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sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

A Árvore da Vida (1957)



Sinopse: Neste melodrama sobre a guerra civil norte-americana, um professor se apaixona por uma mulher do sul, mas a Guerra Civil coloca obstáculos aos dois. Ao estilo ...E O Vento Levou, Elizabeth Taylor interpreta uma garota mimada que se apaixona por Montgomery Clift, que está noivo de outra. Mas ela o conquistará, mesmo que tenha que usar truques sujos. Quando a Guerra estoura, ele parte para as batalhas, enquanto ela entra em depressão e enlouquece. Com o fim dos conflitos, Clift retorna para casa e tem um novo desafio: ajudar a esposa a sair da insanidade e manter a família unida. (Fonte: Cine Click)

Motivo para assistir: Saber porque esse filme não sobreviveu ao tempo

Estreia – 20/12/1957 (nos EUA) – Uma história da vida pessoal do blogueiro: ele sempre quis assistir a esse filme por conta de uma fotografia enorme do Rio de Janeiro de antigamente que ele adorava ver quando, ainda criança, ia lanchar com seus pais no Palheta, uma lanchonete tradicional que ficava na Praça Saens Peña, Tijuca. Hoje o Palheta virou uma farmácia, a fotografia se perdeu e, anos depois, ele consegue ver A Árvore da Vida, não o elogiado (e ainda não visto pelo Blog) filme de Terrence Malick, mas essa produção de 1957 do já experiente diretor Edward Dmytryk. A realização desse longa parece ter sido um erro e serve de balde de água fria para aqueles que acham que basta ser dos anos 1950 e made in Hollywood para ser um clássico. Mesmo assim, ele deu a primeira das cinco indicações de Elizabeth Taylor ao Oscar (ela perdeu para Joanne Woodward por As Três Faces de Eva), além das nomeações por Música, Figurino e Direção de Arte. Pouco, para aquele que foi considera na época, um da (ou uma das) produções mais caras da História – que construiu inteiramente a cidade de Freehaven e foi pioneira no processo conhecido como Câmera 65 na MGM (o segundo filme a ser feito dessa maneira, que substituiu o Cinerama, foi Ben-Hur).

Realizado no auge da criatividade dos cineastas norte-americanos, os primeiros quarenta minutos do longa de duas horas e cinqüenta minutos de duração são quase impecáveis. A canção de abertura Raintree Country (título original de A Árvore da Vida) interpretada por Nat “King” Cole, é linda. A introdução ambientando o espectador em uma formatura no norte dos Estados Unidos no ano de 1859 é notável. O primeiro conflito fica por conta do relacionamento de John (Montgomery Clift) e Nell (Eva Marie Saint). Clift, de poucos e bons filmes, sofreu um grave acidente de carro durante as filmagens e teve seus movimentos comprometidos para sempre e seu rosto totalmente desfigurado, sendo a primeira metade de A Árvore da Vida o único registro em cores da “aparência original” do ator. No longa, John sonha em ser escritor e o pai, muito religioso, não deixa de incentivá-lo (ao contrário da mãe). Ao mesmo tempo ele se mostra contra o amor entre os jovens, por conta da origem humilde da moça. Tudo muito bem apresentado. A lenda da árvore da vida parece dar um toque de fantasia a um drama familiar – que no começo lembra muito A Caldeira do Diabo (lançado no mesmo ano) e outros do gênero. Todavia, esse ótimo panorama feito pelo roteiro se perde.

O segundo conflito, que tomará a maior parte do filme, começa quando John conhece a sulista Susanna e Elizabeth Taylor entra em cena. Ela é filha de um falecido Senador e parece ter a dignidade que o pai de John quer. A aproximação dos dois não é freada pelos ciúmes de Nell e o casamento com Susanna dá uma lição àqueles que em um impulso se casam sem conhecer o futuro companheiro.

O roteiro de Millard Kaufman se perde de vez quando entra em cena a Guerra Civil Americana. Não há uma definição da trama, um indicativo se John assumirá a posição de ianque em um ambiente sulista ou se seu foco será o mistério no trauma do passado de Susanna. Taylor entrega uma interpretação que lembra a Blanche de Vivien Leigh (Uma Rua Chamada Pecado, que marcou época ao ser lançado seis anos antes), a mesma de E O Vento Levou – que trata de maneira tão mais eficiente a Guerra de Secessão que chega a dar pena.

