouf, que surgiu para o mundo em Transformers e conseguiu uma participação marcante no quarto filme de Indiana Jones, não se esforçou para escapar do lugar-comum de toda estrela em ascensão: o filme caça-níquel. Ele ganhou uma bela grana para fazer Controle Absoluto, os fãs adolescentes que o elegeram o ator do momento depositaram mais uma grana nas bilheterias e vida que segue. O diretor D.J. Caruso repete a dupla de Paranoia e também deve estar um pouco mais rico.

Sendo assim, Eagle Eye (no original) chegará em DVD e na televisão com mais força ainda. Só que você já está cansado de ver esse filme (um dia eu faço uma lista relacionando outros "Shia LaBeouf" a outros "Controles Absolutos"). É apenas um teste de popularidade do garoto. Pena que acompanhado pela fraca Michelle Monaghan (que em 2008 emplacou O Melhor Amigo da Noiva na lista dos meus piores filmes do ano). A dupla de protagonistas quase não usou dublê e a voz misteriosa é de Julianne Moore, que não quis ser creditada (para manter o suspense ou para não manchar o currículo?).

O longa conta a história de dois desconhecidos que precisam se unir para investigar a origem de telefonemas misteriosos de pessoas que seguem todos os passos do casal e passa a ameaçar suas famílias. O roteiro na mão de novatos é um recorte de outros filmes de ação (levanta a mão quem lembrou de Inimigo do Estado, Celular - Um Grito de Socorro, Por um Fio e Duro de Matar 3 - A Vingança). O cyberterrorismo remete à quarta e mais recente produção de John McClane. Ainda tem a máquina que ganha vida própria, igual Stealth - Ameaça Invisível.

Outro clichê? Uma crise institucional entre governo e militares americanos, com uma mensagem patriota no final. Não preciso nem dizer que a trama é pouco original (filmes que envolvem sequestro de filho - faça sua lista em dez segundos), mas o terreno é fértil para cenas bem realizadas e destruição de carros pelo caminho. Muitos efeitos sonoros foram retirados do jogo de videogame Halo, de 2001

Poucos momentos salvam a honra de Controle Absoluto, muito com a ajuda de Michael Chiklis (Quarteto Fantástico e a série The Shield). Outras duas figuras do elenco de apoio são Rosario Dawson e Billy Bob Thornton, que não estão bem. Shia LaBeouf passou no teste de popularidade, em filme bem feito mas desinteressante, o que está virando uma especialidade em Hollywood. Nota 3



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quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Busca Implacável

Aproveitando o repentino sucesso de Taken nas bilheterias americanas (já que o filme estreou praticamente no mundo todo ano passado sem fazer barulho), recupero meu comentário sobre o filme que chegou aos cinemas brasileiros no ano passado.



Estreia - 3/10/2008 - O espectador já sabe tudo o que vai acontecer em Busca Implacável, filme produzido pelo 'workholic' Luc Besson. 'Prevensor' do governo americano abdica de sua família para servir o país. Anos depois, viciado em segurança, reluta em ver sua filha de dezessete anos viajar para a Europa. O que acontece? Ela é sequestrada por uma máfia que trafica e comercializa mulheres, em especial as turistas que chegam à Paris. O roteiro é enxuto, não se perde num prólogo desnecessário, fazendo de Busca Implacável um 'thriller' de alto nível, protagonizado pelo incontestável Liam Nesson. Todos os elementos estão lá: o falso amigo que dá a pista errada, as saídas marotas de situações difíceis, a pancadaria e uma perseguição de carro no fim. Sem esquecer da torturinha básica do homem que passa por tudo para resgatar a filha. O final do filme? Você já sabe bem qual é. Nota 6




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quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Recontando - [Rec]: Gravando / Quarentena

Uma câmera na mão e uma ideia na cabeça. Aos poucos o cinema foi se especializando em levar ao público produções cada vez mais perto da realidade. Em 1999 um marco no cinema independente foi o lançamento do filme A Bruxa de Blair, um documentário fictício que conseguiu ser a maior bilheteria de uma produção sem um grande estúdio por trás. Em 2007 e início de 2008 três filmes usaram uma ideia bastante parecida para desenvolver roteiros cheios de suspense em terror: Diário dos Mortos, de George Romero; Cloverfield - O Monstro, de J.J. Abrams (criador de Lost) e um longa espanhol que surpreendeu a todos: [Rec]: Gravando, que foi destaque no Festival de Veneza dois anos atrás. Ele será o assunto do nosso Recontando de hoje. Sua refilmagem, Quarentena, entra na lista dos filmes lançados em 2009.

