segunda-feira, 4 de maio de 2009

Drácula (1931)



Estreia - 14/2/1931 (nos EUA) - Talvez a adaptação mais celebrada da obra clássica de Bram Stoker (já passam de 50 entre 1922 com o clássico expressionista Nosferatu e 2006 com uma produção para a televisão britânica) tem como fundamental característica elevar o ator Bela Lugosi, romeno à época em seu 44º filme, a ícone do cinema.

Várias notas relacionadas a Drácula de 1931 remetem a Lugosi, que faleceu em 1956 aos 83 anos, com 108 trabalhos no currículo. O ator foi enterrado com a capa utilizada nesse longa e reviveu o Conde em 1948 no filme Às Voltas com Fantasmas (estrelado por Abbot e Costello - mas sobre esse eu falo outro dia). A viúva de Bram Stoker chegou a um acordo por 60 mil dólares, mas o texto adaptado para as telas foi o de uma peça da Broadway, que estreou em 1927 e foi encenada 261 vezes por Lugosi - terminando aqui os boatos de que o astro não falava inglês e decorava seus textos foneticamente.

A vontade do romeno de levar ao cinema a história do vampiro era tanta que ele dispensou o próprio cachê para que os produtores investissem no filme. Um reflexo da crise de 1929 em Hollywood, deixando o estúdio sem verba para uma adaptação completa do livro escrito em 1897. Todavia, Lugosi não foi a primeira opção. O ator Lon Chaney, escolhido para viver Drácula, faleceu dias antes do início das filmagens e Bela foi apenas seus substituto. Paul Muni, de Scarface, também foi cogitado. Quem quase viveu Mina foi Bette Davis, descartada porque não era considerada "sexy o suficiente".

Quanto ao filme em si, o belo início com os créditos ao som de Lago dos Cisnes é a única música ouvida durante os 75 minutos de duração. Como o som era uma novidade no cinema, os produtores pensaram que o público não queria ouvir uma trilha de fundo alheia ao contexto - análise completamente equivocada, visto que isso ocorre em todos os longas, com raríssimas exceções.

Partindo para a história, apesar da dinâmica interessante, trata-se da velha lenda de Reinfield, que visita o castelo de um Conde na Transilvânia e por aí vai. Em algumas partes a trilha nitidamente faz falta, porém a produção é caprichada (quase impecável) e uma grande referência naquele que inaugurou o gênero terror em Hollywood. Lugosi parece ser o Drácula definitivo (ainda não vi a performance de Christopher Lee) e é mais fácil convencer alguém a gostar dessa versão do que o longa Nosferatu.

A chegada do vampiro a Londres numa caixa, as saídas do "mocinho" Van Helsing, tudo que você conheçe sobre a trama está presente. O final, com uma conclusão bem simples, é até hoje criticada. Drácula fez carreira nos cinemas sem qualquer tipo de prêmio, mesmo para a atuação do ator, mas a AFI volta e meia homenageia o filme (que está presente na lista dos mais emocionantes - veja a lista aqui - dos maiores vilões - veja a lista aqui - e das maiores frases - veja a lista aqui). Uma saída interessante da produção foi enxugar o roteiro em vinte minutos em comparação com a peça. Uma versãoespanhola, filmada simultaneamente nos mesmos cenários, é considerada mais fiel à Broadway, mas hoje é peça de museu. Outra versão sem som com o mesmo elenco acertadamente nunca foi lançada.

No mesmo ano chegava aos cinemas Frankenstein, que consagraria outro mestre do terror, Boris Karloff. Ele e Lugosi se encontrariam nas telas em 1945 no filme O Túmulo Vazio, dirigido por um Robert Wise (Jornada nas Estrelas, Amor Sublime Amor, A Noviça Rebelde) em início de carreira. Por tantas histórias e por se tratar de um bom filme (que aparentemente não envelheceu), Drácula é um longa que vale a pena ser assistido. Nota 8




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