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sexta-feira, 29 de maio de 2009

Morte Convida para Dançar



Estreia - 11/4/2008 (nos EUA) - Os filmes de terror adolescente, que ganharam força na década de 1990, habitam as salas de cinema dos Estados Unidos constantemente. Ano passado, na época da entressafra da cerimônia do Oscar e das grandes estreias de verão a falta de opção fez A Morte Convida para Dançar arrecadar mais de 40 milhões de dólares.

O público fiel de jovens que não têm idade para ver filmes com excesso de violência nas telas não gosta de botar a cabeça para funcionar, por isso que Prom Night no original (que significa Baile de Formatura - que traduçãozinha, hein...) tem um roteiro de uma obviedade "emocionante". Com elenco liderado por Brittany Snow (22 anos interpretando uma colegial), o filme conta a história de uma jovem chamada Donna, vítima de um professor tarado que criou uma obsessão pela menina e acabou assassinando toda a família dela.

Três anos depois, morando com os tios do outro lado do país, Donna é uma adolescente normal, a exceção de alguns pesadelos e da necessidade de tomar remédios para ansiedade. Com um namorado e um grupo de amigos, ela vive naquelas escolas de contos de fadas, em que todos os alunos têm carro, dinheiro, são felizes, vão para a formatura de limusine e nenhuma espinha cresce no nariz. O roteirista J.S. Cardone deve ser mais um adulto que vivia à margem dessa vida e utiliza o poder da caneta para sacudir a vidinha desses jovens perfeitos.

O que você acha que vai acontecer? O professor (interpretado por Johnathon Schaech e indicado a melhor vilão no MTV Movie Awards de 2009 - veja os indicados clicando aqui) vai fugir da cadeia, ir atrás da menina e começar a matar quase todo o elenco? Será que não vai ter um detetive que chega sempre um pouco atrasado nos lugares? E a ordem das mortes? Será que quanto menos conhecido o ator, mais rápido ele vai morrer? Qual o nome desse filme mesmo? Pois é, o dessa semana é A Morte Convida para Dançar (no verão passado, ou no Halloween, ou numa sexta-feira 13).

Claro que o filme diverte, dá uns sustos e é até bem dirigido por Nelson McCormick, que depois de quinze anos de experiência na TV estreia nas telonas. Mas A Morte Convida para Dançar é um desafio à inteligência do espectador, porque não é possível que o elevador nunca chega, as vítimas sempre tropeçam e a jovem traumatizada pelo ataque de um assassino fique sempre sozinha nos lugares. O pior mesmo é uma amiga, que no meio de um baile de formatura em um hotel lotado, corre para as escadas e para o porão.

Eu sei que se não fosse por isso não haveria mais filme de terror. Mas a previsibilidade do longa faz com que, daqui a alguns meses, a maioria das pessoas se lembre mais dos olhos azuis de Brittany Murphy e dos absurdos do roteiro do que do nome do filme. Ah, eu não vou esquecer dos créditos finais acompanhados de um clipezinho de cenas anteriores, bem ao estilo tosco de alguns seriados dos anos 1980. Nota 4



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terça-feira, 26 de maio de 2009

Nick e Norah - Uma Noite de Amor e Música



Estreia - 3/10/2008 (nos EUA - no Brasil o filme foi lançado no mercado de DVD no dia 7/4/2009) - Com Nick e Norah – Uma Noite de Amor e Música temos mais um caso de um excelente filme que passa desapercebido pelo cinema. Um romance adolescente filmado de forma independente que custou nove milhões de dólares, arrecadou onze no final de semana de estreia e terminou sua passagem pelas telonas nos Estados Unidos com trinta milhões – e que bom que deu lucro.

No melhor estilo Apenas uma Vez, o longa dirigido pelo quase-estrante Peter Sollett é baseado no romance de Rachel Cohn e David Levithan, adaptado por Lorene Scafaria. Uma turma nova que, tendo sorte de principiante ou não, entrega uma produção inteligente e sensível, sem ser chata. Pelo contrário, Nick e Norah têm totais condições de agradar o público alvo, os jovens, sem deixar de divertir e emocionar quem já passou da idade dos personagens.

Por ser um filme de curta duração (menos de uma hora a meia) pode-se ter a impressão de que a trama é pouco explorada, mas isso não acontece. Nick (Michael Cera) é um jovem que não se conforma com o fim de seu namoro com Tris (Aléxis Dziena). Por isso ele continua telefonando para a menina e gravando músicas em cds, sempre à procura da reconciliação. Típico caso da garota popular que usa o nerd não se sabe o porquê.

Norah (Kat Dennings) é uma amiga endinheirada de Tris, que cata no lixo os discos mixados por Nick – alimentando o desejo de, quem sabe, um dia encontrar o garoto. A dupla de protagonista vive em mundos completamente opostos. Para se ter uma idéia, enquanto Nick é o jovem depressivo que toca em uma banda alternativa (sem baterista e sendo os outros integrantes todos gays) tendo Boys Don’t Cry como toque de seu celular, Norah é uma moça que não perde um segundo das madrugadas de sábado dormindo e conhece os seguranças de todas as boates de Nova York.

Quando a banda indie mais comentada de Nova Jersey anuncia um show surpresa numa noite, as vidas dos dois se cruzam. Nick e sua banda tocam no bar que Norah e sua amiga Caroline (Ari Graynor) estão dando início à noite. Quando a segunda fica completamente bêbada (um hábito que parece ser comum), os amigos de Nick prometem levar a menina para casa para que ele e Norah passem a noite juntos – na tentativa de fazer o garoto superar Tris.

Um bonito romance, cercado de muita música, com uma narrativa que lembra Superbad – É Hoje!, divertindo tanto quanto Uma Noite de Aventuras e outros longas que rapidamente se tornam inesquecíveis. Michael Cera está se especializando no mesmo papel do nerd com cara de bobo (dessa vez com a participação de seu carro amarelo que todos confundem com um táxi) e Kat Dennings é uma agradável surpresa no papel da adolescente insegura, que não consegue ser e fazer o que as amigas são e fazem (sem contar o próprio trauma de um relacionamento com Tal, menino interesseiro interpretado por Jay Baruchel).

A trilha sonora indie é ótima, a química entre os atores – desde a primeira cena – é perfeita e, além de tudo, você ainda encontra diversas cenas engraçadas. Aliás, a mudança do roteiro (que substitui o início já no bar onde Nick e Norah se encontram por um prólogo divertido e importante) torna Uma Noite de Amor e Música irretocável. É a prova de que filmes adolescentes podem valer mais do que o preço do ingresso. Nota 8


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quinta-feira, 21 de maio de 2009

Modelos nada Corretos



Estreia - 13/3 - O filme que quase foi direto para o mercado de DVD no Brasil com o nome de "Faça o que Eu Digo, Não Faça o que Eu Faço" é uma das gratas surpresas de 2009. Confesso que apenas me interessei por conta da indicação do ator Bobb'e J. Thompson ao MTV Movie Awards de revelação masculina (veja aqui a lista completa dos indicados). Porém, o resultado se mostrou bem acima do esperado.

O longa conta a história de Wheeler (Sean William Scott) e Danny (Paul Rudd), que trabalham como representantes de vendas de uma bebida energética e passam o dia dando mini-palestras em escolas, onde defendem seu produto e criticam o uso de drogas. Como todos os papeis desses dois atores, Wheeler é um Stifler um pouco mais velho, abordando qualquer tipo de mulher atraente da forma mais arrogante possível e Danny é uma espécie de Ben Stiller, que tenta andar na linha mas é uma bomba pronta para explodir.

Ela explode quando o personagem de Rudd completa 35 anos de idade e dez de trabalho em uma função que ele simplesmente odeia. Tentando respirar novos ares ele pede sua namorada Beth (a simpática Elizabeth Banks) em casamento. Diante da negativa, ele se revolta e faz um discurso subversivo para um grupo de adolescentes. Nervoso, arranja confusão com a Polícia na hora de pegar o carro da empresa (que estava prestes a ser rebocado) e acaba sendo processado por diversos crimes. Wheeler, que acompanhou Danny todo o tempo, acaba como réu também, vítima do "dia de fúria" do colega de trabalho (quem nunca se sentiu assim, onde tudo te revolta e uma série de coisas erradas se sucedem?).