Um lampejo de graça é o que consegue o texto na passagem em que John, eleitor de Lincoln, se nega a ter escravos. Porém, tudo descamba para uma discussão política batida em um roteiro que atira para todos os lados com tramas que não combinam. Não soube inserir o contexto histórico no melodrama e vice-versa. Na hora final, então, A Árvore da Vida está perdido em sua indefinição: sem drama, romance, guerra ou história que o sustente minimamente. Nota 5



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quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Anatomia de um Crime




Sinopse: No Michigan, Paul Biegler é um advogado que é auxiliado por um alcoólatra, Parnell McCarthy. Após ter recusado o caso inicialmente, ele decide aceitar a defesa de Frederick Manion, um tenente do exército acusado de assassinato. O réu alega que a vítima violentou Laura Manion, sua mulher, mas seu oponente é Claude Dancer, um conceituado promotor que afirma que a alegação do réu é falsa e que Laura, que tem uma reputação de promíscua, estava realmente tendo um caso com o bartender assassinado, sendo que durante um acesso de cíúme Frederick teria intencionalmente cometido o crime. (Fonte: Cine Players)

Motivo para assistir: Um clássico drama de tribunal

Estreia – 01/07/1959 (nos EUA) – James Stewart, um dos rostos da Era de Ouro de Hollywood, entrega mais uma atuação sóbria e admirável em mais um clássico em que simplesmente não há argumentos para críticas. Anatomia de um Crime narra a história de Paul Biegler, um advogado desmotivado que só quer saber de pescar após perder o cargo de Promotor do Distrito. Passa horas no bar com seu amigo bêbado, até que um cliente cai em seu colo. Considerado polêmico na época por usar palavras fortes ("bitch", "contraceptive", "panties", "penetration", "rape", "slut" e "sperm"), o longa foi banido de Chicago e reprovado pelo pai do protagonista, que circulava por sua cidade pedindo para que as pessoas não o assistissem. Mesmo assim, é lembrado até hoje como um dos 10 dramas de tribunal mais importantes do cinema americano.

Não é a toa que essa fita deu a Stewart um troféu no Festival de Veneza e sua quinta indicação ao Oscar (ele venceu por Núpcias de Escândalo e perdeu por A Mulher Faz o Homem, A Felicidade não se Compra e Meu Amigo Harvey). Perderia em 1960 para Charlton Heston em Ben-Hur. Aliás, o épico considerado um dos grandes filmes de todos os tempos foi a pedra no sapato de Anatomia de um Crime, que recebeu outras seis indicações (Filme, Ator e Atriz Coadjuvantes, Roteiro Adaptado, Edição e Fotografia em Preto e Branco) e não ganhou nenhum. Um dos destaques da edição é a ausência do uso de flashbacks, técnica odiada por Otto Preminger e que poderia ser usada de qualquer maneira para facilitar a compreensão do filme. Ao optar por não utilizá-la, encontra o roteiro uma proximidade com a realidade de um julgamento que atinge em cheio o espectador. Seu ritmo é tão perfeito que o diretor chegou a processar a Columbia por ter vendido os direitos de Anatomia de um Crime para a televisão, pois o filme de duas horas e quarenta minutos foi interrompido treze vezes por intervalos comerciais! Ele perdeu o processo, claro.

O longa explora seu viés jurídico ao discutir se o caso a ser julgado se encaixa numa “legítima defesa da honra de terceiro”, apesar do fato de o homem violentar a esposa não ter sido tão próximo do segundo evento (admitindo sua cogitação), e da vítima do primeiro ser uma mulher extremamente provocante. Anatomia de um Crime difere de outros dramas de tribunal no fato de o advogado de defesa realizar uma investigação prévia antes de aceitar o caso. Ele precisará construir uma boa imagem de Laura Manion como vítima, enquanto a acusação fará de tudo para ignorar esse fato. O papel estaria muito melhor em Lana Turner, mas essa recusou no auge de sua forma, após lançar A Caldeira do Diabo e Imitação da Vida. Sua negativa se deu porque Turner queria que seu figurino fosse todo desenhado por seu estilista profissional. O estúdio esteve prestes a aceitar a exigência, mas o diretor Otto Preminger vetou a solicitação. Remick, que sempre foi a primeira opção de Preminger, não compromete e três anos depois foi lembrada para vários prêmios por sua boa atuação em Vício Maldito.