[REC]: Gravando



Estreia - 14/11/2008 - O roteiro do filme espanhol Rec é simples. Uma equipe de reportagem de um programa chamado Enquanto Você Dorme vai cobrir um turno de um quartel do Corpo de Bombeiros. O que parecia ser uma noite tranquila vai se mostrando uma história digna de filmes de terror.
Uma chamada estranha de vizinhos incomodados com barulhos e gritos estranhos vindo do apartamento do lado. Chegando lá, a fisionomia do Policial entrega que as coisas não estão boas. Na verdade a senhora do apartamento cheio de barulhos se transformou num zumbi. Ao morder os outros o vírus rapidamente se espalha e em pouco tempo os bombeiros e a equipe de reportagem luta pela própria vida, enquanto o apartamento se encontra isolado e incomunicável.
Como eu disse, é um roteiro simples. A diferença de Rec – Gravando para os filmes comuns de zumbi é a maneira como o longa foi filmado. Tal como em A Bruxa de Blair, a câmera é levada por um dos personagens, o que faz o espectador se sentir parte do filme. Na hora da ação, propositalmente é mostrado pouco e de uma forma confusa, já que o câmera também luta por sua vida. Mas Rec – Gravando aposta na violência, sendo bastante realista no quesito “banho de sangue”. Ao contrário de Cloverfield – O Monstro, não há chuva de efeitos especiais e sim closes generosos de pedaços de carne e ferimentos abertos.
Os realizadores souberam brincar com a câmera, incluindo algumas falhas no som e cortes abruptos que ao mesmo tempo em que traz a sensação de que aquilo é verdadeiro também é responsável por quebrar um pouco o clima. Há bons sustos e a tradicional criança-possuída dos clássicos do terror. Para quem gosta, é um prato cheio, um dos melhores dos últimos anos. Já estão filmando uma continuação, que deve chegar nos cinemas da Espanha ainda esse ano. Destaque também para a música Vudú, de Carlos Ann e para a protagonista Manuela Velasco, vencedora do Goya de Atriz Revelação. Nota 6



Quarentena



Estreia - 9/1/2009 – Peço para os senhores que não tentem isso em casa. Depois de assistir ao original Rec – Gravando, lá fui eu para mais uma aventura com zumbis (tipo de filme que pessoalmente não me agrada) na intenção de conferir a versão hollywoodiana da produção espanhola.
Quarentena é bem parecido com o filme de terror europeu. Em vez de Enquanto Você Dorme, o programa se chama Turno Noturno (Night Shift – em inglês não fica tão ruim). A atriz Jennifer Carpenter, que faz Ângela Vidal, não tem o mesmo carisma de Manuela Velasco. As falas iniciais são bem parecidas, mas os cenários são, obviamente, mais caprichados.

O prólogo no Corpo de Bombeiros foi um pouco mais esticado, digamos que o roteiro encha um pouco de linguiça (há até uma homenagem ao filme original com uma passagem rápida pela quadra de basquete). Quando chegamos ao prédio dos zumbis é que as semelhanças aumentam.

De início, o cenário é idêntico, parece até que filmaram no mesmo lugar. Aos poucos Quarentena vai se transformando em mais um remake pasteurizado de filme de terror estrangeiro feito por Hollywood. O que na Espanha pode parecer brilhante, nos Estados Unidos não é nada demais.