Para se livrarem de trinta dias de cadeia os dois aceitam a pena alternativa de serviço comunitário, em uma organização que acompanha crianças problemáticas. Danny irá passar alguns dias com Augie (Christopher Mintz-Plasse, de Superbad - É Hoje!), um adolescente que só pensa em RPG (incluindo a constrangedora - para Danny - arte do cosplay em praça pública). Wheeler fica responsável por Ronni (Bobb'e J. Thompson, que acaba de completar treze anos de idade), um pirralho encapetado com a boca mais suja que a do seu mentor. A diretora da organização é Gayle (Jane Lynch), uma das personagens mais engraçadas.

Apesar de parecer um filme de criança, Modelos nada Corretos é totalmente o oposto disso. É um besteirol cheio de grosseria, mas é muito divertido e extremamente simpático. Misturando RPG com a música do Kiss, a história escrita por um grupo de quatro roteiristas (além do estreante na função Paul Rudd, tem David Wain - que também dirige, Ken Marino e Timothy Dowling) é agradável e tem uma maneira criativa e prazerosa de unir todas as pontas, inclusive com uma crítica aos pais que não tentam entender seus filhos.

Todos os personagens, cada um com sua esquisitice, se tornam pessoas menos egoístas e atingem um equilíbrio maior na maneira de levar a vida. Palmas para Modelos nada Corretos, que custando 28 milhões de dólares, arrecadou 68 milhões nos Estados Unidos, deixando o blogueiro com vontade de assistir o filme Mais um Verão Americano, lançado em 2002 e com a mesma equipe que realizou essa boa comédia. Nota 7



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segunda-feira, 18 de maio de 2009

Mãe para o meu Bebê



Estreia - 25/4/2008 (nos EUA) - Muita gente tem dito que Uma Mãe para o meu Bebê supera as expectativas. Calma, isso não quer dizer que essa comédia, lançada em DVD no Brasil cinco meses depois da estreia nos cinemas americanos, é excepcional ou fantástica. Leia a história do filme e veja quais são suas expectativas. Tina Fey é Kate, mulher de negócios bem sucedida que optou pela carreira, abdicando da formação de uma família. Quando completa 37 anos de idade e sem conseguir engrenar um relacionamento, ela decide ter um filho, sonho que andava esquecido.

A trama comum e esse pôster mal feito aí de cima desanimam muita gente a ir ao cinema ou a alugar o DVD de Uma Mãe para o Bebê. Mas não podemos esquecer que Tina Fey é um raro exemplo de comediante mulher que consegue escrever e atuar de uma maneira muito engraçada, com um humor sutil que, por não ser apelativo, agrada muita gente - ela está por trás de 30 Rock e da produção adolescente Meninas Malvadas.

Além disso, Fey não se importa em ser escada de outros atores em seus filmes (como fazia em Saturday Night Live). Nesse aqui ela está mais perto do estrelato, até porque compete com a fraca Amy Poehler, que surgiu no mesmo programa de TV. No filme ela é Angie, barriga de aluguel de Kate, que se utiliza desse meio depois de não conseguir engravidar por inseminação artificial nem adotar uma criança. Engraçado que no longa Tina faz uma mulher de 37 anos que utiliza o corpo de uma mulher mais nova para poder ser mãe. Mas na vida real Tina Fey tem 39 anos (aliás, HOJE - dia 18 de Maio - ela completa 39 anos) e Amy Poehler completa 38 em Setembro. E é nítido que as duas têm praticamente a mesma idade. Parece que Tina estava devendo um filme para o currículo de Amy...

Temos participações especiais de Steve Martin (sempre engraçado), uma sumida Maura Tierney, Sigourney Weaver (que também está muito bem e é pouco aproveitada) e Greg Kinnear, numa tentativa de par romântico da história. Ele faz Rob, um advogado que monta uma casa de sucos e preside uma associação de moradores que tenta atrapalhar um dos empreendimentos da firma na qual Kate é vice-presidente. Mas não passa muito disso.

Quando Angie briga com seu marido e vai morar com Kate o roteiro fica bem clichê. Quantos filmes sobre "duas pessoas com personalidades totalmente opostas que passam a conviver juntas e terminam mudando suas maneiras de encararem a vida e, por fim, parece que se completam" você já viu na vida? Angie é a pior grávida possível, que passa o dia fumando e comendo besteira e não pretende parar de pintar o cabelo enquanto Kate é a mulher pragmática, organizada e que parece não se desplugar um segundo. Porém, é nesse momento que a trama escrita por Michael McCullers (trilogia Austin Powers) cresce e melhor muito.

Ele também estreia na direção e é uma pena que não saiba por um fim a história, que cai um pouco no final e tem uma conclusão corrida demais, no melhor estilo "chegou o Natal, seus problemas acabaram", que fez até a notar cair um pouco. Feito para o público dos Estados Unidos, Uma Mãe para o Bebê alcançou seus objetivos: bilheteria de 60 milhões de dólares e indicações a alguns prêmios de público na terra do Tio Sam e prateleira da locadora no restante do planeta. Nota 5



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quinta-feira, 14 de maio de 2009

High School Musical 3: Ano da Formatura



Estreia - 24/10/2008 - High School Musical, objeto de repulsa de muita gente, tem sua importância na história da televisão. Até hoje é o filme de maior audiência da história da TV a cabo americana (quem conseguiu esse recorde foi o segundo longa da série) e, ao contrário de todas as produções da História, é a única franquia que saiu da tela pequena para a grande, com o filme que completa a trilogia chegando aos cinemas em 2008. Sua bilheteria de estreia de 42 milhões de dólares superou Mamma Mia! como a melhor abertura de um longa musical. No somatório geral, entretanto, a história baseada nas canções do Abba fechou acima de 601 milhões - se tornando o musical que mais faturou em todos os tempos. High School Musical 3 fez "míseros" 250 milhões - Grease, lançado décadas atrás se mantém agora como segundo filme do gênero com maior faturamento - foram quase 380 milhões de dólares.

Isso prova que HSM é um fenômeno americano. Porém, como tudo que envolve cinema é acompanhado de perto por mim, sempre assisti sem problema ou preconceito aos filmes. Há coisas que não gosto em HSM. A maior delas é Vanessa Hudgens. A sósia da Mônica Carvalho (inclusive na qualidade de interpretação) parece sempre deslocada, apesar de cantar bem. Já Zac Efron, perseguido pelos adultos, é um bom ator. Tudo bem que a histeria adolescente faz muita gente torcer o nariz para ele, mas o garoto é bom.

O terceiro filme em si não traz muita coisa de novo. Troy Bolton e seu dilema basquete-música, Gabrielle e sua cara de peixe-morto, Sharpay (uma garota muito mais interessante) que é incompetente até para ser vilã e o irmão dela que não diz que é gay para não assustar as crianças. Pois é, isso é outra coisa que chateia um pouco nos filmes. A maneira infantil do longa de origem atraiu um público fiel que não pode ser afastado. Isso fez com que as continuações fossem tão bobas quanto a primeira produção, uma pena. As comparações com Grease sempre aconteceram, mas HSM sempre perde por ser infantil demais.

Quanto à música, isso é o que mais tem no capítulo final da saga dos estudantes bobinhos. São doze números musicais. Abrindo os trabalhos tem o jogo final de basquete (me desculpe não citar as músicas nominalmente, mas se você não é uma criança chata isso não faz muita diferente, High School Musical 3 é bom mas não é um clássico). A primeira canção dos ensaios do show do último ano começa de forma animadora, misturando a era de ouro dos musicais com referências à Broadway (inclusive a Chicago, uma transposição bem sucedida para o cinema).