A primeira hora do longa se passa fora da Corte. Mesmo assim, nas cenas de julgamento, a produção não deve nada aos melhores do gênero. A grande qualidade do filme é mostrar a busca por e a luta entre argumento, a criação e desconstrução de teses (sem perda de tempo com tramas paralelas). É a verdadeira anatomia de um crime, é Direito puro a exemplo de 12 Homens e uma Sentença e O Vento Será sua Herança. Além de tudo isso, o longa é muito bem filmado e editado. Impressiona saber que sua pós-produção foi feita apenas um mês antes do lançamento. Ou seja, um clássico absoluto. Nota 9



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quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Adeus às Armas (1957)



Sinopse: No inverno de 1917, um americano motorista de ambulâncias (Rock Hudson) se alista no exército italiano e é ferido em ação. Ele recebe os cuidados de uma bela e jovem enfermeira (Jennifer Jones). Quando percebem que estão apaixonados, tentam fugir dos horrores da guerra indo para a Suíça em busca de paz e felicidade. Lá o destino aguarda para perturbar seus planos. Esta tocante e trágica história de amor, baseada no famoso romance de Ernest Hemmingway foi levada às telas em uma produção espetacular de David O. Selznick (o produtor de ... E o Vento Levou), e conta ainda com fantásticas cenas de ação.No inverno de 1917, um americano motorista de ambulâncias (Rock Hudson) se alista no exército italiano e é ferido em ação. Ele recebe os cuidados de uma bela e jovem enfermeira (Jennifer Jones). Quando percebem que estão apaixonados, tentam fugir dos horrores da guerra indo para a Suíça em busca de paz e felicidade. Lá o destino aguarda para perturbar seus planos. Esta tocante e trágica história de amor, baseada no famoso romance de Ernest Hemmingway foi levada às telas em uma produção espetacular de David O. Selznick (o produtor de ... E o Vento Levou), e conta ainda com fantásticas cenas de ação. (Fonte: 2001 Video)

Motivo para assistir: Clássico da Literatura

Estreia – 14/12/1957 (nos EUA) – Não se fazem mais livros (romances) nem adaptações destes para o cinema como antigamente. Melhor do que lamentar mais um filme da saga Crepúsculo no cinema é tentar se socorrer em produções como essa, de 1957, rodado no Cinecittá da Itália com Rock Hudson e o indicado ao Oscar pelo papel coadjuvante Vittorio de Sica (que queria ser o diretor). Produzido por David O. Selznick de E O Vento Levou e Rebecca, A Mulher Inesquecível - refilmagem de outra, de 1932 estrelada por Gary Cooper. Não é necessário perder tempo elogiando a qualidade da produção do filme.

Mesmo assim, um dos grandes críticos acabou sendo o próprio autor Ernest Hemingway, que mesmo sem ter direito a nenhum valor recebeu uma quantia de Selznick, que pretendia que o grande escritor ajudasse na divulgação do longa. Ganhou apenas uma referência ruim, por ter selecionado para o papel da enfermeira a atriz Jennifer Jones, então com 38 anos, para interpretar uma jovem de 21. Apesar de todo esse pedigree, o ritmo de Adeus às Armas é lento e chega a comprometer. O foco do roteiro nunca é a guerra, sempre o romance, deixando uma ligeira impressão de que o sucesso do livro fez os realizadores acreditarem que o jogo estava ganho, sem se preocupar em adaptar à linguagem cinematográfica algumas das passagens. O roteirista Ben Hecht fez trabalho bem melhor duas décadas antes, em O Morro dos Ventos Uivantes.