Um equívoco foi colocar uma ponta para Greg Germann, um rosto conhecido de quem vê bastante cinema e televisão (principalmente Ally McBeal), o que tira um pouco o realismo inicialmente proposto. Outro foi trocar a violência explícita por uma câmera muito mais nervosa, que balança exageradamente o tempo inteiro (tudo bem, está mais perto da ação também).

Como Hollywood gosta de uma história mais mastigada, foram feitas adaptações no roteiro para incluir um cachorro, um veterinário e uma TV que incrivelmente funciona. Tudo isso para que os motivos do que está acontecendo sejam apresentados ao longo da história. Os vizinhos chineses do longa original foram substituídos por africanos, mas não me pergunte porque.

Destaque negativo foi a exclusão da cena que eu mais gostei em Rec – Gravando. Quando Ângela Vidal olha do alto da escada do prédio e vê um zumbi em cada andar olhando pra ela. O susto maior está lá, mas de maneira tão idêntica que perde a graça para quem viu o primeira versão. O cinema americano tem mais pinta de Cloverfield – O Monstro. Lançado no mesmo ano de Rec – Gravando, ele une qualidade com originalidade. Essa segunda coisa faltou para Quarentena. Nota 4



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terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Duquesa



Estreia - 21/11/2008 - Sim, A Duquesa é mais um filme (independente) inglês de época. O longa se passa no final de século XVIII e conta a história de Georgiana (Keira Knightley) que se casou com o Duque de Devonshire (Ralph Fiennes). Um dos atrativos dessa produção que concorre ao Oscar nas categorias Direção de Arte e Figurino é o momento que o mundo vivia àquela época. Com a Independência dos Estados Unidos e o ambiente favorável ao início da Revolução Francesa, o roteiro pode levantar assuntos que geralmente passam ao largo desse tipo de produção.
A Duquesa de Devonshire surge no filme como uma pessoa bem popular e que agrada tanto a Corte quanto os mais liberais, seja por seu figurino próprio ou por seus discursos e discussões sobre liberdade. A menina Georgiana, ao contrário da maioria das personagens de tais filmes, realmente queria se casar com alguém importante e se mudar para um Castelo. Porém, como você já deve saber, aos poucos ela vai entendendo que não é amor aquilo que existe entre o casal. O Duque quer um filho homem de qualquer maneira, a Duquesa só "consegue" duas filhas mulheres, por exemplo.
Sua personalidade menos conformista a permite questionar o porquê das traições do marido, tão comuns à época. E a gota d'água passa a ser a situação ridícula de ver outra família sendo constituída em sua própria casa. Depois disso ela passa a se questionar mais e a levar a sério seu desejo de mudança. O senso de justiça de Georgiana é perfeito e A Duquesa aos poucos vai colocando o espectador no lugar da personagem. Ao final você talvez não saiba como julgar as escolhas que a mulher vai tomando ao longo da vida.
Em nenhum momento o roteiro cai num lugar-comum, mas mesmo assim não espere nada muito dinâmico. É aquela produção caprichada em que nada parece estar fora do lugar (roupas, cenários, atuações, trilha). Mas o roteiro acerta bastante em mostrar como cicatrizes vão aparecendo na vida das pessoas, transformando uma adolescente que sonhava em casar com seu Príncipe na Duquesa de Devonshire que você não justifica mas compreende. É um filme muito bonito e que merecia fazer mais barulho na sua passagem pelos cinemas. Nota 7





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Hellboy 2: O Exército Dourado



Estreia - 5/9/2008 - Hellboy 2 retoma a história do filme de 2004 que explodiu no mercado de DVDs depois de uma passagem discreta pelos cinemas. Nesse novo longa descobrimos que a paz velada entre humanos e não-humanos só é possível por conta da inatividade do Exértico Dourado. A maneira de acionar novamente essa tropa é juntar três pedaços de uma coroa. Príncipe Nuada, sedento de poder, se habilita a unir esses três pedaços e Hellboy (Ron Perlman mais uma vez) precisa impedir.
Guilermo del Toro (O Labirinto do Fauno) é o diretor e roteirista desse filme que está indicado ao Oscar na categoria de Maquiagen. Seu estilo único faz de Hellboy 2 um filme tão bom e divertido quanto o primeiro, com grandes momentos de ação, terror (destaque para o ataque das fadas dos dentes) e comédia. Essa última ocorre muito por conta do relacionamento do personagem-título e Liz (Selma Blair), que está grávida. Pode ser que você prefira Indiana Jones ou A Múmia, mas não tem como negar que Hellboy tem uma produção mais caprichada e uma história muito mais original, contando com aquela mistura de personagens assustadores e encantadores, trazido pelo diretor mexicano. É justamento o que Hollywood precisa. Nota 7