Porém, algumas músicas são muito parecidas com números dos dois primeiros longas, o que demonstra falta de inspiração dos autores. Com cenários maiores, os personagens estão mais exagerados (as atuações fogem um pouco do controle dos atores, mas é normal já que todos são novos) - só que musicalmente poderia ser mais bem explorado. A cena do telhado entre Efron e Hudgens é o já tradicional single da cantora para tocar no rádio. Já as músicas da oficina e a segunda do ensaio da peça (que começa com Ryan e Kelsi e atinge todo o elenco) se destacam, utilizando um ambiente só que se transforma em vários cenários, saindo da linguagem televisiva que, infelizmente, dita o tom de grande parte do roteiro.

Tem também aquela música de corno de Gabrielle e outro do Troy, como sempre. A grande cena final lembra um pouco as produções dos anos 50 de Hollywood, principalmente as sequências que Gene Kelly gostava de inserir em seus filmes no ato final, com longos minutos de dança. Eu disse lembra um pouco porque a sequência é editada várias vezes para diálogos de bastidores inúteis. A conclusão, que parecia ser correta, ganha um toque hollywoodiano também e High School Musical 3 termina muito bem (a última meia hora melhorou muito minha avaliação final).

Novas caras e novos nomes surgiram com a segunda trilogia mais rentável da história da Disney (atrás apenas de Piratas do Caribe): Ashley Tisdale, Zac Efron, Corbin Bleu, Vanessa Hudgens, Lucas Grabeel. Todos eles terão carreira longa pela frente. A espera maior está por conta dos novos projetos do roteirista Peter Barsocchini e do diretor Kenny Ortega. O segundo aposta na refilmagem de Footlose. O primeiro já escreve High School Musical 4. Porém, como a letra da primeira canção do filme retrata muito bem, essa foi a última chance do filme deixar sua marca e mostrar seu valor - e o final realmente é muito bonito. Já a última, como se os próprios atores tivesse escrito a música divagando sobre o próprio destino, afirma que todos devem celebrar de onde vieram e não há motivos para esquecer a high school deles. As crianças histéricas lembrarão disso para sempre. Nota 7



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Com esse comentário, completo os candidatos a melhor filme do MTV Movie Awards, prêmio que será entregue no próximo dia 31. Dos 29 filmes indicados em todas as categorias, ainda faltam oito para comentar nos próximos dias. Clique aqui e veja a lista completa dos concorrentes com meus comentários à época (antes da festa eu atualizo minhas apostas também).

Segurando as Pontas



Estreia - 6/8/2008 (nos EUA - no Brasil o filme foi lançado no mercado de DVD no dia 18/2/2009) - Segurando as Pontas (uma excelente tradução do título Pineapple Express) é um filme de maconheiros. Provavelmente escrito, dirigido, produzido e estrelado por eles. Antes da abertura uma cena em preto e branco, em meio a Segunda Guerra Mundial mostra o Exército Americano testando os efeitos da erva em um soldado. Claro que é um desastre e a droga passa a ser considerada ilegal no país.

Seth Rogen então surge no papel de Dale Denton, que trabalha na função de "oficial de justiça particular" (na tradução literal seria um servidor do processo, função inexistente na Justiça Brasileira), que namora uma colegial de 18 anos e passa o dia entregando papel e fumando um baseado atrás do outro. James Franco é Saul, um pequeno vendedor da erva, que se esconde em algum buraco da cidade. Ele foi indicado ao Globo de Ouro como melhor ator de comédia ou musical, perdendo para Colin Farrell em Na Mira do Chefe. Quando Rogen escreveu Segurando as Pontas a ideia era ele interpretar Saul, porém Franco ficou mais engraçado nesse papel.

Quando Dale precisa fazer uma entrega na casa do traficante Ted Jones (Gary Cole) ele presencia o assassinato de um asiático pelas mãos do próprio Ted e de uma policial vivida por Rosie Perez. Na fuga, Dale bate em dois carros e deixa cair seu baseado. Dentro dele uma erva muito particular, a Pineapple Express (que dá nome ao filme no original). Ele e Saul então só tem uma coisa a fazer: fugir dos traficantes. O longa se tornou o primeiro sobre maconha a faturar mais de 100 milhões de dólares nas bilheterias mundiais.

Não tem muita graça ver pessoas se drogando, por isso que os primeiros minutos de Segurando as Pontas são horríveis. Ate o assassinato o filme é enjoado, as piadas não funcionam e a pretensão de ter uma história subversiva vai por água abaixo. Dito isso, a parte mais óbvia, dos imensos desencontros que acabam dando certo, é a que dá mais certo. Os personagens quase não são explorados (Danny McBride no papel de Red e a linda Amber Heard como a namorada Angie são os maiores exemplos) e muita coisa no filme é tosca e sem noção - para usar os termos dos realizadores dessa produção.

A paranoia de Dale e as trapalhadas de Saul acabam divertindo porque Rogen e Franco são dois atores muito carismáticos e naturalmente engraçados. O primeiro assina o roteiro ao lado de Evan Goldberg e Judd Apatow. Por ser a mesma turma de Superbad - É Hoje! o resultado chega a ser decepcionante na parte cômica. Todavia, mesmo sendo uma comédia fraca, Segurando as Pontas tem cenas de ação incríveis. Tirando o jantar com a família da namorada de Dale, os melhores momentos do longa são perseguições e cenas de luta (a maior delas foi indicada ao prêmio nessa categoria no MTV Movie Awards).

A versão em DVD (que eu assisti) tem quase dez minutos a mais, o que não ajuda em nada, já que todos os excessos cortados na edição para o cinema voltam nessa "edição especial". Mas a meia hora final é legal. Acredito que o efeito da erva tenha passado e o trio de Superbad tenha voltado a raciocinar. Méritos também para o diretor David Gordon Green, que começou sua carreira em 1997 aos 22 anos mas só agora (novo ainda, com 34) lidera um filme relevante e o faz muito bem. Nota 5


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quarta-feira, 13 de maio de 2009

Crepúsculo



Estreia - 18/12/2008 - Como profundo admirador dos livros de Harry Potter, já senti na pele o que os fãs de Crepúsculo sentiram no final do ano passado, com grande parte da crítica detonando o filme inspirado no livro de Stephenie Meyer. Como já fui vidraça e no momento sou pedra, prometi a mim mesmo que pegaria leve com o longa que demorei seis meses para assistir (e só o fiz por conta do favoritismo para as principais categorias do MTV Movie Awards do final desse mês).

O prólogo vem logo com uma conversa sobre morrer no lugar de alguém que ama, com narração em off da protagonista Isabella Swan (Kristen Stewart - de Quarto do Pânico, Zathura e uma marcante presença em Na Natureza Selvagem) depois de uma cena de caça a um veado. Bella se muda para uma pequena cidade onde o Sol mal dá as caras para morar com o pai, policial local. Chegando na escola conhece, entre outros adolescentes americanos com pinta de adulto, Edward Cullen (Robert Pattinson, o Cedrico Diggory de Harry Potter e o Cálice de Fogo).

Edward parece sentir uma repulsa a Bella na aula de biologia e a garota fica intrigada com o fato. Depois de passar alguns dias sumido, o garoto salva a vida da menina parando um carro em alta velocidade com as mãos. O que estraga Crepúsculo? A interpretação terrível do casal de protagonistas, principalmente Stewart (indicada por Emile Hirsch), que não demonstra capacidade (ainda) de liderar o elenco de um filme pretensioso com esse. Henry Cavil (Tristão e Isolda, Stardust - O Mistério da Estrela e o seriado The Tudors) era a primeira escolha da autora para o papel de Edward, mas estava muito velho para o papel. Já Bella seria Emily Browning (Desventuras em Série).

Ela começa bem, fazendo a menina que passa pela mudança de cidade e de escola (um clichê dos filmes, mas algo realmente difícil para um adolescente), levando tudo com um senso de humor muito interessante. Porém, depois que conhece Edward, ela fico meio abobalhada, tratando tudo com uma naturalidade irritante - com a desculpa de que "sofre em silêncio". Na segunda aula de biologia começa a verdadeira intenção da autora ao escrever Crepúsculo: tratar do sexo na adolescência. A tensão (ou seria tesão) entre os dois precisa ser mostrada a todo instante. Porém, como os atores têm poucos recursos, o resultado é desastroso. É como se os filhos de Keanu Reeves fizessem Malhação. Tensão sexual para os dois é sinônimo de falar como se estivesse sem ar e morder os lábios o tempo todo (eu sei, é patético).

