quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Recontando - [Rec]: Gravando / Quarentena

Uma câmera na mão e uma ideia na cabeça. Aos poucos o cinema foi se especializando em levar ao público produções cada vez mais perto da realidade. Em 1999 um marco no cinema independente foi o lançamento do filme A Bruxa de Blair, um documentário fictício que conseguiu ser a maior bilheteria de uma produção sem um grande estúdio por trás. Em 2007 e início de 2008 três filmes usaram uma ideia bastante parecida para desenvolver roteiros cheios de suspense em terror: Diário dos Mortos, de George Romero; Cloverfield - O Monstro, de J.J. Abrams (criador de Lost) e um longa espanhol que surpreendeu a todos: [Rec]: Gravando, que foi destaque no Festival de Veneza dois anos atrás. Ele será o assunto do nosso Recontando de hoje. Sua refilmagem, Quarentena, entra na lista dos filmes lançados em 2009.

[REC]: Gravando



Estreia - 14/11/2008 - O roteiro do filme espanhol Rec é simples. Uma equipe de reportagem de um programa chamado Enquanto Você Dorme vai cobrir um turno de um quartel do Corpo de Bombeiros. O que parecia ser uma noite tranquila vai se mostrando uma história digna de filmes de terror.
Uma chamada estranha de vizinhos incomodados com barulhos e gritos estranhos vindo do apartamento do lado. Chegando lá, a fisionomia do Policial entrega que as coisas não estão boas. Na verdade a senhora do apartamento cheio de barulhos se transformou num zumbi. Ao morder os outros o vírus rapidamente se espalha e em pouco tempo os bombeiros e a equipe de reportagem luta pela própria vida, enquanto o apartamento se encontra isolado e incomunicável.
Como eu disse, é um roteiro simples. A diferença de Rec – Gravando para os filmes comuns de zumbi é a maneira como o longa foi filmado. Tal como em A Bruxa de Blair, a câmera é levada por um dos personagens, o que faz o espectador se sentir parte do filme. Na hora da ação, propositalmente é mostrado pouco e de uma forma confusa, já que o câmera também luta por sua vida. Mas Rec – Gravando aposta na violência, sendo bastante realista no quesito “banho de sangue”. Ao contrário de Cloverfield – O Monstro, não há chuva de efeitos especiais e sim closes generosos de pedaços de carne e ferimentos abertos.
Os realizadores souberam brincar com a câmera, incluindo algumas falhas no som e cortes abruptos que ao mesmo tempo em que traz a sensação de que aquilo é verdadeiro também é responsável por quebrar um pouco o clima. Há bons sustos e a tradicional criança-possuída dos clássicos do terror. Para quem gosta, é um prato cheio, um dos melhores dos últimos anos. Já estão filmando uma continuação, que deve chegar nos cinemas da Espanha ainda esse ano. Destaque também para a música Vudú, de Carlos Ann e para a protagonista Manuela Velasco, vencedora do Goya de Atriz Revelação. Nota 6



Quarentena



Estreia - 9/1/2009 – Peço para os senhores que não tentem isso em casa. Depois de assistir ao original Rec – Gravando, lá fui eu para mais uma aventura com zumbis (tipo de filme que pessoalmente não me agrada) na intenção de conferir a versão hollywoodiana da produção espanhola.
Quarentena é bem parecido com o filme de terror europeu. Em vez de Enquanto Você Dorme, o programa se chama Turno Noturno (Night Shift – em inglês não fica tão ruim). A atriz Jennifer Carpenter, que faz Ângela Vidal, não tem o mesmo carisma de Manuela Velasco. As falas iniciais são bem parecidas, mas os cenários são, obviamente, mais caprichados.

O prólogo no Corpo de Bombeiros foi um pouco mais esticado, digamos que o roteiro encha um pouco de linguiça (há até uma homenagem ao filme original com uma passagem rápida pela quadra de basquete). Quando chegamos ao prédio dos zumbis é que as semelhanças aumentam.

De início, o cenário é idêntico, parece até que filmaram no mesmo lugar. Aos poucos Quarentena vai se transformando em mais um remake pasteurizado de filme de terror estrangeiro feito por Hollywood. O que na Espanha pode parecer brilhante, nos Estados Unidos não é nada demais.

Um equívoco foi colocar uma ponta para Greg Germann, um rosto conhecido de quem vê bastante cinema e televisão (principalmente Ally McBeal), o que tira um pouco o realismo inicialmente proposto. Outro foi trocar a violência explícita por uma câmera muito mais nervosa, que balança exageradamente o tempo inteiro (tudo bem, está mais perto da ação também).

Como Hollywood gosta de uma história mais mastigada, foram feitas adaptações no roteiro para incluir um cachorro, um veterinário e uma TV que incrivelmente funciona. Tudo isso para que os motivos do que está acontecendo sejam apresentados ao longo da história. Os vizinhos chineses do longa original foram substituídos por africanos, mas não me pergunte porque.

Destaque negativo foi a exclusão da cena que eu mais gostei em Rec – Gravando. Quando Ângela Vidal olha do alto da escada do prédio e vê um zumbi em cada andar olhando pra ela. O susto maior está lá, mas de maneira tão idêntica que perde a graça para quem viu o primeira versão. O cinema americano tem mais pinta de Cloverfield – O Monstro. Lançado no mesmo ano de Rec – Gravando, ele une qualidade com originalidade. Essa segunda coisa faltou para Quarentena. Nota 4



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Um comentário:

Vander disse...

Cara...

Não gosto de filmes de terror. Ponto.