O fracasso de público e crítica encerrou a carreira de Selznick como produtor (ele faleceria oito anos depois e chegou a demitir o diretor John Huston ao longo das filmagens). Rock Hudson afirmou que optar por Adeus às Armas e recusar ser a estrela de Sayonara e Ben-Hur foi a maior erro de sua vida profissional. À exemplo de Sem Novidades no Front a crítica à violência da I Guerra Mundial é a camada mais interessante do longa, que diverge de outros do mesmo estilo por apresentar um casal de protagonistas que assumidamente querem fugir da batalha. Nota 6

ps.: O vídeo abaixo faz um resumo completo do longa e é recheado de spoilers. Em outras palavras, ele mostra tudo, até o final. Se você deseja assistir o filme, não veja o vídeo.



ps2.: No You Tube há a versão integral da primeira versão, de 1932. Coloco o vídeo aqui e assim que puder o Blog assiste e comenta.




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sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Recontando - O Dia em que a Terra Parou



Hoje estreia um post especial. Sempre que possível o blog assiste e comenta filmes que ganharam novas versões, principalmente aquelas que estão no cinema nesse momento. Dia 9 de Janeiro estreou no Brasil a refilmagem de O Dia em que a Terra Parou, filme escolhido para abrir esse quadro, que terá um marcador próprio no lado esquerdo do blog. Sempre que esses posts especiais aparecerem não haverá as observações finais. A nova versão do filme entra para a lista dos longas de 2009.

Dia em que a Terra Parou (1951)



Estreia - 28/9/51 (nos EUA) - O clássico absoluto do diretor Robert Wise (baseado no conto Adeus ao Mestre, de Harry Bates) envelheceu pouco nesses quase 60 anos. O diretor já havia vencido um Oscar de edição em 1941 por Cidadão Kane, mas o auge de sua carreira viria depois, com a direção de Amor, Sublime Amor (1961), A Noviça Rebelde (1965), O Canhoneiro de Yang-Tsé (1966) e Jornada nas Estrelas - O Filme (1979). Foi com muito prazer que um mês depois de assistir O Dia em que a Terra Parou pela primeira vez, revejo um dos longas preferidos de diretores como Steven Spielberg e George Lucas para escrever aqui no blog.
A música-tema, ouvida pela primeira vez nos créditos iniciais, é perfeita e fica na memória de todo fã de cinema. A primeira cena, com a chegada da nave espacial em Washington é um dos poucos efeitos especiais mais complexos do filme e apesar de envelhecido e com toques de filme B, é inesquecível. A maneira sem rodeios como Robert Wise conduz O Dia em que a Terra Parou é sua maior qualidade.
Klaatu (Michael Rennie) faz questão de frisar para o povo do Planeta invadido que vem em missão de paz. Todavia, é recebido à bala pelo Exército dos Estados Unidos. Ao ver essa produção de 1951 é fácil se lembrar de referências em produções posteriores. A frase "Klaatu barakta niktro" aparece em Contatos Imediatos do Terceiro Grau e Star Wars, por exemplo. O formato da nave espacial, o tal "disco voador" é copiada até hoje. Mas o roteiro de O Dia em que a Terra Parou passa longe das bobagens da maioria dos filmes de ficção científica atuais.
Em plena Guerra Fria, Wise teve a coragem de colocar na capital do capitalismo um alienígena que tem a missão de reunir todas as nações da Terra, algo impossível. A crítica feita à ONU em 1951 é de emocionar (aliás, o filme sensibilizou muito o público na época). Hoje é fácil falar que essa organização não é muito eficaz, mas ouse falar disso logo depois de sua criação.
Na sequencia do longa, para que Klaatu consiga manter um diálogo, Gort, um robô tosco que não quiseram nem disfarçar que é um homem (de 2,35 m de altura) com uma fantasia, aparece e faz as armas virarem pó (há momentos em que os fios que prendem o robô podem ser vistos). Dessa forma percebe-se um grau elevado de desenvolvimento do visitante de outro planeta, assim como na cena do hospital, onde mostram a facilidade de recomposição do organismo extraterrestre.
O roteiro também usa um personagem mais liberal para cutucar os democratas, dizendo que eles são mais de palavras do que de ação (a principal diferença ideológica entre os dois partidos americanos). Porém, é nos cientistas que Klaatu parece achar a ética para um diálogo que pode condenar nosso planeta à extinção. A vinda de Klaatu foi motivada pelo desenvolvimento da energia nuclear, usada de maneira equivoca na 2ª Guerra Mundial pelos Estados Unidos. Por conta dessa corrida armamentista desenfreada os representantes de outros planetas resolvem enviar um representante à Terra para alertar nosso povo de que manter a guerra fará com que o planeta seja eliminado, já que se tornou uma ameaça aos outros povos. A intenção de paz de Klaatu fica comprovada quando Gort para todos os movimentos mecânicos do mundo mas deixa funcionando aviões e hospitais, para que nenhuma vida se perca nessa missão.
Com o distanciamento histórico de quem sabe o que aconteceu depois do lançamento do filme, percebe-se que tal mensagem pacifista simplesmente contrariava tudo o que se pensava no mundo da Guerra Fria. Por isso que O Dia em que a Terra Parou foi e continua sendo tão especial. Em 2001 a AFI o considerou o 82º filme mais emocionante de todos os tempos. Já em 2006 foi eleito o 67º mais inspirador e em 2008 o 5º maior filme de ficção científica que já existiu. Há quem garanta que Klaatu é uma analogia à Jesus Cristo, pela escolha do sobrenome Carpenter (Carpinteiro), por ressucitar, por citar um espírito todo-poderoso há todo momento e por pregar a paz entre os homens.
É fantástico o momento em que Klaatu passa a viver como uma pessoa comum. O menino Bobby, por exemplo, tem a clara intenção de mostrar como curiosidade, pureza e sperança são maiores numa criança do que num adulto. Helen, sua mãe, representa o ser humano esclarecido, forte e com bom senso, tão fundamental mas tão sumido desde sempre. O final aberto a discussões e a mensagem antibélica faz de O Dia em que a Terra Parou um filme irretocável. Nota 10



