quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Austrália



Estreia - 23/1 - Palavras vindas da Austrália como walkabout (para os fãs de Lost) e Billabong (para os fãs de restaurante gringo e roupas caras), estão cada vez mais presentes em nosso vocabulário. Hugh Jackman é o atual apresentador do Oscar e homem mais sexy do mundo. Nicole Kidman já levou um prêmio desses para a casa. Baz Luhrmann tem 100% de aproveitamento dirigindo três bons filmes (Vem Dançar Comigo, Romeu + Julieta e Moulin Rouge!). Dinheiro não faltou. Por isso que a expectativa sobre Austrália era imensa.
O filme conta a história de Lady Ashley, aristocrata inglesa que em visita à fazenda da família na Austrália, decide levar pelo deserto do país 15.000 cabeças de gado, com o intuito de vendê-las para o Exército no período pré-Segunda Guerra Mundial. Nicole Kidman faz a mulher fresca e preconceituosa que aos poucos vai mudando seus valores, num roteiro pouco inovador. A própria atriz criticou seu desempenho em Austrália. Eu não achei dos piores, apenas percebi a personagem exageradamente afetada no início. Aliás, a primeira meia hora do longa é um pouco confusa e exige muita atenção do espectador, numa mistura de faroeste e comédia meio sem graça.
Com a morte do marido de Lady Ashley e sua incursão pelo interior do país o filme abre espaço para paisagens muito bonitas. Porém, foi o figurino e não a fotografia indicada ao Oscar. Hugh Jackman é a outra ponta do romance dessa produção. Ele vive Drover, um vaqueiro que troca a ajuda pelo transporte do gado por um lindo cavalo de Lady Ashley. O ator usa seu carisma para esconder uma atuação em piloto automático até a última meia hora do filme. A direção fica por conta de Baz Luhrmann, apenas em seu quarto filme em 16 anos de carreira (o último tinha sido Moulin Rouge! há sete anos). Mas seu estilo não cai muito bem em Austrália, um filme que parece sempre que vai engatar a segunda, que vai esquentar, mas fica na mesma. Há grandes cenas, como a do estouro da manada, o ataque japonês ao país no estilo Pearl Harbor ou as que remetem ao Mágico de Oz, mas sempre uma distante da outra.
O miolo é frio, lento, tratando a divisão racial e a exclusão dos mestiços de maneira rasa. Talvez a decepção do espectador é que a impressão que se tinha era que Austrália estaria no nível de um Dança com Lobos (sobre o Oeste americano) ou Entre Dois Amores (sobre a África), já que o filme tem potencial. Destaque mesmo só para David Wenham (300 e Moulin Rouge!) no papel do vilão Neil Fletcher, pai do mestiço vivido pelo garoto Brandon Walters e que quer de toda maneira comprar a fazenda de Lady Ashley. Você sabe quando um fime deixa a desejar quando se esforça para gostar dele ou para assistir algumas partes. Mesmo com um visual impressionante e uma meia hora final muito bonita, Austrália precisava ser melhor e acabou se tornando apenas pretensioso. Nota 5



Oscar 2009
Filmes indicados: 31 (exceto curtas e documentários)
Filmes comentados: 15
Filmes para comentar: 16

Filmes comentados em 2009: 60
Filmes lançados em 2009: 9
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