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Kung Fu Panda



Estreia - 22/8/2008 - Essa animação (indicado ao Oscar na categoria) chegou aos cinemas no verão americano com muita publicidade e a responsabilidade de ser o novo Shrek da Dreamworks. O roteiro é uma homenagem à arte marcial que se divide em estilos como: garça, macaco, louva-Deus, tigre e serpente. Dito isso, é fácil entender porque esses cinco animais são os escolhidos para representar os mestres do kung fu que recebem em seu templo um estabanado e preguiçoso panda.
O roteiro segue a fórmula das animações dos anos 1990, que rendeu excelentes bilheterias para a Disney, com muito colorido, curta duração e piadas fáceis (só faltaram as músicas). A graça está restrita às caras-e-bocas do panda (com a voz de Jack Black) e os diálogos simples com mensagem direta é bom para agradar as crianças bem pequenas. Infelizmente o tipo de filme é um pouco ultrapassado, a maioria das crianças mais crescidas não se interessam mais por esse tipo de história simples.
As cenas de luta são legais, com algumas referências aos animes japoneses que fizeram sucesso nas TVs do mundo todo, mas no fim é aquela mesma premissa da luta por um sonho de um personagem que tinha tudo para dar errado. Não é um filme excepcional e a impressão que dá e a de que Kung Fu Panda é a animação certa na década errada. Nota 5



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Procurado



Estreia - 4/7/2008 - O Procurado foi uma agradável surpresa de 2008 nos cinemas. Eu esperava um filme escapista sem uma cena de ação inesquecível, mas fiquei bem satisfeito ao sair do cinema. O longa conta a história de uma liga de assassinos liderada por Sloan (Morgan Freeman) que convida Wesley Gibson (James McAvoy) para fazer parte do grupo recebendo missões após um treinamento muito prazeroso com Angelina Jolie, que dizer, Fox.
A canção do filme (The Little Things) é uma de poucas que me chamaram a atenção no cinema esse ano. Os efeitos especiais são bem generosos, o roteiro tem muita ação, tudo está sempre se movimentando e percebe-se que os produtores não economizaram para fazer o filme. Foram recompensados com indicações ao Oscar nas categorias Efeitos Sonoros e Edição de Som.
Não tem como não gostar da trama do garoto com sua "ordinary life" enfadonha que descobre que possui um grande talento que pode realmente fazer da sua vida algo divertido. Aos poucos vai se conhecendo a origem do menino, o passado do seu pai e aquela parte clássica do rigoroso treinamento que prepara para o grand finale de O Procurado. Mas o que fez o longa se destacar em 2008 são as constantes reviravoltas de um roteiro inteligente, que mesmo abusando das mentiras, é um Jumper muito melhor, inclusive o final (o de O Procurado é excelente e o de Jumper meio bobo). Só não ligue para um certo absurdo envolvendo ratos e máquinas de tecelagem. Nota 7



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quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Mamma Mia!