Bella acredita em tudo o que falam para ela (algo que deve ser comum para essa geração-internet) e depois de alguns minutos no Google descobre que Edward é um vampiro, já que tem sentidos aguçados, superforça e lê pensamentos. Edward, por outro lado, admite que é um adolescente imortal e que sente um magnetismo grande entre os dois. Inclusive, não consegue saber o que Bella está pensando. Na verdade ele quer comer (e beber) a menina - não necessariamente nessa mesma ordem.

Não estou tratando Crepúsculo com ironia, a história é até legal. Mas as caras e bocas de Kristin Stewart e Robert Pattinson não convencem. Talvez Nikki Reed, que faz o papel de Rosalie fosse uma escolha melhor (ela que surgiu muito bem no filme Aos Treze), ou alguém até mais experiente. Outra crítica é a falta de cuidado com a adaptação do roteiro, feita por Melissa Rosenberg. Essa transposição às pressas, para ir na onda da popularidade do livro, fez com que alguns diálogos inteiros fossem inseridos no filme. Quando Bella conta a Edward como descobriu que ele era vampiro, ela diz que o garoto "está sempre falando de vidas passadas", sendo que em nenhuma cena anterior ele fala dessa forma.

A direção de Catherine Hardwicke (também de Aos Treze) é normal, já que a história é naturalmente sombria. Porém, o filme tem partes muito arrastadas, carregadas no drama. Os adolescentes só adotaram Crepúsculo porque é adaptação de um livro que eles gostam, já que o longa é até meio brega em certos momentos. A ingenuidade e o sentimento de auto-suficiência de Bella são pouco explorados, assim como a trilha sonora (quem conseguiu juntar Muse, Linkin' Park e Paramore e só coloca os dois últimos apenas nos créditos é louco).

Quando a menina é atacada entra em cena Cam Gigandet no papel do vampiro James, que com apenas duas cenas foi elevado ao status de "revelação do ano". O índio Jacob (Taylor Lautner) é um dos ganchos para o segundo capítulo (Lua Nova), que já será lançado mundialmente dia 20 de Novembro desse ano. Uma curiosidade é que Crepúsculo teve o maior faturamento no final de semana de estreia da história entre filmes dirigidos por uma mulher (70.6 milhões de dólares). Não aguardo ansiosamente rever Kirstin Stewart e Robert Pattinson, só espero uma continuação um pouco melhor. Nota 5



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Velozes e Furiosos 4



Estreia - 3/4 - Falta de criatividade é uma coisa horrível. Porém, é um mal comum no cinema, principalmente em Hollywood. Em Velozes e Furiosos 4 a coisa chega a ser exagerada. Primeiro que o nome é idêntico ao do longa de origem (em inglês passou de The Fast and The Furious para Fast and Furious). Segundo que o pôster é o mesmo (a versão clara, com os rostos dos protagonistas divididos em quadros, faz você voltar no tempo). Tudo isso por conta do retorno de Vin Diesel à franquia.

O filme começa com uma grande cena de ação, na República Dominicana, quando Toretto (Diesel) e sua mulher Letty (Michelle Rodriguez) atacam um caminhão que transporta petróleo. A abertura no estilo 007 ainda cita o Rio de Janeiro (que, dizem, seria o palco dessa quarta aventura). Depois dos créditos ficamos sabendo que O'Conner (Paul Walker) ainda trabalha, meio a contragosto, para o FBI. Não espere muito malabarismo com carros e destruição pelo caminho. Se quiser isso, assista os primeiros dez minutos e adiante para a cena final.

Quando Letty morre de forma misteriosa (aliás, que inútil a participação de Rodriguez) a coisa caminha para que Diesel e Walker unam forças contra um traficante de nome Braga. No caminho eles precisam se inscrever na velha corrida de carros modificados, abrindo espaço para aquela trilha de hip hop das produções anteriores.

Quando se economiza na ação é preciso que o filme se baseie em uma trama mais inteligente do que a apresentada em Velozes e Furiosos 4. Se O'Conner quer só fazer seu trabalho por que ele anda sempre junto de Toretto, que só deseja vingança? E o FBI, por que aceita todos os métodos do personagem de Walker? Quando a dupla começa a transportar drogas para Braga a ação diminui mais ainda. Sem contar que Vin Diesel (e sua "grande interpretação" indicada ao MTV Movie Awards), mesmo recém-viúvo, encontra tempo para mandar uns xavecos tristes.

Apesar de redondo, Velozes e Furiosos 4 é tão comum que enjoa. O diretor Justin Lin entregou cenas de ação mais generosas no terceiro capítulo da franquia, que mostra claros sinais de cansaço. Até o grand finale decepciona, com um pega dentro de uma mina de carvão. Vin Diesel (que fez questão de ser o produtor) odeia continuações mas se animou todo em entregar uma história mais interessante. Sua declaração só pode ter sido jogada de marketing, já que Toretto continua um ladrão - que apenas deseja vingança - e O'Conner um ex-bandido e seu dilema em ser mocinho. Onde está a maravilhosa continuação do primeiro capítulo, Vin?

Como a bilheteria é o que importa, Velozes e Furiosos 4 não se deu mal. Pelo contrário, é o maior faturamento em um final de semana de estreia da história do mês de Abril (72.5 milhões de dólares, contra 42.2 de Tratamento de Choque); o maior faturamento de estreia de um filme sobre carros (batendo Carros, da Pixar, que arrecadou 60.1 milhões); e a maior estreia de uma produção da Universal Pictures (batendo Jurassic Park 2: O Mundo Perdido, com 72.1 milhões). Sem contar que ainda fatura outros milhões no mercado de DVD, não tenha dúvida.

Porém, não espere muitos adeptos no provável quinto capítulo. Cada vez mais a série limita seu alcance, resumindo seu público a quem gosta de carros tunados e não se interessou por nenhum outro longa em cartaz no domingo à tarde. Não é possível que tanta gente se deixe enganar de novo. Todavia, se o mercado de games lança Need for Speed até hoje, só nos resta aguardar mais um Velozes e Furiosos (talvez entre um Jogos Mortais e outro). Nota 4



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segunda-feira, 11 de maio de 2009

Casa das Coelhinhas


Estreia - 10/10/2008 - O diário de Shelley é aberto e a moça começa a contar sobre sua infância em um orfanato. De lá direto para a Mansão Playboy, A Casa das Coelhinhas não esconde seu objetivo em momento algum. O filme é uma espécie de "Sessão da Tarde para adultos", que só adolescentes sequelados assistem, na expectativa de ver um pedaço de peito da "musa" Anna Faris, a rainha dos besterois da atualidade, uma espécie de Molly Ringwald com menos classe.

O sonho de Shelley é ser playmate e ter seu pôster nu nas páginas centrais na revista de Hugh Heffner (que faz uma participação com as coelhinhas oficiais). Porém, no aniversário de 27 anos a menina é preterida por uma moça mais nova (afinal de contas, no "mundo Playboy" ela tem 59 anos de idade). Sonho destruído e expulsa de casa, Shelly procura abrigo em uma moradia estudantil, na Irmandade Zeta, que está praticamente falida. Esse argumento fajuto é obra da própria Anna Faris.

A irmandade precisa atrair garotos com festas de arromba para que outras garotas se interessem em fazer parte da casa. Um erro do roteiro é concentrar toda a graça em apenas um personagem, utilizando o estereótipo da loira burra - a série Greek faz melhor no mesmo ambiente. Além de apelativo, o filme é muito bobo. O elenco de apoio tem Emma Stone (que já apareceu em Superbad! - É hoje e se sai melhor), Kat Dennings (bem apagada) e Katherine McPhee (ex-American Idol no papel de uma estudante grávida).

A personagem de Faris ensina "essa galerinha que irá aprontar muita confusão" a se tornar garotas populares. Por popular você entenda uma piranha. Ela faz o grupo de jovens bizarras passar de nerds ignoradas a Barbies ocas (talvez por isso que, ironicamente, a trilha conte com músicas de Avril Lavigne e Rihanna, exemplo de artistas que fizeram um caminho parecido). Pérolas do tipo "homens não gostam de mulheres inteligentes" e festas para acabar com a virgindade da amiga atravessam a tela a todo tempo.