Dia em que a Terra Parou (2008)



Estreia - 9/1 - O diretor Scott Derrickson nunca fez nada relevante no cinema. Tudo bem, O Exorcismo de Emily Rose (2005) é um filme legal, mas Scott é quase um estreante. Por isso é quase um equívoco permitir que o diretor, que é fã do longa original, refilme O Dia em que a Terra Parou. Os primeiros cinco minutos do filme, na Índia do final do século 1920, é totalmente desnecessário e só serviu para gastar dinheiro.
Keanu Reeves é Klaatu (sem o barakta niktro) e Jennifer Connely interpreta Helen, que aqui tem a função de mulher e cientista acumulada. A NASA, devido à tecnologia atual, já sabe que algo está vindo em direção à Terra e a reunião de "cientistas esclarecidos" já é feita antes da nave espacial chegar. Não há noção de humanidade por nenhum personagem do longa, o filme é extremamente pessimista e sem alma. A criança (interpretada pelo filho de Will Smith) não é mais o sopro de esperança do planeta, é um garoto chato que não respeita a mãe.
Há aquela ladainha científica a todo instante, o rastro de destruição para encher de efeitos especiais e Nova York (sim, como no cinema moderno todas as catástrofes acontecem lá, não tinha sentido a nave descer em Washington). É aquele filme apocalíptico comum e até meio chato. Tanta coisa é adaptada que a proposta de atualizar um clássico não foi cumprida. A homenagem mais clara é a cena em que Klaatu resolve a fórmula matemática no quadro do Dr. Urban. A cena do McDonald's ainda me deu esperança de que a mensagem a favor do homem seria o tom desse novo O Dia em que a Terra Parou (aliás, a ideia de que todo ser humano tem salvação é semelhante à mensagem de Transformers).
Na trama, Klaatu (muito mal interpretado e, vejam só, com superpoderes) não vem mais em missão de paz, ele está disposto a salvat a Terra dos homens, exterminado-os. Em épocas de globalização não foi mais possível que Klaatu conviva por muito tempo com as pessoas, mas o que mais deu pena foi a forma ruim como conduziram o personagem de Jacob (a nova versão de Bobby, o menino que ensina para o alienígena muito de nosso mundo no filme original).
O robô Gort não se limita a desarmar o inimigo e possui uma raiva incontrolável. Se você gosta de filmes de ação, com pouco conteúdo e se amarra em efeitos especiais bem realizados (sem se importar muito com a história) talvez O Dia em que a Terra Parou até te agrade. Eu levo em conta esse aspecto, por isso mesmo não acho um fracasso total. Só achei que o melhor era fazer outras adaptações no roteiro e lançar a história como outra produção, inspirada no filme de 1951 mas sem esse peso da refilmagem. Nota 3




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