Estreia - 12/9/2008 - Sucesso nos teatros europeus nos últimos anos, Mamma Mia! conta a história de uma menina que, de casamento marcado, convida três homens que tiveram caso com a sua mãe, para saber qual deles é o verdadeiro pai. A bilheteria nos Estados Unidos passou dos 100 milhões de dólares, mas o filme explodiu também na Europa. O elenco é correto, liderado por Meryl Streep que consegue mais uma vez provar que pode interpretar qualquer papel. É divertido, original, não tão previsível e por vezes inteligente, explorando bem a idéia de ter as músicas do Abba como objeto de desenvolvimento da história. O grande trunfo do filme é que ele não se leva a sério e os atores passam a ideia de que estão realmente se divertindo, despreocupados em entregarem atuações inesquecíveis. Tanto que alguns números musicais são caricatos e até constrangedores em determinados momentos, mas nada que estrague o longa. Pelo contrário, lembra até os videoclipes da era pré-MTV, onde os artistas não sabiam muito bem o que fazer, cantando e dançando de maneira meio esquisita. Quem viveu na Era Disco ainda sente uma ponta de nostalgia, já que todas as canções foram sucessos absolutos. Para os mais novos, um filme leve, despretensioso, que sem dúvida diverte a maioria. Não enjoa, tem um roteiro cheio de idas e vindas e ainda apresenta para quem não conhece as canções do maior grupo sueco da História. Nota 7

Na Mira do Chefe



Estreia - 17/10/2008 - Ray (Colin Farrell) e Ken (Brendan Gleeson) são dois matadores enviados em férias forçadas para Bruges - uma linda cidade, apesar de Ray não gostar muito. Enquanto eles aguardam ordens do chefe a gente vai descobrindo que o personagem de Farrell está se sentindo culpado por ter atirado acidentalmente numa criança em seu primeiro trabalho. Passeando pela cidade ele esbarra com uma família de gordos, uma equipe de filmagem de uma produção com anões, briga com um casal em um restaurante e conhece uma garota. São poucos os momentos engraçados, mas Farrell trabalha muito bem, fazendo um cara meio bobo, que não serve para assassino profissional (seu Globo de Ouro foi até merecido). Por vezes o filme se arrasta, se preocupa mais em contemplar a paisagem da cidade que conservou boa parte das construções medievais do século XI em diante. É proposital, a intenção é que não aconteça realmente muita coisa. A virada do roteiro acontece quando Ken recebe a ordem de matar Ray por conta do erro que esse cometeu. A viagem a Bruges tinha o propósito de "divertir" o homem que estava perto de morrer (logo Ray que odiou tanto a cidade). Quando Ralph Fiennes aparece, como o chefe do título brasileiro, se inicia uma parte cheia de suspense com uma conclusão bem diferente e interessnate. No todo, ele acaba sendo uma comédia ok, mesmo se utilizando do humor inglês meio esquisito (é só ver a piada do chocolate e dos abusos à menores). Nota 7

Queime depois de Ler



Estreia - 28/11/2008 - Os irmãos Coen não brilham tanto com esse filme que é um mini-mosaico formado por nativos da terra do Tio Sam extremamento neuróticos e infelizes. John Malkovich faz um homem demitido do Departamento de Inteligência que, para se vingar, decide escrever alguns textos contando os podres da Agência. Ao mesmo tempo sua mulher, vivida por Tilda Swinton, mantém um relacionamento extra-conjugal com o personagem de George Clooney. Seu marido ainda não sabe que dorme ao lado de uma inimiga, que pretende sugar grande parte da fortuna dele antes de pedir o divórcio. Completando a história temos Frances McDormand vivendo uma mulher insatisfeita com seu físico, que passa por crise de meia-idade e que procura insistentemente um marido. Ela trabalha na mesma academia que o personagem de Brad Pitt (o mais engraçado de todos), que vive um bobalhão. Agora imagine a confusão que une todas essas pessoas: a esposa grava um CD com os arquivos confidenciais do marido, entrega para a secretária do seu advogado, que perde o CD na academia, chegando esse às mãos dos dois trapalhões que decidem subornar o marido corno para conseguir um dinheiro. A construção dos personagens feita pelos irmãos (que dirigem e escrevem seus filmes) consegue ser muito interessante até em filmes absurdos como esse e O Grande Lebowski. E é justamente quando a atenção se vira para aquele que parecia levar melhor a vida (mas se mostra o mais neurótico de todos), a persona de George Clooney, que Queime Depois de Ler finalmente engrena, naquela crítica básica ao cidadão americano, derrubando as máscaras dos personagens. A confusão da meia hora final e a mistura de ação com comédia funcionam, o longa prende a sua atenção, mas não é dos mais inspirados dos grandes vencedores do Oscar do ano passado por Onde os Fracos Não Têm Vez. A sorte é que os atores trabalham muito bem, desde Tilda Swinton que não está acostumada a esse tipo de filme, até Frances McDormand, que faz boa dupla com Brad Pitt. Nota 6