Quando Shelley se apaixona de verdade ela percebe que um pouco de cultura não faz mal a ninguém. Nessa hora ela começa a estudar e vira uma pessoa chata, igualzinho ao filme. Talvez a ideia fosse produzir (e Adam Sandler o produz) um "Mudança de Hábito às avessas", mas A Casa das Coelhinhas é pouco inteligente, quase nada engraçado e fútil. Como disse no post dos vinte piores filmes de 2008, foi sorte (minha e do filme) eu não ter tido tempo de assisti-lo no ano do seu lançamento. A dupla de roteiristas de 10 Coisas que Eu Odeio em Você, Legalmente Loira e Ela é o Cara já preparam mais dois roteiros. Espero que A Casa das Coelihnhas tenha sido uma exceção a regra de boas comédias das duas. Nota 2



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Agente 86



Estreia - 20/6/2008 - Agente 86 (criação de Mel Brooks), apesar da bilheteria considerada boa, sofreu com a forte concorrência do verão americano de 2008. A semelhança física com Don Adams, que protagonizava a série original de TV, junto com a popularidade alta tornou Steve Carell em uma escolha óbvia para o personagem-título. Já para o papel de agente 99 foram consideradas as atrizes Jennifer Love Hewitt (que não daria certo) e Rachel McAdams (que ficaria muito bem), até chegar a Anne Hathaway. Ela está linda e a química com Carell funciona bem.

O filme começa com a promoção de Maxwell Smart da retaguarda para agente da C.O.N.T.R.O.L. Quando o projeto do longa teve início dez anos antes dele chegar aos cinemas, tudo indicava que Jim Carrey seria a estrela. Porém, o atraso no projeto acabou tendo seu lado bom. Steve Carell tem o "timing" perfeito e utiliza menos caretas que Carrey (que precisaria se controlar aqui). Aliás, aquele mexeu um pouco no roteiro mas não foi creditado como tal e fez um excelente trabalho.

Quase todas as piadas funcionam bem. Das mais simples, como o "campo de silêncio" até as mais elaboradas, que exigiram muito do casal de atores na parte física (e eles correspondem muito bem às expectativas). Agente 86 pode ser considerada uma das melhores comédias do ano, com momentos de ação que lembram o clássico Máquina Mortífera. O diretor Peter Segal fecha a década com 100% de aproveitamento. Foram cinco filmes dirigidos e cinco sucessos (as comédias O Professor Aloprado 2, Tratamento de Choque, Como se Fosse a Primeira Vez, Golpe Baixo e Agente 86) e se deu muito bem em seu primeiro longa como produtor.

Há participações de Dwayne Johnson, Bill Muray, James Caan, Terence Stamp e Alan Arkin. O primeiro está engraçado, mais até que a dupla Bruce e Lloyd (Masi Oka de Heroes e Nate Torrence), responsáveis pelas invencionices da C.O.N.T.R.O.L. (eles estrelaram uma produção que foi direto para o mercado de DVD). Os roteiristas Tom J. Astle e Matt Ember passam com folga em sua estreia em Hollywood, muito por ter preservado ao máximo o clima do seriado de origem. O filme termina com um sentimento de missão cumprida e a forte impressão de que continuações serão bem vindas. Nota 7



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domingo, 10 de maio de 2009

Controle Absoluto



Estreia - 26/9/2008 - Controle Absoluto é um daqueles filmes fracos mas que o público ligado em cinema não consegue fugir. Shia LaBeouf, que surgiu para o mundo em Transformers e conseguiu uma participação marcante no quarto filme de Indiana Jones, não se esforçou para escapar do lugar-comum de toda estrela em ascensão: o filme caça-níquel. Ele ganhou uma bela grana para fazer Controle Absoluto, os fãs adolescentes que o elegeram o ator do momento depositaram mais uma grana nas bilheterias e vida que segue. O diretor D.J. Caruso repete a dupla de Paranoia e também deve estar um pouco mais rico.

Sendo assim, Eagle Eye (no original) chegará em DVD e na televisão com mais força ainda. Só que você já está cansado de ver esse filme (um dia eu faço uma lista relacionando outros "Shia LaBeouf" a outros "Controles Absolutos"). É apenas um teste de popularidade do garoto. Pena que acompanhado pela fraca Michelle Monaghan (que em 2008 emplacou O Melhor Amigo da Noiva na lista dos meus piores filmes do ano). A dupla de protagonistas quase não usou dublê e a voz misteriosa é de Julianne Moore, que não quis ser creditada (para manter o suspense ou para não manchar o currículo?).

O longa conta a história de dois desconhecidos que precisam se unir para investigar a origem de telefonemas misteriosos de pessoas que seguem todos os passos do casal e passa a ameaçar suas famílias. O roteiro na mão de novatos é um recorte de outros filmes de ação (levanta a mão quem lembrou de Inimigo do Estado, Celular - Um Grito de Socorro, Por um Fio e Duro de Matar 3 - A Vingança). O cyberterrorismo remete à quarta e mais recente produção de John McClane. Ainda tem a máquina que ganha vida própria, igual Stealth - Ameaça Invisível.

Outro clichê? Uma crise institucional entre governo e militares americanos, com uma mensagem patriota no final. Não preciso nem dizer que a trama é pouco original (filmes que envolvem sequestro de filho - faça sua lista em dez segundos), mas o terreno é fértil para cenas bem realizadas e destruição de carros pelo caminho. Muitos efeitos sonoros foram retirados do jogo de videogame Halo, de 2001

Poucos momentos salvam a honra de Controle Absoluto, muito com a ajuda de Michael Chiklis (Quarteto Fantástico e a série The Shield). Outras duas figuras do elenco de apoio são Rosario Dawson e Billy Bob Thornton, que não estão bem. Shia LaBeouf passou no teste de popularidade, em filme bem feito mas desinteressante, o que está virando uma especialidade em Hollywood. Nota 3



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terça-feira, 21 de abril de 2009

Sim, Senhor



Estreia - 30/1 - Pra começar é bom que se diga que o responsável pela tradução do título de Sim, Senhor não deu sequer uma olhada no roteiro. Aliás, nem precisava ver mais do que oito minutos do filme, já que é esse o tempo que demora para sabermos que o Yes Man significa o "Homem Sim". O personagem-título se chama Carl e é interpretado por Jim Carrey. Carl é um sujeito anti-social que rejeita qualquer tipo de convite, pedido ou oportunidade que lhe fazem. Um dos motivos talvez seja o fato de que tudo dá errado quando o "Homem Não" decide encontrar seus amigos (pode incluir aí encontro com a ex-mulher).
As coisas mudam quando um conhecido de Carl o convence a ir numa palestra em que a persona de Carrey promete dizem sim para tudo que lhe pedem daqui pra frente. Claro que a forma exagerada como as coisas se desenrolam é típico de um filme de comédia e não cabe discutir se o espectador é da doutrina do "sim" ou do "não" (e todos sabem que o segredo está mesmo no equilíbrio).
Não adianta esconder que Sim, Senhor é mais uma comédia física baseada nas palhaçadas de Carrey. Você já viu esse personagem antes só que com outro nome e outra esquisitice. Se você se encontra no grupo das pessoas que se cansaram desse tipo de filme, é melhor deixar pra lá. Eu acho que ainda é possível contar uma história boa e acredito que o ator tenha acertado mais uma vez. As confusões nas quais ele se metem (aceitar dar carona para um mendigo, beber uma caixa de Red Bull, ir para uma festa temática do Harry Potter, etc.) ainda funcionam perfeitamente. Porém, não é mais novidade para ninguém, ao contrário da banda The Eels, com boa presença na trilha sonora.
Carl lembra um pouco o Phil que Bill Murray fez em Feitiço do Tempo, já que os dois passam por um momentos de despersonalização mas acabam se transformando em pessoas menos ásperas e mais tolerantes. O roteiro feito a seis mãos é baseado num livro autobiográfico de Danny Wallace e é importante lembrar mais uma característica dos filmes de Jim Carrey: como eles melhoram na parte final. As conclusões excelentes e as mensagens positivitas acima de tudo valorizam muito as produções do ator. Já o diretor Peyton Reed consegue seu segundo sucesso na segunda incursão por Hollywood (o primeiro foi Separados pelo Casamento, de 2006). Já Carrey, que optou por 36% da bilheteria em vez de um alto salário, se deu bem com mais um sucesso na carreira. Nota 7



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Noivas em Guerra



Estreia - 6/2 - Liv e Emma são duas amigas que combinam de casar no mês de junho do mesmo ano (no Hotel Plaza) quando eram crianças. Quando elas crescem Liv se transforma em Kate Hudson (nada muito relevante depois de Quase Famosos) e Emma em Anne Hathaway (com a carreira nos eixos e indicada ao Oscar esse ano por O Casamento de Rachel e que acabou se machucando de verdade numa das cenas). Tudo vai indo bem, elas ficam noivas e contratam a organizadora de casamentos mais importante da cidade (em papel muito bem defendido por Candice Bergen, que também narra a história). Só que a incompetência da secretária faz com que as duas fiquem com a mesma data do hotel. Outro casamento em junho? Só daqui a três anos. Está declarada a guerra.
Kate e Anne são duas atrizes já rodadas e carismáticas, perfeitas para esse tipo de papel nesse tipo de filme. Liv é a primeira a tomar um atitude mais hostil e por ser mais bonita e uma advogada bem sucedida poderia ser algo mais perto de uma vilã. Mas o filme não se leva a sério, se preocupa mais com a diversão sem compromisso, apesar de não obter êxito. A história é um fiapo e não é muito bem conduzida. O diretor Gary Winick se limitou a dar espaço para as duas estrelas carregarem Noivas em Guerra nas costas.
O sucesso de bilheteria nos Estados Unidos já era esperado (no Brasil o filme não fez muito barulho), mas o roteiro em si é bobo, primeiro mostrando as briguinhas entre as protagonistas, depois a corrida pra ver quem faz as coisas mais rápidos, até chegar aos boicotes (como pintar o cabelo da outra de azul). Serve para mostrar alguns defeitos que as mulheres tentam esconder (inclusive para seus respectivos noivos) e um ou outro diálogo mais interessante, como a data-limite para a mulher desencalhar. Não espere encontrar alguém que acredite que uma guerra baseada na inveja termine assim tão facilmente. Nota 4



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sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Quem Quer Ser um Milionário?



Estreia - 6/3 - Hollywood é um lugar muito engraçado. Ano passado a lista dos indicados ao Oscar ficou marcado pelo excesso de sangue e violência, faltando um filme mais "leve" para tentar um equilíbrio. Esse ano a indústria produz Wall*E e Batman - O Cavaleiro das Trevas (que fecham a lista dos grandes lançamentos ainda imbatíveis) e a Academia indica cinco dramas para o prêmio de melhor filme. A explicação para Quem Quer Ser um Milionário? vir com tudo para a vitória nas categorias principais não é fácil. Na minha opinião ele ganhou pontos por ser o longa menos sissudo e talvez o que divirta mais entre os cinco indicados.

O roteiro conta a história de Jamal, um chaiwalla (vendedor de chá) "cheio de verdade", morador de uma favela de uma grande cidade da Índia que participa de programa no estilo Show do Milhão e cria controvérsia ao mesmo tempo que comove o país ao acertar pergunta atrás de pergunta. Não existia trapaça. Na verdade, Jamal buscava em experiências vividas por ele as respostas corretas. Apesar de não ser arrebatadora, a história é muito bem construída, tem boas atuações (os três atores que interpretam o protagonista são carismáticos e defendem bem o papel) e se destaca a trilha sonora pop-indiana, liderada pela canção da cantora M.I.A.

O longa entretém mais do que os dramas habituais desse ano, mas está longe de ser o filme mais completo. Sua comparação com Cidade de Deus é muito pertinente, já que foco é a estética da pobreza e da violência, utilizando o mesmo roteiro-estilingue do filme dirigido por Fernando Meirelles. A favela indiana talvez seja ainda pior que a nossa e a cena inicial das crianças correndo da polícia lembra muito o longa brasileiro. Até a M.I.A., que levou o funk carioca lá pra fora está na trilha. Talvez a Academia queira reparar o misto de injustiça e azar por Cidade de Deus ter recebido quatro indicações justo no ano em que Senhor dos Anéis - O Retorno do Rei levou tudo.

Bollywood, a indústria cinematográfica indiana tem muito mais força que nosso pobre cinema nacional e Quem Quer Ser um Milionário? ainda teve a sorte de contar com um Danny Boyle inspirado na direção (há cenas muito bonitas, mesmo se passando num lugar tão feio). O ambiente cheio de maldade e pessoas ruins não é o suficiente para que Jamal se corrompa e deixe de escrever uma bonita trajetória, que vamos descobrindo aos poucos. Por fim, ele merece a recompensa por não se deixar levar por um sistema falido. Mesmo tendo uma história triste, não devemos embarcar no ceticismo com que parte da crítica fora dos Estados Unidos têm tratado o longa. A maneira na qual retrata o povo indiano dá de banho na pasteurizada novela das oito da Globo e a mensagem universal de integridade e honestidade é válida.

Além disso, dá para conhecer bastante a cultura do país e ainda sobra espaço para surpresas. Não é injustiça se Quem Quer Ser um Milionário? vença como melhor roteiro superando a história fantástica de O Curioso Caso de Bejmamim Button. Entendo que o Oscar é um prêmio político, por isso que mesmo não concordando que esse seja o melhor filme do ano, não tiro a credibilidade do prêmio. Se daqui há uma década ele será mais lembrado que Cidade de Deus (não adianta, está nítida a inspiração) ou qualquer outro filme de 2008, eu não sei. Creio que não. Mas o slumdog se mostrou uma grande pedra no sapato de muito gigante. Nota 9



Oscar 2009
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quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Milk - A Voz da Igualdade



Estreia - 20/2 - A vida começa aos 40, já ouviu essa frase? Pois bem, Milk é um homossexual na San Francisco do início da década de 1970. Apesar da explosão da contracultura ter nessa cidade uma de suas capitais, os tempos eram de intolerância e ser gay era um crime a ser punido. Perto de completar 40 anos e apaixonado por Scott, ele decide mudar pelo menos o bairro onde mora e criar ali um centro de comércio para homossexuais. Gus Van Sant faz uma boa reconstituição da década de 1970 e utiliza seu estilo característico em prol da história. Milk é interpretado por um Sean Penn muito inspirado numa interpretação muito intensa (não conheço o verdadeiro Harvey Milk).
A luta pela integração e pela tolerância é pautada por cenas fortes de amor entre pessoas do mesmo sexo (há pessoas que ficam chocadas ou constrangidas com isso) e é uma pena que o filme em si seja um pouco panfletário ou lento em algumas partes. Quando a empreitada de Milk vai ganhando força econômica entra em cena a luta política pelos direitos civis dos gays, os confrontos com a polícia local e a chegada de pessoas que vão aderindo à causa. Scott está muito bem defendido por um James Franco, que pela primeira vez em sua carreira ganha destaque. Emile Hirsch faz um michê afetado que se torna um dos ativistas mais apaixonados. A trajetória de Milk tem o fim trágico entregue desde o início (ele mesmo grava uma fita já no receio de ser assassinado) e a parte que se concetra no drama político do homem que precisou de quatro eleições para se tornar supervisor da cidade de San Francisco é interessante. As alianças políticas, a oposição de Dan White (mais um grande reforço no elenco com Josh Brolin) e a série de referendos pelo país são alguns destaques.
Há discussões que são pertinentes até hoje, mas a preocupação em se manter neutro e evitar a polêmica não deixa espaço para os embates no roteiro. A trilha sonora de Danny Elfman, utilizando a ópera como fundo de todo o filme, irrita um pouco, mas a Academia gostou e a indicou para o Oscar. Aliás, houve um pouco de exagero nas oito indicações para Milk (as outras sete são: filme, diretor, ator, roteiro original, ator coadjuvante - Josh Brolin, edição e figurino). Van Sant, Penn e o roteirista Dustin Lance Black (de apenas 34 anos e que escreve também a série Big Love) mereciam ser lembrados, mas as outras cinco indicações foram um pouco a mais. O longa utiliza como base o documentário The Times of Harvey Milk, que venceu em sua categoria o Oscar em 1985. Claro que o que fica é a atuação de Sean Penn, num ano de grandes interpretações para filmes apenas corretos, como esse. Nota 6