Trovão Tropical



Estreia - 29/8/2008 - Os críticos não gostam muito de Ben Stiller. Só que em Trovão Tropical ele quase alcançou a unanimidade positiva dirigindo, roteirizando, produzindo e atuando. Esse filme dividiu o público (foi criticado por se dirigir a deficientes mentais de maneira politicamente incorreta), talvez por ser pretensioso ao extremo. É o único desses cinco que é comédia o tempo todo, o besteirol clássico. O roteiro é ofensivo (estilo Borat, só que no filme de Sacha Baron Cohen funcionou melhor), com piadas por vezes apelativas, limitando a plateia que vai realmente gostar de Trovão Tropical. Eu fico no meio termo: não acho tão brilhante quanto pintam nem a grosseria que outros dizem ser. As cenas que envolvem ação ficaram ótimas, Stiller achou grandes atores dispostos a entrar na brincadeira (Tom Cruise e sua atuação freak e Robert Downey Jr. fazendo o ator branco que interpretam um negro estão demais) e a sátira a Hollywood, com uma homenagem aos filmes de humor negro tipo M*A*S*H e trailers de produções falsas (e bizarras) prende o espectador e diverte na maioria do tempo. Ele é simpático, se você não se irrita ou fica chocado com coisas "sem-noção" demais, pode assistir sem medo. Só não vi o porquê da crítica render tantas homenagens. Nota 7

Vicky Cristina Barcelona



Estreia - 14/11/2008 - Esse é o melhor dos cinco do post de hoje. Não é nada muito brilhante, mas concordo que é um dos melhores do Woody Allen nesses últimos tempos. Conta a história de Vicky (Rebecca Hall) que vai com sua amiga Cristina (Scarlet Johanson) para Barcelona. A primeira está pesquisando para a tese de mestrado em que ela discute a cultura catalã. Já a segunda gosta de falar que não sabe o que quer da vida, só sabe o que não quer. E pessoas assim estão por todas as partes, passando boa parte da vida buscando aquilo que não sabe o que é. Cristina até deseja viver fora dos padrões, mas nunca foi muito de correr riscos. Vai fazer isso justamente ao conhecer Juan Antonio (Javier Bardem) e aceitar viajar com ele para Oviedo. Vicky, de casamento marcado, sempre sentiu a necessidade de viver um relacionamente estável e aos 45 minutos do 2º tempo começa a questionar coisas que ela nunca pensou que questionaria. A aventura das duas com Juan Antonio em Oviedo faz parte de um exagero, um extremo que as duas viram como necessário naquele momento, cada uma da sua forma. Só que a vida delas muda completamente depois disso. Cristina se apaixona de tal forma que passa a se sujeitar a situações incomuns e constrangedoras, como morar com Juan Antonio e sua ex-mulher Maria Elena (Penelope "Denise Fraga" Cruz), vivendo de maneira alternativa a "estabilidade instável" de uma vida de casal. Já Vicky nas portas do seu matrimônio descobre que corre o risco de passar o resto dos dias com alguém que ela não se sente mais conectada. O roteiro trata de temas sérios mas de uma forma leve, bem divertida que faz o espectador nem sentir o tempo passar. Javier Bardem se descolou bem de seu papel vencedor do Oscar por Onde os Fracos Não Têm Vez e Penelope Cruz, mesmo exagerada, trabalha bem. O tema do filme é parecido com o de Closer - Perto Demais (esse de forma mais brilhante). A aventura das duas americanas na Espanha é uma forma de mostrar como o medo de fugir dos padrões, de questionar sua vida e de trair os outros podem fazer com que você acabe traindo a você mesmo. Nota 8