Oscar 2009
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terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Lutador



Estreia - 13/2 - Há algo de especial no filme O Lutador. A história é um pouco semelhante a de Rocky Balboa, lançado há dois anos e fala de um homem que só se sente vivo dentro de um ringue. Mickey Rourke (indicado ao Oscar de melhor ator e vencedor do prêmio no Festival de Veneza) foi taxado de "freak" por conta de sua caracterização, mas sua performance é fantástica e há uma explicação para isso. O ex-galã, que foi destaque no cinema na década de 1980 estrela um filme semi-biográfico. No início dos anos 1990, Rourke abandonou a carreira de ator para se dedicar ao boxe e tal escolha trouxe sérios danos à sua pessoa (e a sua carreira).
Dessa forma, tudo o que o personagem Randy (The Ram, ou O Carneiro) fala está muito bem defendido, percebendo nitidamente a sinceridade da atuação de Rourke. O lutador gente boa que se exibe para poucos espectadores no final de semana divide espaço com um operário comum, trabalhador de um supermercado. Quando ele exagera em uma luta (que envolve grampeadores e uma perna mecânica - aliás, há cenas bem violentas), Ram para no hospital e precisa operar o coração. O médico informa que é impossível fazer o mesmo esforço que ele fazia antes e o lutador precisa se aposentar.
Descoberto isso, o homem precisa recuperar o amor de sua filha e levar adiante sua paixão por uma stripper (Marisa Tomei, indicada ao Oscar de coadjuvante, por conta de suas poles e taps dances sensacionais). A vida mais saudável fora dos ringues não comporta mais aquele homem solitário, que mora num trailer improvisado e precisa de pouco para passar o dia. Só que nesse ponto da vida, o mundo já deu as costas a Rourke (o ator e o personagem).
O papel melancólico é digno de prêmio da Academia sim, já que o ator encontrou a medida ideal para que Ram não fosse um amargurado ao extremo e para que O Lutador se transformasse num grande filme. Já a stripper interpretada por Tomei é praticamente ignorada em seu ambiente de trabalho e tem medo de se arriscar num romance com um cara que visita bar de strippers, claro.
A direção de Darren Aronofsky (em seu quarto filme elogiado na sequência, mas infelizmente esse é o primeiro que assisto) ajuda bastante. Minha cena preferida é quando Ram, começando na função de cortador de frios no supermercado, imagina estar escutando a multidão gritar seu nome. A canção de Bruce Springsteen é boa, mas O Lutador possui outras pérolas do rock na sua trilha sonora (o que só ajuda). Para quem viveu os anos 1980, o longa deve ser ainda melhor. Os vinte minutos finais fizeram O Lutador subir mais um ponto. Nota 8





Oscar 2009

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sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Leitor



Estreia - 6/2 - O Leitor é dirigido por Stephen Baldry (Billy Elliot e As Horas) e estrelado por Kate Winslet. Aliás, não sei porque ela foi indicada a alguns prêmios como coadjuvante, já que o longa é todo dela. Em Berlim na década de 1950 um adolescente, Michael, passa mal na rua e é socorrido por Hanna (Winslet). A partir daí eles criam um vínculo que mistura desejo e gratidão de ambas as partes. Ele passa a tarde lendo obras clássicas para ela e ao final do dia eles fazem amor.
A primeira meia hora é um bombardeio de cenas de sexo (aliás, por isso que "vazou" fotos de Winslet nua, já que não faria falta, dada a quantidade de momentos em que ela passa sem roupa). O jovem ator David Kross se sai bem e parece a vontade nas cenas mais difíceis. O romance fora dos padrões vivido pelo casal muda um pouco de figura quando Hanna desaparece e a história dá um salto no tempo. Já como estudante de Direito, Michael presencia o julgamento de sua ex-amante por assassinatos contra judeus na Segunda Guerra Mundial. A gratidão vira decepção e o aspirante a juiz vê a dificuldade de se manter imparcial num julgamento movido por emoção (questão ética que passa desapercebida para a maioria e poderia ser mais explorada). Hanna na verdade nunca abriu sua vida para o jovem Michael.
Permeando as cenas do passado, vamos conhecendo o Michel já adulto e importante jurista, agora vivido por Ralph Fiennes (fechando com chave de ouro o ano de Na Mira do Chefe e A Duquesa), o ritmo de O Leitor não é dos mais animadores, mas trata-se de um grande filme. Aquele tipo que a Academia gosta, com tudo no lugar (a trilha certinha, as atuações dignas). Há mistério, surpresa, uma narrativa que passeia pelo tempo. O Leitor faz o estilo de Desejo e Reparação, que conseguiu um lugar entre os finalistas do Oscar do ano passado (a cronologia e anti-clímax são idênticos). Com o desenrolar da história, o bonito romance vai se concretizando e pode ser que muitos se emocionem com a meia hora final. Não há julgamento de valores e entendemos por completo o que se passa. Eu achei Kate Winslet melhor em Foi Apenas um Sonho. Na minha opinião, O Leitor é um longa com coisas boas e ruins e achei exagerado e injusto que essa produção tenha roubado a vaga de Batman - O Cavaleiro das Trevas nas categorias filme e direção (ele ainda foi indicado a roteiro, atriz e fotografia). Nota 7



Oscar 2009
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terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Hellboy 2: O Exército Dourado



Estreia - 5/9/2008 - Hellboy 2 retoma a história do filme de 2004 que explodiu no mercado de DVDs depois de uma passagem discreta pelos cinemas. Nesse novo longa descobrimos que a paz velada entre humanos e não-humanos só é possível por conta da inatividade do Exértico Dourado. A maneira de acionar novamente essa tropa é juntar três pedaços de uma coroa. Príncipe Nuada, sedento de poder, se habilita a unir esses três pedaços e Hellboy (Ron Perlman mais uma vez) precisa impedir.
Guilermo del Toro (O Labirinto do Fauno) é o diretor e roteirista desse filme que está indicado ao Oscar na categoria de Maquiagen. Seu estilo único faz de Hellboy 2 um filme tão bom e divertido quanto o primeiro, com grandes momentos de ação, terror (destaque para o ataque das fadas dos dentes) e comédia. Essa última ocorre muito por conta do relacionamento do personagem-título e Liz (Selma Blair), que está grávida. Pode ser que você prefira Indiana Jones ou A Múmia, mas não tem como negar que Hellboy tem uma produção mais caprichada e uma história muito mais original, contando com aquela mistura de personagens assustadores e encantadores, trazido pelo diretor mexicano. É justamento o que Hollywood precisa. Nota 7




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Procurado



Estreia - 4/7/2008 - O Procurado foi uma agradável surpresa de 2008 nos cinemas. Eu esperava um filme escapista sem uma cena de ação inesquecível, mas fiquei bem satisfeito ao sair do cinema. O longa conta a história de uma liga de assassinos liderada por Sloan (Morgan Freeman) que convida Wesley Gibson (James McAvoy) para fazer parte do grupo recebendo missões após um treinamento muito prazeroso com Angelina Jolie, que dizer, Fox.
A canção do filme (The Little Things) é uma de poucas que me chamaram a atenção no cinema esse ano. Os efeitos especiais são bem generosos, o roteiro tem muita ação, tudo está sempre se movimentando e percebe-se que os produtores não economizaram para fazer o filme. Foram recompensados com indicações ao Oscar nas categorias Efeitos Sonoros e Edição de Som.
Não tem como não gostar da trama do garoto com sua "ordinary life" enfadonha que descobre que possui um grande talento que pode realmente fazer da sua vida algo divertido. Aos poucos vai se conhecendo a origem do menino, o passado do seu pai e aquela parte clássica do rigoroso treinamento que prepara para o grand finale de O Procurado. Mas o que fez o longa se destacar em 2008 são as constantes reviravoltas de um roteiro inteligente, que mesmo abusando das mentiras, é um Jumper muito melhor, inclusive o final (o de O Procurado é excelente e o de Jumper meio bobo). Só não ligue para um certo absurdo envolvendo ratos e máquinas de tecelagem. Nota 7



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terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Curioso Caso de Benjamim Button

A maratona começou! Com a proximidade da lista final do Oscar, os cinéfilos do mundo todo se voltam aos filmes que provavelmente garantirão algumas indicações. Isso ocorre com O Curioso Caso de Benjamim Button, produção que tem feito frente ao favoritismo de Slumdog Millionaire. Ontem eu conferi e reservo o post de hoje para o longo longa de David Fincher, mais uma para a lista de 2009.



Estreia - 16/1 - Chegou o grande dia, aquele em que finalmente assistiria o filme orçado em 150 milhões de dólares que é a menina-dos-olhos de Davind Fincher, um dos grandes diretores da atualidade. A premissa do roteiro se espalhou pelo mundo como a fantástica ideia de um homem que nasce velho e ao longo da vida vai rejuvenescendo (F. Scott Fitzgerald, que escreveu o conto, se inspirou numa frase de Mark Twain). Muita coisa rolou para que a trajetória de Benjamim Button pudesse virar uma realidade nos cinemas. No início da década de 1990 quase vimos Steven Spielberg dirigindo Tom Cruise no papel principal. Em 1998 chegaram a anunciar que Ron Howard seria o diretor e John Travolta o protagonista (e são duas coisas das quais eu voltarei depois). Spike Jonze também quis levar o conto para a telona e Rachel Weisz só não fez o papel de Cate Blanchett por conflitos de agenda. E foi com esse espírito que eu entrei no cinema.
Apesar de longo, pouca coisa precisa ser falada sobre O Curioso Caso de Benjamim Button. Tudo está ali, muito bem construído. O início de sua vida, com a rejeição do pai e sua criação por uma mãe adotiva negra que morava numa casa de repouso tem o claro propósito de contar a história num ritmo particularmente lento. Ao mesmo tempo em que entendo a intenção dos realizadores de filmes densos, que brigam sempre pelos prêmios mais importantes, eu me preocupo que longas com essa proposta afaste público. Eu já ouvi gente dizendo que O Curioso Caso de Benjamim Button é ruim e sei que uma pessoa não pode estar falando isso baseado em coisas que realmente fazem um filme ser ruim. Ele é tecnicamente perfeito, as interpretações são extraordinárias, o roteiro é diferente de tudo o que já passou pelos cinemas. Ele só tem o porém de ser lento apesar de, menos mal, não se prolongar nas cenas e ter um certo bom humor. Fico feliz com a boa aceitação das pessoas mais próximas e com a bilheteria alta para o tipo de filme (se bem que David Fincher atrai muita gente - não atraiu em Zodíaco).
Voltando à história em si, é interessante a forma como Button tenta viver sua vida nos primeiros dez, quinze anos. Para quem pensa que é fantástico nascer velho e morrer novo, perceba que o personagem está com o corpo debilitado e a mente de uma criança e não tem coisa pior do que isso. É uma pessoa em formação com deficiências da idade. Talvez por isso que Button trate a morte com uma naturalidade assustadora (ele recebe notícias de que amigos dele acabam de morrer o tempo todo). O roteiro se prende à primeira metade da vida dele com uma força de alguém que diz que Button não pode ser feliz por completo já que ele simplesmente não é normal e vai morrer de uma forma absurda. A depressão dele é de quem leva a vida sabendo a hora exata da morte.
Mas o sensacional mesmo é a fase em que ele está com a mente de uma pessoa de vinte anos e o corpo de um cinquentão (tudo bem, admito que é um Brad Pitt cinquentão). Ao expandir seu horizontes para além do asilo, Button vai conhecendo pessoas que o tratam como alguém experiente, mal sabendo que são coisas que ele ainda tem que descobrir (o trabalho, o sexo, o trato com o dinheiro, a amizade com gente que não está velho esperando a morte). Essa é uma fase dura mas fundamental para ele, que entenderá como um homem mais jovem deve se comportar. E é nessa hora que o amor dele por Daisy, menina que conheceu quando era considerado um velho, vai se tornando possível. Sobre Cate Blanchett, sem comentários: ela é perfeita em qualquer papel e é mais um para sua lista de personagens inesquecíveis. Geralmente eu não gosto dos atores fazendo papel de pessoas muito velhas, mas o que Cate faz, permeando o filme todo no seu leito de morte, é sensacional.
Sobre Brad Pitt, devo me alongar. Juro que enquanto assistia O Curioso Caso de Benjamim Button eu pensava estar vendo o papel da vida dele (e ele fez muito bem em exigir sua interpretação em todas as fases do protagonista). Mas o que ele já fez na carreira me permite duvidar dessa afirmação. Não adianta negar que ele é um grande ator. É o mesmo cara que fez, na ordem, Lendas da Paixão, Se7en, Os Doze Macacos, Sleepers, Sete Anos no Tibet, Clube da Luta, Tróia e O Assassinato de Jesse James pelo Covarde Robert Ford e em todas essas vezes a gente pensava que aquele era o papel da carreira de Brad Pitt (ano passado exigiam uma indicação para ele por Jesse James). Está na hora de um merecido reconhecimento. Mickey Rourke e Sean Penn podem ter saído na frente, mas tem sim chance dele vencer o prêmio máximo do cinema. O ator poderia entregar uma atuação piegas, ou então melancólica ao extremo para que nos provocasse pena. Porém, Pitt atua na medida certa.
Aí você vai me perguntar: o filme é perfeito? Sim e não. Não dá pra falar mal do roteiro, dos efeitos, das atuações, do diretor. Ninguém consegue. Mas falta emoção um pouco. A tristeza dos primeiros anos não se refletiu lá na frente (e não entro em detalhes para não estragar o filme). A história vai muito bem, mas há momentos em que não se vê a grandiosidade de um longa inesquecível, arrebatador, que provoca em você um turbilhão de sentimentos. Eu sei que são poucos filmes assim, mas esperava que O Curioso Caso de Benjamim Button fosse um deles. A preocupação de entregar um longa sem erros não deu ao espectador a proximidade que grandes filmes geralmente trazem. Ele não tem aquele brilho dos recentes Na Natureza Selvagem ou Sangue Negro.
Quando lá no início me interessei pelo fato de que Spielberg quis dirigir a história no início da década de 1990, é porque ele é o mestre em criar esse tipo de coisa. Talvez exagere algumas vezes, mas pense em A Lista de Schindler. Aliás, pense no que Robert Zemeckis fez em Forrest Gump (que muitos gostam de comparar com Benjamim Button porque vai contextualizando historicamente: 1ª Guerra, 2ª Guerra, anos 60). Não preciso dizer mais nada. Já Ron Howard faria parecido com Fincher, mas talvez sem a mesma qualidade técnica. Os filmes dele raramente emocionam (a óbvia exceção é Uma Mente Brihante), mas gostaria de ter visto Travolta de Benjamim Button. Pensar em Spielberg como procutor e o próprio Fincher dirigindo não me sai da cabeça.
A nota engraçada é que Danny Boyle, diretor de Slumdog Millionaire, adiou seu projeto chamado Solomon Grundy, que dizem ser muito parecido com esse aqui. E pode ser justamente Boyle a tirar o Oscar de filme e de diretor das mãos de Fincher.
Eu saí do cinema satisfeito (e dizendo isso agora acrescento mais um ponto na nota. Acordei rígido demais hoje, mas melhorei). Mas é importante que se diga que O Curioso Caso de Benjamim Button é um filme preocupado em falar da morte (e tem gente que não gosta disso). Veja o que acontece com as pessoas, os objetos e as lembranças ao final. Só que também é importante reconhecer que a insistência dos grandes diretores e dos grande filmes em falar sobre a morte é a melhor maneira de se celebrar a vida de verdade que existe do lado de fora da tela. Nota 9